Mais antiga representação humana tem 35 mil anos
2009-05-14

© Universidade deTübingen
A Vénus de Hohle Fels veio retirar o lugar de representação humana mais antiga à Vénus de Willendorf, descoberta na Áustria em 1908 e que tem 28 mil anos. A nova figura feminina tem 35 mil anos, foi descoberta em Setembro de 2008 na Alemanha e tem as proporções dos caracteres sexuais femininos ainda mais exageradas.
Nicholas Conard, investigador da Universidade de Tubinga, Alemanha, afirmou em um artigo publicado na Nature que, “não há nenhuma dúvida de que a representação de um peito aumentado, das nádegas e genitália acentuadas resulta de um exagero deliberado das características sexuais da figura”.

A nova Vénus foi descoberta nas grutas de Hohle Fels em estratos do Paleolítico Superior, que coincide com poucos milhares de anos depois dos primeiros Homo sapiens (o homem moderno), terem colonizado a Europa. A escultura tem menos de seis centímetros e 33 gramas é atualmente a representação mais antiga de arte figurativa.
As populações humanas que habitavam o centro da Europa há 35 mil anos, eram sociedades de caçadores/recolectores segmentadas em grupos de 25 pessoas, com ritmos de deslocação certos e que trocavam freqüentemente idéias, objetos e experiências.
Calcula-se que tenha sido neste contexto que a Vénus de Hohle Fels foi esculpida, mas continua a ser controverso, para os investigadores, o porquê da sexualidade feminina surgir de forma exacerbada.
Como a Vénus de Willendorf, não são só certas características que estão sobrevalorizadas, partes anatômicas como os pés e pernas são minimizadas. A cabeça, neste caso, transforma-se num pequeno anel que parece servir para pendurar o objeto.
Uma das características destas figuras é a representação da gordura. Muitas vezes é tão realista que os investigadores defendem que quem esculpiu terá de ter visto alguém com um nível de obesidade raro nestas sociedades.

Conventinho de Itu, muito mais do que clausura

O Mosteiro Concepcionista Nossa Senhora das Mercês, ou Conventinho, há 55 anos, com a chegada da já falecida Madre Gema, produz doces, licores, geléias e vende frutas e especiarias.
DELÍCIAS ESPECIAIS

Madre Gema veio de São Paulo e com ela trouxe as receitas e uma ajuda especial do médico Archimedes Lammoglia, que doava frutas e trazia essências de uma loja paulistana, da qual chegam as encomendas até hoje.

Algumas essências da produção do licor são caseiras, como as de laranja, abacaxi e jenipapo. A calda é feita com 1 quilo de açúcar para 1 litro de água, depois se coloca a essência curtida no álcool.

A Irmã Maria Auxiliadora do Menino Jesus, que vive há 56 anos no convento, é uma das responsáveis pela coordenação da fabricação destes produtos. A maioria das frutas utilizadas para as compotas são das árvores do convento, como goiaba, acerola, banana e uva.

Em determinadas épocas, a produção aumenta, principalmente a de jabuticaba, que é usada para a produção de vinho e também de licor. Todos os produtos são vendidos na lojinha do convento, inclusive as nozes nacional ou nozes pecam, provenientes das árvores do convento.
A VIDA DAS IRMÃS

Irmã Maria Auxiliadora vive em clausura com mais 13 Irmãs. A sua vida é simples e regrada, composta de oração e devoção. As monjas vivem inteiramente segregadas do mundo, podem receber visitas em parlatórios (atrás de grades que as separam das pessoas).

O dia das irmãs começa às 5h30 da manhã, quando partem para a igreja fazer suas orações, assistem à missa e depois tomam seu desjejum. Após o café, cada irmã segue para o seu trabalho. Irmã Maria Auxiliadora trabalha na cozinha, orientando as demais, já que não consegue mais exercer tantos trabalhos devido a uma deficiência.

Às 11h, é executada uma procissão até a igreja, onde se reza pelas almas. O almoço, que é um momento sagrado para as irmãs, é feito em silêncio depois que as conselheiras benzem a mesa. As irmãs têm 30 minutos para repousar.

A tarde toda é composta por orações. A janta é considerada um “recreio” pela irmã Mª Auxiliadora, já que elas podem conversar, assistir ao telejornal e fazer suas próprias orações. Antes de se recolherem, há mais uma oração.

Os domingos são livres para que as Irmãs recebam suas famílias no parlatório, executem seus afazeres pessoais e freqüentem a missa. Na igreja do Conventinho, o andar superior foi todo cercado com grades para que as irmãs assistam à missa junto à comunidade.

Muitas pessoas não aceitam o modo de viver das monjas concepcionistas, mas assim como todos são livres para fazer suas escolhas, as irmãs fizeram a sua: viver em clausura!

Conventinho

Lilian Araujo Sartório/ www.itu.com.br

O Convento foi fundado em 25 de dezembro de 1.825 por Frei Inácio de Santa Justina e seu grande auxiliar foi o padre Elias do Monte Carmelo. Incorporando à ordem Imaculada Conceição em 17 de Fevereiro de 1.952, formando-se então, canonicamente Mosteiro Concepcionista.

Foi a primeira casa religiosa também o primeiro colégio para meninas. Funcionou no antigo Mosteiro já demolido, de 1.824 até 1.967, na Praça Regente Feijó. É uma obra de arquitetura moderna, do Ituano Dr. Walter Toscano.

Pimenteiras quer ser vista além da Amazônia
SÁB, 17 DE OUTUBRO DE 2009 12H37MIN

Cidade com turismo ainda incipiente fica no encontro de dois biomas. Índios, seringueiros e bolivianos vivem na região
PIMENTEIRAS DO OESTE, RO – Na fronteira do Brasil com a Bolívia, a 177 quilômetros de Vilhena, Pimenteiras do Oeste é uma das localidades mais antigas e a menos populosa de Rondônia. Com cerca de 2,5 mil habitantes e emancipada apenas há 14 anos, ela guarda uma série de curiosidades em sua formação histórica. Índios, bolivianos e seringueiros fazem parte do cenário desse município explorado muito aquém do seu imenso valor arqueológico e cultural.
Pimenteiras promove há dez anos o Festival de Praia, às margens do Rio Guaporé, uma festa que atrai milhares de pessoas e consta de apresentações musicais, área de camping e muita bebedeira. E se resume nisso a “agenda cultural” da cidade. Falta uma programação que valorize o ecoturismo e que seja capaz de seduzir visitantes o ano todo, em busca de gastronomia típica, artesanato, biodiversidade, religiosidade, além dos “causos” e lendas que poderiam incrementar o desenvolvimento econômico.
Pantanal e Amazônia
A natureza majestosa – que inclui dois biomas, a Floresta Amazônia e o Pantanal – atrai visitantes, mas há outros, subvalorizados. É o exemplo da festa religiosa que marca a recepção dos fiéis católicos que seguem em batelões (tipo de embarcação) a centenária procissão fluvial do Divino Espírito Santo. Trata-se de uma tradição herdada dos afro-descendentes e portugueses, atualmente reunindo brasileiros e bolivianos. No entanto, é pouco divulgada.
A cidade reúne muitos pimentenses que sabem fazer trabalhos manuais e artesanatos com traços herdados das culturas indígena, cabocla e boliviana. Ainda não existe um local para uma exposição dos produtos. Um dos que se ressentem disso é a ex-pescadora Francisca Maria Serrat, uma negra filha de seringueiros que produz colchas de retalho, bonecos de pano e pinturas com traços afros ainda não conhecidos pela própria gente do lugar.
Moradora em Pimenteiras desde os anos 1980, a boliviana Glória Miranda também personifica um pouco da diversidade cultural. Além de pães e bolachas, ela fabrica a bebida mais tradicional do Vale: a chicha original, feita à base de milho fermentado, adquirindo teor alcoólico. Na versão de Glória, é um refresco nutritivo, sem álcool, apreciado até pelas crianças.
Santo da casa não faz milagre
O empresário Renato Pereira é dono do Barco-Hotel Rei, pouco prestigiado dentro do estado, mas conhecido por turistas de diferentes regiões. “Recebo aqui gente vinda de vários lugares do Brasil e do mundo”, conta. Recentemente, um grupo de alemães se hospedou no barco, que fica ancorado em frente à Reserva Noel Kempff, na Bolívia.
O que atraiu o grupo europeu foi à grande diversidade de borboletas que ninguém das redondezas costuma notar. As vitórias-régias, tartarugas, pássaros e plantas, além dos passeios de voadeiras e a comida tradicional da região também chamaram atenção dos “gringos”.
Às vezes, seu Renato vai pessoalmente para a cozinha para agradar aos turistas, preparando o delicioso peixe Pintado, assado envolvido em folha de bananeira. Outras especiarias do município são os doces de caju e de ovo de tracajá – este, muito prestigiado pelos ribeirinhos.
Pesca
Afora o barco-hotel – possui quatro camarotes com ar-condicionado -, Pimenteiras tem outros dois hotéis e um restaurante, todos muito simples. A economia gira em torno da pesca, que aos poucos vem sendo substituída pela agricultura familiar.
O turismo ainda é incipiente e amador. Começou a surgir em meados da década de 1980, depois de uma matéria na TV Globo tratando da vastidão e da beleza do Rio Guaporé, atraindo pescadores de ocasião de todo o Brasil.
A atividade predatória e a falta de repovoação do rio acabaram trazendo danos ambientais e prejudicando os pescadores artesanais. Hoje, o que se busca é um turismo que possa “deixar as coisas em seus lugares”, comenta Renato.
Cheia de graça e de histórias
PIMENTEIRAS DO OESTE – As belezas naturais e o caráter cosmopolita de Pimenteiras somam-se às suas riquezas arqueológicas e históricas. Para se ter idéia da antiguidade dos registros, há um de 1750, dando conta que o capitão Antônio Rolim de Moura armou acampamento às margens do Guaporé durante uma viagem que ele fazia de Vila Bela da Santíssima Trindade, então capital de Mato Grosso ao Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques.
Em frente à Igreja Matriz está afixada uma cruz de bronze com escritos em alemão, datados de 1907. O artefato foi retirado da mata sob a cova de um certo Jasper Von Oertzen, que seria um missionário evangélico morto aos 32 anos. Nota-se que o local já era conhecido como “Pimenteira” (assim mesmo, no singular). Ninguém sabe ao certo a origem da denominação.
Também existem muitos resquícios dos índios Pau Cerne. Moradores encontraram vasos, urnas e outros utensílios inteiros feitos em barro. Nas proximidades do seu barco-hotel, dentro da Área de Preservação Ambiental Tamanduá, existe um cemitério abandonado. No local, foram enterrados os corpos de dezenas de aventureiros e garimpeiros.
Achar pessoas nascidas em Rondônia que tenham mais de 60 anos é uma raridade. Mas em Pimenteiras existem, relativamente, muitos deles, havendo a predominância de três genealogias: Brito Nery e Leite Ribeiro.
Fonte Amazonia

Floresta Amazônica Localização

A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km². Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade. No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional. O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhão de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo.
Clima
Localizada na Região Norte do Brasil e cortada pela linha do Equador, a Amazônia tem o clima Equatorial predominante, quente e úmido, com temperaturas anuais variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC e caracterizado por umidade elevada durante todo o ano, o que favorece a formação da cobertura vegetal de floresta ombrófila (densa), com árvores de grande porte e folhagens sempre verdes. As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos do ano, provoca enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. As precipitações contribuem para a cheia dos rios e auxiliam na transformação das paisagens amazônicas no meio tempo entre a estiagem e o período de chuvas.
População
Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região. Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças. Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, o branco e o negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos. Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por Km2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos.
Economia
A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro. Ao longo da História, diversas fases marcaram o crescimento econômico da região, como o período da Borracha, na segunda metade do século XIX, quando a Amazônia presenciou um período rico e de crescimento de grandes cidades como Manaus e Belém, e durou até a década de 20. Hoje a região apresenta atividades econômicas estruturadas em um Pólo Industrial com empresas certificadas pelo nível zero de poluição, e essencial para o equilíbrio financeiro local, por meio da geração de milhares de empregos diretos e indiretos na capital e interior. O sistema de importação e exportação do Pólo Industrial de Manaus (PIM), a maior capital da Região Norte, desenvolveu os sistemas de transporte fluviais e aéreos, com base no Porto Flutuante de Manaus e no aeroporto internacional Eduardo Gomes, um dos principais terminais de carga do país. A criação da Zona Franca de Manaus representou ainda um crescimento demográfico sem precedentes na região, complementado com o grande registro de imigrantes, a atividade de garimpeiros e o êxodo rural.

Biodiversidade
A biodiversidade amazônica ainda reserva muitos segredos desconhecidos da humanidade. As florestas da região concentram 60% de todas as formas de vida do planeta, mas calcula-se que somente 30% de todas elas são conhecidas pela ciência. Quantos segredos e novas espécies de peixes, pássaros, bichos ou microorganismos ainda desconhecemos? A enorme biodiversidade conta com mais de 3 mil espécies só de árvores, por outro lado determinam a considerável fragilidade dos ecossistemas amazônicos. As árvores gigantescas – algumas com mais de 100 m de altura – vivem basicamente do húmus resultantes da vegetação em decomposição. Da variedade total de espécies animais, vegetais e das propriedades biomedicinais ainda se sabe pouco. Estima-se que a diversidade de árvores na Amazônia varia entre 40 a 300 espécies diferentes por hectare.

Culinária
A Amazônia é muito bem servida pela variedade de pratos típicos e riquíssima em sabores de influência indígena. A culinária regional destaca-se pela enorme oferta de pratos à base de peixes ou frutos existentes apenas nesta porção do planeta. Cada ingrediente quando combinado com elementos regionais ou o tempero caboclo resulta num paladar impossível de não encantar pelo exotismo do preparo. Temperos como a pimenta malagueta, pimenta de cheiro, o tucupi são essencias. Os peixes podem ser cozidos, fritos ou assados. Só é preciso escolher entre o tucunaré, o tambaqui, o jaraqui ou o bacalhau da Amazônia, o delicioso pirarucu, entre tantos outros apreciados com o complemento específico: a farinha do uarini.

Frutas tropicais
A imensa diversidade de árvores frutíferas na Amazônia permite descobrir sabores absolutamente únicos que encantam o paladar de qualquer pessoa. Aromas inusitados, sabores únicos e formas que encantam o olhar misturam-se na diversidade amazônica e fornecem energia e vitaminas a quem as consome. O Cupuaçu tem um sabor muito sutil e ímpar, e dos seus frutos pode-se extrair a polpa para fazer sucos, doces, sorvetes e outras preciosidades. O Açaí, que ficou famoso como poderoso energético, é consumido diariamente em forma de “vinho”. Já há, inclusive, registro de consumo do açaí em outros países; os frutos do açaizeiro são sovados em uma peneira e da polpa se extrai o sumo oleaginoso servido com farinha de tapioca. E a pupunha, a uva da Amazônia, com seus deliciosos frutos em cachos, protegidos por espinhos do tronco da árvore, podem ser consumidos apenas após o cozimento.

Folclore
O folclore é uma das manifestações da cultura popular. E a Amazônia têm um folclore rico com suas lendas, os mitos, as músicas populares, a poesia, as danças, que encantam e fazem parte do imaginário dos turistas e habitantes de toda a Região. As lendas amazônicas fazem parte da vida de cada morador nos mais distantes recantos verdes. Desde criança, é comum ouvir histórias como a do boto que se transforma no homem bonito e encanta as mulheres. A história da cobra-grande assusta, e para muitos é a explicação para a origem de alguns dos grandes rios. Algumas lendas contam que a floresta é habitada por seres mitológicos que a protegem da fúria de caçadores e madeireiros. A crença em entes como o curupira, a Iara, o Mapinguari, o Matinta Perera dão a idéia da magia amazônica e das raízes culturais do homem da região. O folclore reserva ainda a formação de grupos folclóricos com músicas próprias, roupas típicas, dançarinos, e ritmos contagiantes.

Artesanato
As peças que compõem o artesanato amazônico são ricas em detalhes indígenas. Cerâmica, colares, pulseiras, utensílios domésticos, e uma infinidade de outras peças decorativas podem ser apreciadas e compradas. O artesanato regional está diretamente ligado a elementos da cultura local, e até mesmo a matéria-prima utilizada para a produção das peças têm origem na floresta, como sementes, fibras, madeiras, ou a argila para compor peças em cerâmicas. Tudo aproveitado pelos artesãos com criatividade, originalidade e beleza, resultando em belos produtos para a venda. Em Manaus, é fácil encontrar produtos do tipo em feiras permanentes e diárias no centro da cidade, ou nos fins de semana, como a Feira do Artesanato, da Avenida Eduardo Ribeiro. Outras preciosidades podem ser encontradas ainda em lojas de artesanato ou à exposição em museus. As cerâmicas mais antigas de que se tem registro na Amazônia datam de cerca de 7.000 a 8.000 anos
Cultura
A Cultura amazônica recebe importante influência dos povos indígenas. O calendário de eventos das cidades da região exploram elementos como a música, as artes plásticas, o artesanato, e folclores regionais. O Boi-Bumbá de Parintins, já conquistou o prestígio internacional e todos os anos atrai milhares de visitantes para a pequena cidade do Baixo Amazonas, para assistir ao grande espetáculo que conta as lendas da Amazônia, retrabalhando os aspectos indígenas. Em Manaus, uma grande programação pode ser conferida o ano inteiro, desde o carnaval no sambódromo, em fevereiro, até o Carnaboi, em outubro, passando pelo Festival Folclórico do Amazonas, em junho. No interior, diversos municípios também realizam suas festas próprias como Manacapuru, com seu Festival de Cirandas, ou o Festival da Canção em Itacoatiara, com artistas e compositores locais. Para os admiradores de óperas e shows eruditos, durante todo o ano, o Teatro Amazonas reserva diversas montagens no belo palco do período da Borracha. O Festival Amazonas de Ópera é referência no gênero na América Latina, acontecendo nos meses de abril e maio. Há ainda diversos museus e centros culturais com exposições permanentes que contam a rica história da região.
Fonte Amazonia

Recomeçam obras de reforma do Casarão dos Maurício

19/10/2009 – 09h47m
Depois das obras no chamado “prédio da Escola Normal/Fafil”, na Rua Coronel Celestino, 75, que abrigará o Museu regional e será sede provisória do Centro de convivência com a seca, realizadas pelo governo do estado, a prefeitura de Montes Claros iniciou uma nova etapa do processo de restauração de mais um dos imóveis tombados pelo município, conforme decreto-lei de número 1.761, de 28 de setembro de 1.999. O Casarão dos Versiani-Maurício ou Casarão dos Maurício, que fica na mesma rua, número 99, na parte histórica da cidade, terá suas obras de recuperação reiniciadas assim que for concluído o processo licitatório já em curso.
(foto: FÁBIO MARÇAL)

As obras de mais uma etapa de restauração do Casarão dos Maurício contam com recursos de R$ 375 mil, provenientes do FEC – Fundo estadual de Cultura, garantidos através da aprovação do projeto de restauração assinado pela arquiteta e urbanista Clarissa de Oliveira Neves, especializada em revitalização arquitetônica e urbana pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A expectativa é de que a empresa vencedora da concorrência seja conhecida ainda neste mês, para início imediato dos serviços.
Segundo ela, as paredes do sobrado são feitas de enchimento ou taipa, erguidas com varas e tabocas amarradas com cipó, e o espaço é preenchido com barro em mistura com esterco de gado. Os esteios são feitos de aroeira e baldrames de pau-preto ou tamboril, para apoio do assoalho.
De acordo com a viúva do sétimo herdeiro do casarão, João Valle Mauricio, a escritora Milene Antonieta Coutinho Maurício, autora do livro Patrimônio histórico de Montes Claros, a batalha pela reforma do casarão existe há muito tempo.
- O sobrado em uma época foi tombado pela prefeitura, quando Maurício ainda era vivo. Prometeram a reforma e não fizeram nada. Eles dizem que a responsabilidade de manter o sobrado é da família, só que nós não tivemos condições de fazê-la – diz Milene.
Ela diz ainda que a reforma foi idealizada pelo Fundo estadual de Cultura, sendo pouco o dinheiro enviado.
- Depois de tombado, o casarão foi desapropriado, ficando lá, parado. Então, hoje, esperamos que a reforma seja realizada e que seja transformado em um museu, com a história da cidade e dos Maurício que tanto contribuíram. Para isso, eu tenho toda a história dos Maurício para colocar lá. E se a reforma sair vai ser muito bom para o bem da cidade e o resto da história – completa.
Ela ainda revela que só foi conhecer o sobrado depois de ter se casado com João Valle Maurício, e que a reforma é de suma importância para a história de Montes Claros, pois foi construído em 1812.
No livro Serões montes-clarenses, que o falecido escritor Nelson Viana dedicou ao seu marido, ele fala sobre os velhos sobrados, o sobrado nº 99, da Rua Coronel Celestino, que é, segundo o também falecido historiador Hermes de Paula, o prédio mais antigo da cidade, e teria sido retificado por ordem do capitão Pedro José Versiani.
Como dona Milena não chegou a morar no casarão, ela só pode contar às histórias que ouvia de Dr. Maurício:
- Meu marido me contou uma história de seu avô (João Alves Maurício Versiani), que foi o terceiro morador da linha direta na casa. Quando ele se mudou para o sobrado, que foi passado de geração em geração, ele disse que iria ter 12 filhos, e colocar um rapaz em cada porta e uma moça em cada janela, e ele cumpriu a promessa. São quatro portas e oito janelas na frente da casa.
João Valle Maurício escreveu o livro Janela do Sobrado, com um poema para o casarão. Dona Milena revela estar com novo projeto:
- Meu marido gostava muito de contar as histórias do casarão, e de como eram os rapazes da época. Ele tinha uma chácara no jardim Panorama, antes conhecida como Pequi, pena que ele não concluiu todos os livros pra contar as histórias. Agora, eu estou com fotos ilustrativas que acompanham as estrofes do poema, e as fotos mostram a família e o sobrado.
PARTE DO POEMA SOBRADÃO
Velho sobradão da Rua de Baixo
Rua toda feita de saudade
Onde ficou a minha infância
E a minha mocidade
Sobradão dos meus avós
Dos pais dos meus avós
Onde meu pai nasceu
E foi meninos menino vermelho
Menino malino
Sobradão de janelas enormes,
Muitas janelas, enfeitadas de gaiolas,
e as gaiolas enfeitadas de sabiás. (…)
(…) Um dia, quando tudo passar
Você, sobradão, irá guardar
Pedaços de nossas vidas
O tom de nossas vozes
O som de nossos passos
Marcando o compasso do tempo…
São mil braços, sobradão
A desejar abraçá-lo
São mil sorrisos
Mil brinquedos quebrados
Guardados nos quartos escuros
São mil alegrias de crianças
Que com você viveram encantadas
São mil lembranças
Mil ternuras bem amadas
São mil lágrimas, mil saudades
Tudo é você, velho sobradão
É o nosso carinho
É a nossa emoção mais pura
É você, você eternamente
Vivendo nossa cidade
Sendo marco e tradição
Tudo é você
Velho e muito amado
Sobradão

Pergunta a um Nobel!
You Tube promove interação entre premiados
e comunidade online
Os utilizadores do You Tube têm agora a oportunidade de «Perguntar a um Prêmio Nobel» o que quiserem na página www.youtube.com/thenobelprize. O vencedor do Nobel da Física 2006, John Mather – um astrofísico da NASA – é o primeiro a participar e responderá a uma seleção de questões colocadas pela comunidade online.

Nobelprize.org é o nome da página oficial da Fundação Nobel (Nobel Fundation) que gere o canal The Nobel Prize YOUTUBE, e dissemina conteúdos dos seus vastos arquivos desde o primeiro tributo em 1901. Para além de espalhar informação relativa às descobertas, feitos e histórias que inspiram sobre mais destacados em cada ano, agora a entidade oferece a possibilidade, aos interessados, de poderem fazer perguntas diretamente aos premiados através do canal recentemente lançado.

John Mather, Prêmio Nobel da Física 2006, é o primeiro disponível. Este foi o primeiro investigador da NASA a receber o título, que lhe foi entregue juntamente a George Smoot pela sua descoberta pela descoberta da forma de corpos negros e da anisotropia da radiação cósmica de fundo, um trabalho importante para cimentar a teoria do Big Bang e que deu um salto importante para se poder compreender o início do Universo.

Per Gunnar Holmgren, diretor-geral do Nobelprize.org disse: “O canal You Tube Nobel Prize é um excelente fórum para promover a interação com os Nobel. E com John Mather, em particular, e com a sua investigação sobre as origens do Universo, já que uma série de questões pode ser levantada. Desta forma, aumentando o acesso aos laureados, encorajamos estudantes, educadores, investigadores e o público em geral”.

Pergunta a um Nobel!
You Tube promove interação entre premiados
e comunidade online
Os utilizadores do You Tube têm agora a oportunidade de «Perguntar a um Prêmio Nobel» o que quiserem na página www.youtube.com/thenobelprize. O vencedor do Nobel da Física 2006, John Mather – um astrofísico da NASA – é o primeiro a participar e responderá a uma seleção de questões colocadas pela comunidade online.

Nobelprize.org é o nome da página oficial da Fundação Nobel (Nobel Fundation) que gere o canal The Nobel Prize YOUTUBE, e dissemina conteúdos dos seus vastos arquivos desde o primeiro tributo em 1901. Para além de espalhar informação relativa às descobertas, feitos e histórias que inspiram sobre mais destacados em cada ano, agora a entidade oferece a possibilidade, aos interessados, de poderem fazer perguntas diretamente aos premiados através do canal recentemente lançado.

John Mather, Prêmio Nobel da Física 2006, é o primeiro disponível. Este foi o primeiro investigador da NASA a receber o título, que lhe foi entregue juntamente a George Smoot pela sua descoberta pela descoberta da forma de corpos negros e da anisotropia da radiação cósmica de fundo, um trabalho importante para cimentar a teoria do Big Bang e que deu um salto importante para se poder compreender o início do Universo.

Per Gunnar Holmgren, diretor-geral do Nobelprize.org disse: “O canal You Tube Nobel Prize é um excelente fórum para promover a interação com os Nobel. E com John Mather, em particular, e com a sua investigação sobre as origens do Universo, já que uma série de questões pode ser levantada. Desta forma, aumentando o acesso aos laureados, encorajamos estudantes, educadores, investigadores e o público em geral”.

Boa Vista é porta de entrada para a Amazônia

Localizada à margem direita do Rio Branco, Boa Vista pode ser considerada a porta de entrada natural para a Amazônia e para a região onde se situam algumas das montanhas mais altas do país, como o Monte Roraima e o Monte Caburaí, o ponto mais setentrional do Brasil.

Uma paisagem recortada por rios, cachoeiras e formações rochosas compõe o cenário que abriga mais de 400 espécies de bromélias. Essas são algumas das surpresas reservadas a quem aceitar o desafio de chegar ao Monte Roraima, uma das montanhas mais antigas da terra que fica na fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.

Com 2.875 metros de altitude, essa formação teve início há cerca de 150 milhões de anos, e há séculos vem povoando a imaginação de aventureiros dispostos a tudo para chegar a seu platô. Inspirado nesse universo exótico, o escritor Conan Doyle, escreveu “O Mundo Perdido”.

No platô há uma vasta mesa de arenito de aproximadamente 40 km², coberta de blocos e montes de até 30 m que se elevam em todas as partes. Dali é possível ter a dimensão do poder do tempo, ao observar as fendas e abismos formados pela ação do vento e das chuvas. É aí que fica o vale dos cristais, onde ocorrem formações de pequenas esculturas pontiagudas de cristais.

Ensinando aos Pequenos: de zero a três anos
Alessandra Arce e Ligia M. Martins (orgs.)
________________________________________
Editora Alínea | ISBN 978-85-7516-357-3
1ª edição – setembro/2009
210 pag. | 140 x 210 mm
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sinopse :..
________________________________________
A criança pequenina encanta e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de educá-la a muitos assusta. É possível falar em ensino para crianças menores de três anos? A criança produz, ou não, cultura? Pode-se dar aulas para bebês? Como se desenvolve a criança pequena? Podemos interferir em seu desenvolvimento? Quem trabalha no berçário, maternal e nas creches é professor ou educador? Estas e outras questões são objeto de análises e discussões nesta obra que pretende colocar o ensino como eixo do trabalho com os pequeninos. Para tanto, os autores aqui reunidos produziram textos que servem como auxiliares no pensar e fazer cotidiano das creches e salas de educação infantil, objetivando a formação integral da criança de 6 meses a 3 anos de idade.
“Língua de criança é a imagem da língua primitiva,
Na criança fala o índio,
a árvore o vento.
Na criança fala o passarinho.
O riacho por cima das pedras soletra os meninos.
Na criança os musgos desfalam, desfazem-se.
Os nomes são desnomes.
Os sapos andam na rua de chapéu.
Os homens vestem-se de folhas de mato.
A língua das crianças conta a infância em tatibitati e gestos.”
(Manoel de Barros in “Poeminhas Pescados”, Record, 2001)

Professora da UFS lança livro internacional
O lançamento foi feito em parceria com a Universidade da Carolina do Norte – EUA
22/10/2009 – 18:05
O livro ‘Vovó Nagô, Papai Branco: Usos e Abusos da África no Brasil’, da professora de Antropologia da UFS, Beatriz Góis, foi lançado em setembro de 2009 nos Estados Unidos em língua inglesa sob o título ‘Nagô Grandma and White Papa’.O lançamento foi feito em parceria com a Universidade da Carolina do Norte – EUA, foi traduzido por Stephen Berg e já recebeu comentários de pesquisadores internacionais.
O professor de História do Brasil na Universidade Estadual de Campinas, Robert Slenes, afirma que “o livro permanece surpreendentemente relevante para os debates teóricos correntes sobre essas questões bem como para a área de estudos sobre a diáspora africana”.
Já Mark Healey, professor de História na Universidade da Califórnia em Berkeley destaca: “A profundidade, a preocupação e a sofisticação da pesquisa e da análise dela (Beatriz Dantas), fizeram desse livro um modelo para a geração acadêmica brasileira. A tradução para o inglês traz para esse trabalho criativo o amplo público que ele merece”.
A obra, que inicialmente foi tese de mestrado da professora e já foi citada na bibliografia de vários cursos de graduação e pós-graduação, retrata as religiões afro-brasileiras no estado de Sergipe de uma forma inovadora, tendo como objeto de estudo um terreiro de Laranjeiras e traz um conceito moderno da pureza das religiões.
A autora do livro diz que sua obra em língua inglesa é importante porque “amplia o horizonte de discussão sobre esse tema” e acrescenta que, em português, o conhecimento ficaria muito restrito. Além disso, ressalta que sua obra influencia na divulgação da UFS no mundo através de sua produção científica.
Fonte: Ascom UFS

Primeiros habitantes das Ilhas Canárias eram berberes
Estudo luso-espanhol publicado na BMC Evolutionary Biology
2009-10-22

Origem evolutiva da população das Ilhas Canárias
Uma equipa de investigadores portugueses, liderados por António Amorim, do IPATIMUP, e espanhóis levou a cabo um estudo genético molecular sobre o cromossoma Y (que define o sexo masculino), na comunidade aborígene das Ilhas Canárias, para determinar a sua origem e saber como é que sobreviveram à população atual.

Segundo resultados obtidos, a origem da linhagem paterna é norte africana, já a materna foi praticamente substituída hoje pela européia. Investigadores da Universidade de La Laguna (ULL), do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e o Instituto de Medicina Legal da Universidade de Santiago de Compostela analisaram o cromossoma Y a partir de despojos de dentes encontrados nas ilhas.

Determinou-se uma evolução na linhagem paterna com origens da Era pré-hispânica até aos nossos dias. É de referir que apenas o DNA mitocondrial foi estudado – o que refere meramente evolução do lado materno (acreditava-se que o DNA mitocondrial era passado para a prole unicamente através da mãe, mas já foi relatado que ocasionalmente pode ser herdado a partir do pai).

Análise feita a um dente aborígene
Rosa Fregal, autora principal do artigo recentemente publicado na «BMC Evolutionary Biology», e investigadora do Departamento de Genética da ULL, explicou que “ao passo que linhagens maternas aborígenes sobreviveram subtilmente, as paternas foram progressivamente, sendo substituídas pelas européias”.

Os especialistas analisaram também uma amostra histórica de igreja La Concepción (Tenerife), cujas datas remetem para os séculos XVII e XVIII. Através deste estudo, conseguiram estabelecer o impacto da colonização européia e do comércio de escravos africano; assim como a evolução de traços aborígenes da Ilhas Canárias ou Guanches (povo nativo da região), desde a Era pré-hispânica.

Durante este período, a maior parte das relações entre o sexo masculino e feminino eram estabelecidas entre homens ibéricos e mulheres guanches, “dada a posição social dos primeiros”, avançou Fregel. Os cientistas afirmam que existia maior taxa de mortalidade nos aborígenes por serem discriminados pelos conquistadores e “não apenas durante a conquista de Castela, no século XV, mas mesmo depois”. Já no caso das linhagens sub- Saharan, “ambos os sexos eram discriminados” e traços tanto do lado materno como paterno foram diminuindo.

Mulheres com traços europeus e homens ibéricos
Traços de colonização européia

Um estudo anterior sobre o cromossoma Y na atual população das Ilhas Canárias revelou o impacto da colonização européia nos homens. A investigadora espanhola refere que foram encontrados traços “em 90 por cento”. Contudo, a análise mitocondrial do DNA demonstrou uma notável sobrevivência da linhagem aborígene, enquanto que a contribuição européia se mantinha entre os 36 e 62 por cento.

Ibéricos e europeus contribuíram fortemente para o patrimônio genético masculino da região: aumentando 63 por cento desde os séculos XVII e XVIII; por outro lado, os genes aborígenes diminuíram 31 a 17 por cento e nos genes Sub-Saharan, de seis a um por cento.

Já no caso das mulheres, a contribuição européia sobressai em maior escala do que a aborígene. Apesar dos avanços, ainda há mistérios que permanecem não resolvidos, como saber “se os primeiros habitantes vieram pelos seus próprios meios ou se foram trazidos à força, já que não há sinais de terem conhecimentos de navegação ou se vieram de uma só vez ou chegaram aos poucos”, concluiu Rosa Fregal.

Num prato de feijão, parte da história do Brasil

Rio – Presente nas mesas da alta sociedade e da classe média, nas tardes festivas de escolas de samba e favelas, o feijão, estrela da culinária brasileira, já foi esnobado pelas elites. Demorou para o grão passar pela goela dos mais ricos, que chegaram a comê-lo escondido por ser considerado ‘comida de pobre’.

A elite mudou de roupa, copiando o francês, mas não mudou o gosto alimentar. Foi a vitória da feijoada!”, exalta o pesquisador visitante do Departamento de Geografia da UFF, Almir Chaiban, que fez pesquisa sobre a história do grão desde 1808 até hoje, com apoio da Faperj.

Atualmente, a mistura de feijão com carnes, especialidade carioca, freqüenta todas as mesas. Sexta-feira, é difícil encontrar em restaurantes, chiques ou ralés, quem resista ao cheirinho do caldo negro fumegante.
Para o cozinheiro Rodrigo Mota Adão, 35 anos, o sucesso da comida vem de véspera.
“A boa feijoada começa a ser preparada um dia antes, com o corte certo dos miúdos e retirada da quantidade exata de sal da carne seca”, ensina o mestre-cuca do restaurante Bandeira F.C., na Praça da Bandeira, onde os amantes do prato fazem fila até a calçada.
Mas nem sempre a feijoada saboreou tanta popularidade. Chaiban diz que no início do século 19, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio, a nobreza começou a comer a iguaria de forma velada. Só pobre era visto degustando o prato. O pintor francês Jean-Baptiste Debret descreveu, em relatos de viagem ao Brasil, que comerciantes comiam feijão com carne seca e farinha, ardendo de pimenta, escondidos no fundo de seus estabelecimentos.

Gradativamente, a feijoada passou dos fundos da cozinha para a sala de jantar. Em 1830, já estava na mesa de ricos e pobres todos os dias. E ganhou o mundo. Mas há quem diga que nada supera a receita carioca.
“A feijoada de São Paulo não é a mesma coisa. Alguém do Rio tinha que ensinar a eles”, provoca o gerente comercial Carlos Alberto Corrêia, 57.
Feijoada surgiu entre ricos
O historiador Chaiban derruba a lenda de que foi nas senzalas que a feijoada nasceu, feita por escravos com restos de carnes desprezados na Casa Grande. “Surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Eles comiam uma feijoada mais incrementada e os pobres, feijão ralo, com pequenos pedaços de carne seca ou toicinho”, explica.

Nessa semana, outro estudo sobre o grão, feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor, mostrou má qualidade do feijão brasileiro. Insetos e larvas vivas foram encontrados em 20% das amostras avaliadas.
Fonte Dia

Belo Horizonte tem riqueza histórica, natureza abundante, sem falar na saborosa culinária

Belo Horizonte (MG) – Considerada por alguns como a cidade que oferece a melhor qualidade de vida da América Latina, com 32 m2 de área verde por habitante, Belo Horizonte é calma e organizada, diferentemente do caos urbano que é, às vezes, São Paulo, e mesmo o Rio de Janeiro. Fundada em 1897, nas primeiras horas da República, a capital das Minas Gerais, planejada, limpa e bem policiada, exibe sua modernidade em vários pontos da cidade.

Belos jardins e fontes destacam-se na Praça da Liberdade, no Centro, que ainda é rodeada pelo Palácio da Liberdade, sede do governo do estado, e abriga o Edifício Niemeyer
As jóias da arquitetura modernista, projetadas por Oscar Niemeyer, são um excelente exemplo disso, e um contraste interessante e agradável com as cidades barrocas do estado. Belo Horizonte é quase uma cidade de passagem, mas os que por ali passam e se detém, ficam agradavelmente surpresos com o que a cidade tem a oferecer em termos de cultura e gastronomia. BH, para os íntimos, tem ainda excelente vida noturna, sendo considerada a cidade brasileira com maior número de bares por habitante. Além de tudo isso, ainda pode se orgulhar de sua mais simpática característica: a hospitalidade do seu povo.
UM POUCO DE HISTÓRIA

Belo Horizonte surgiu do antigo sonho, desde o tempo da Inconfidência, de mudar a capital do estado, antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), num local mais moderno e condizente com a grandeza do estado. Após longos debates no Congresso Mineiro, decidiu-se, em 1893, construir a capital do Estado de Minas Gerais na região do Curral Del Rei, já habitada desde o início do século XVIII. A capital, inicialmente chamada de ‘Cidade de Minas’, foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897.
O QUE FAZER E VER
MUSEU DE ARTES E OFÍCIOS. Pça Rui Barbosa. Tel.: (31) 3248-8600. Ter, qui e sex, 12h/19h; qua, 12h/21h; sáb, dom e feriados, 11h/17h. R$ 4 e R$ 2. (qua, 17h/ 21h e sáb: entrada gratuita para todos). Inaugurado em 2006, o museu, primeiro do gênero no Brasil, ocupa uma parte da Estação Ferroviária (1924), elegante estação central de Belo Horizonte, ainda em funcionamento. O museu convida a uma impressionante imersão no mundo pré-industrial. São 2.200 peças e utensílios de diversas profissões brasileiras desde o séc. XVIII (cerâmica, carpintaria, ourivesaria…).

PARQUE MUNICIPAL. Av. Afonso Pena. Tel.: (31) 3277-4467. Ter a dom, 6h/18h. Tão antigo quanto a cidade, o Parque Municipal é um dos maiores parques de Belo Horizonte e é bastante freqüentado. Tem um orquidário, jardins e lago. Na entrada do parque está o Palácio das Artes, principal centro cultural da cidade, com teatro, cinema, galerias de arte e cafeteria.

MERCADO CENTRAL. Av. Augusto de Lima 744. Tel.: (31) 3274-9434. Seg a sab, 7h/18; dom, 7h/13h. O mercado ocupa um prédio de 1929. Tem galinha, aquário, papagaio, cestaria, artesanato, flores, queijos, cachaças, carnes, legumes, plantas medicinais e etc. O ambiente é animado e perfumado. Aproveite para almoçar por lá.

PRAÇA DA LIBERDADE. Com seus belos jardins e fontes, a praça constitui o centro administrativo da cidade. Ao redor, fica o Palácio da Liberdade, sede do governo do estado. Sua decoração lembra algumas edificações francesas. A praça abriga também o Edifício Niemeyer (1954), com seu famoso desenho que parece uma ameba e é conhecido como o Copan de BH. Aos domingos, a praça fica bastante animada quando tem shows de música.

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E JARDIM BOTÂNICO. Rua Gustavo da Silveira 1035, Santa Inês. Tel.: (31) 3482-9723. R$ 3. Ter a sex, 8h/11h30 e 13h/16h; sáb e dom, 10h/16h. O museu tem um acervo formado por coleções de mineralogia, arqueologia, botânica e paleontologia. Visite também o Jardim Botânico, suas estufas, sementeiras e horto.

MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO. Av. Prudente de Morais 202, Cidade Jardim. Tel.: (31) 3277 -8573. Ter a dom, 10h/17h; qui, 10h/20h. Possui um pequeno acervo com coleções de pinturas, esculturas, artes decorativas, fotos e objetos do séc. XIX. O anexo acolhe exposições temporárias e uma interessante apresentação, com fotos e mapas, da história da cidade. O coração do museu, a Fazenda do Leitão (1883), de arquitetura típica das fazendas coloniais das Minas Gerais, abriga diversos objetos de época (arte sacra, uniformes, armas). No jardim estão expostos um antigo bonde e uma locomotiva à vapor, utilizada na época da fundação de Belo Horizonte.
PAMPULHA
Fica a 12 km ao norte do centro de Belo Horizonte. É melhor ir de carro ou de táxi para visitar os diferentes locais. A lagoa artificial de Pampulha foi criada entre 1940 e 1942, a pedido de Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, e encomendada aos melhores profissionais da época, no Brasil: o arquiteto Oscar Niemeyer, o paisagista Burle Marx, o pintor Cândido Portinari, os escultores Ceschiatti, Zamoiski e Pedrosa. A lagoa não se presta a atividades náuticas e o passeio é feito em torno dela, pela Av. Octacílio Lima. O conjunto compreende um jardim botânico e um parque ecológico.

MUSEU DE ARTE DE PAMPULHA. Av. Otacílio Negrão de Lima 16.585, Pampulha. Tel.: (31) 3277 -7946. Ter a dom, 9h/19h. Elegante, o prédio mistura linhas horizontais e verticais, curvas e ângulos retos. A grande janela envidraçada distribui generosamente a luz natural. Construído inicialmente para ser um cassino, foi convertido em museu depois da proibição oficial do jogo (1946). O museu apresenta coleções de arte contemporânea e acolhe regularmente, exposições temporárias.

IGREJA SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Av. Otacílio Negrão de Lima s/n°, Pampulha. Tel.: (31) 3427 -1644. R$ 2. Para maiores de 65 anos: R$ 1. Esta jóia, assinada por Niemeyer, é um dos símbolos do modernismo brasileiro. Pousada na margem direita da lagoa de Pampulha, a igreja, com sua delicada e curvilínea silhueta, coberta de cerâmica azul, surpreende por sua pequena estatura. No interior, 14 painéis representam a via sacra e a vida de São Francisco de Assis, pintados por Cândido Portinari. A área em torno da capela tem jardins projetados por Burle Marx.

CASA DO BAILE. Av. Otacílio Negrão de Lima 751, Pampulha. Tel.: (31) 3277-7443. Ter a dom, 9h/19h. Inaugurada em 1943, a casa sediou, durante muitos anos, as festas da elite de BH. Sua fachada é interessante, pois sugere a continuidade da lagoa. Atualmente, é um anexo do Museu de Arte de Pampulha.

IATE TÊNIS CLUBE. Av. Otacílio Negão de Lima 1350, Pampulha. Tel.: (31) 3490-8400. Ter a sex, 8h/18h. A estrutura original é tombada pelo patrimônio estadual e nacional. O paisagismo é de Burle Marx e tem um painel produzido pelo artista Cândido Portinari.
PASSEIO A SABARÁ
A 20 km da capital mineira. Esta grande vila adormecida à sombra de Belo Horizonte esconde suntuosas igrejas barrocas, que vale a pena conhecer, entre outros monumentos igualmente interessantes.

IGREJA Nª Sª DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SÉC XVIII). Olhando as ruínas da igreja, não dá para imaginar o que há por trás das paredes de pedra sem reboco, a céu aberto. A obra foi abandonada no meio da construção, quando foi declarada a abolição da escravatura, em 1888. A muralha protege antiga capela de taipa, de 1713. Na sacristia está o Museu de Arte Sacra, com peças dos séculos XVIII e XIX.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NªSª DO CARMO (1763 – 1818). Ter a sáb, 9h/11h30, 13h/17h30. Dom, 13h/17h. Trata-se da única igreja de Sabará onde Aleijadinho contribuiu, com a execução do frontispício.
MUSEU DO OURO. Ter a dom, 12h/17h. Antiga Casa de Intendência e Fundição, o Museu do Ouro é um belo e autêntico exemplar da arquitetura colonial do século XVIII. O museu expõe incrível coleção de móveis, peças religiosas e utensílios ligados ao trabalho de mineração (ferramentas, cofres, balanças…).

IGREJA MATRIZ DE NªSª DA CONCEIÇÃO (1710). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A fachada construída em pedra e cal guarda um interior suntuoso, com talhas douradas nos altares, nas colunas e nos arcos. Belíssimos, também, os detalhes orientais no retábulo dourado e vermelho da Capela do Santíssimo. A pia batismal, em pedra sabão, é obra de Aleijadinho.

IGREJA DE NªSª DO Ó (1720). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A igreja de Nossa Senhora do Ó em Sabará é pequena e tem uma aparência singela, com a sua fachada simples. No interior, é esplendorosa, com uma decoração riquíssima. Suas talhas douradas são uma das obras primas da arte barroca das Minas Gerais. As pinturas, com temas chineses em ouro, sobre vermelho e azul, lembram as lacas do oriente.
COMPRAS
FEIRA DE ARTE E ARTESANATO. Av. Afonso Pena. Dom, 8h/14h. Com 3 mil expositores e 80 mil visitantes, é o mais importante mercado de rua da América Latina. Lá se vende de tudo: bijuterias, enxoval para bebê, objetos de decoração, sapatos, roupas, entre tantas outras coisas.
FEIRA DE TOM JOBIM. Avenida Bernardo Monteiro, Centro. A feira acontece aos sábados, com 85 expositores que vendem antiguidades e vários outros objetos, além das comidas e bebidas típicas.
NOITE
A vida noturna em Belo Horizonte é bastante animada. As opções vão desde shows e boates até a mais tradicional música ao vivo. Há uma infinidade de bares por lá. O centro é zona boêmia, enquanto a Savassi é tradicional ponto de encontro. Cafés, restaurantes, choperias e pubs movimentam também os bairros de São Pedro, Santo Antonio e Lourdes.

Aventuras para praticantes de trekking

Rio – Adeptos de trekking — caminhada em circuito pré-estabelecido através de trilhas naturais — estão sempre em busca de roteiros radicais. Para ajudar os amantes do esporte, o site ‘Trekker’ dá dicas de passeios ecoturísticos, ajuda a montar a viagem em equipe e tem informações úteis para quem deseja se aventurar na modalidade.

Para quem planeja uma viagem e está à procura de imóveis para venda, aluguel ou temporada, a dica é acessar o ‘Imóveis Já’. É só digitar o destino desejado e pesquisar os anúncios divulgados.

Já o ‘E-Coasters’ é para quem quer fortes emoções nos parque de diversões da Europa. O site permite ao usuário conhecer e experimentar as numerosas atrações presentes nos diversos centros de lazer europeus, através de vídeos interativos. Superbacana!

http://odia.terra.com.br/portal/viagens/html/2009/10/aventuras_para_praticantes_de_trekking_41568.html

Fóssil de pliossauro encontrado na costa britânica
2009-10-27

Pelas dimensões do crânio do pliossauro,
supõe-se que conseguiria engolir
um homem de uma só vez
Foi descoberto o crânio fossilizado de uma criatura marinha gigante na costa jurássica da Grã-Bretanha. Trata-se de um predador da família dos pliossauros, que viveu nos oceanos há 150 milhões de anos. O fóssil encontrado tem 2,4 metros de comprimento e, segundo os especialistas, poderá pertencer a um dos maiores pliossauros já encontrados, com 12 toneladas e 16 metros de comprimento.

O paleontólogo David Martill, da universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, explicou que esta espécie é um tipo de plesiossauro, um grupo de répteis aquáticos com pescoços curtos e cabeças de dimensões gigantes, semelhantes às dos crocodilos, com mandíbulas fortes e dentes grandes e afiados.

O crânio do pliossauro encontrado está em bom estado de conservação, ao contrário do que é habitual neste tipo de fósseis, que normalmente são achatados. “Fantástico neste novo crânio, além do tamanho, é o fato de estar em três dimensões e sem distorções”, explicou Richard Forrest, especialista em plesiossauros.

Os investigadores acreditam que o resto do corpo do animal ainda se encontra na mesma região, soterrado nas rochas. Contudo, segundo os mesmos, seriam necessárias décadas para encontrá-lo.

Os investigadores preferiram não divulgar com precisão o local onde o fóssil foi descoberto, de forma a que a zona, que é instável e propicia a desmoronamentos, não seja explorada por outras pessoas. Contudo, foi revelado que o artefacto foi encontrado ao longo da Costa britânica, uma faixa de 150 quilómetros entre Dorset e East Devon, onde já foram descobertos outros fósseis com até 185 milhões de anos.

O fóssil foi comprado pelo governo de Dorset e será analisado cientificamente, para depois ser exposto ao público no museu do condado.

Mil novas espécies de insetos detectadas na fauna brasileira

Cientistas brasileiros detectaram a existência de pelo menos mil novas espécies de insetos da fauna brasileira nas florestas tropicais do Brasil, que nunca antes tinham sido identificados. Contudo, estes animais ainda desconhecidos podem ter a sua sobrevivência em risco devido ao avanço da monocultura.

A investigação decorreu ao longo de cinco anos, período de tempo em que investigadores da Universidade de São Paulo (USP) recolheram em florestas tropicais do interior e do litoral do Brasil um volume de 300 mil exemplares de insetos, entre moscas, mosquitos e besouros, tendo sido surpreendidos pelo fato de uma em cada duas espécies de mosquitos e moscas da floresta Atlântica ser nova.

De acordo com o coordenador da investigação financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) através do Programa Biota – que investe em projetos sobre a biodiversidade da fauna brasileira -, estima-se que existam duas mil espécies diferentes e que pelo menos metade delas ainda não tenham sido descritas por cientistas.

“Os números da biodiversidade da América do Sul e Central são muito grandes, comparáveis aos dos países do Sudeste Asiático que são áreas hiperdiversas”, afirmou o biólogo Dalton de Souza Amorim, especialista em diversidade de insetos pouco conhecidos que vivem em ambientes naturais longe dos centros urbanos.

Na opinião deste investigador, há ainda uma grande quantidade de espécies que não foram identificadas. “As que já foram descritas representam apenas uma parte do todo. Há uma grande parte que nem foi coletada ainda”, explicou.

A investigação científica que reuniu especialistas brasileiros e contou com parcerias de institutos internacionais norte-americanos, europeus e de países asiáticos, fez a recolha de insetos no bioma da floresta tropical do sul do Brasil até ao nordeste do país.

“O material foi coletado de Santa Catarina até a Paraíba, abordando uma ampla cobertura geográfica. O mais importante que descobrimos foi a existência de espécies muito diferentes no interior do Brasil em relação às do litoral”, assegurou o biólogo.

Áreas de reservas biológicas

Neste sentido, Amorim defende a necessidade de se criar áreas de reservas biológicas de florestas do interior do Brasil que, segundo diz, são “muito escassas”.

Atualmente, o avanço da monocultura que dizimou grande parte dessas florestas é motivo de preocupação dos biólogos, que se afligem pela sobrevivência dessas espécies, principalmente as que habitam florestas do interior do país. Esta diversidade da fauna, destaca, está “extremamente ameaçada”, pois são poucas as áreas protegidas.

O alerta feito pelo investigador, que admite ainda não saber a importância ecológica desses insetos, critica o cultivo da cana-de-açúcar, da laranja e da soja sobre as florestas nativas do interior do país que põe em risco as milhares de espécies ainda desconhecidas.

A genialidade do Padre Antonio Vieira
03/01/2010

Antonio Vieira defendeu a fé, a verdade e a justiça. Chegou a aprender a língua dos índios e traduziu as palavras sagradas para poder evangelizá-los. Foi um ser iluminado. Sua obra e sua vida comprovam esta minha asserção. -
Um – ou melhor, o mais inteligente e preparado homem de seu tempo, foi, sem dúvida alguma, o padre Antonio Vieira. Posto uma abreviada, mas importante biografia do homem cujo preparo, coragem e palavras que, se à sua época, inflamavam quem teve a alegria de poder ouvi-lo, hoje inflamam a alma de todos quantos podem ler suas palavras: sábios ensinamentos que perdurarão por toda a eternidade nas almas dos que puderam aurir tudo o que ele transmitiu.

Óbvio que incomodou muitos de seus superiores, pois “a inteligência incomoda os medíocres, que não lhe consegue atingir o alcance”.

Padre Antonio Vieira
Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, e faleceu na Bahia, em 1697. Aos seis anos, vai para o Brasil com os pais e fixa-se na Baía. Em 1623 inicia o noviciado na Companhia de Jesus. Ordena-se sacerdote em 1635, exerce as funções de pregador nas aldeias baianas e começa a granjear notoriedade como pregador.

Os primeiros sermões já reflectem as preocupações sócio-políticas de Vieira porquanto a colónia da Baía lutava contra as invasões dos holandeses. Em 1641, restaurada a independência, regressa a Portugal e cativa o favor de D. João IV. Por isso, inicia em 1646 missões diplomáticas na Europa. Volta ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão, depois de se envolver em questões relacionadas com a Companhia de Jesus.

Aí toma um papel muito activo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte prega o ” Sermão de Santo António aos Peixes “. É expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressa a Lisboa. Em 1665 é preso em Coimbra pelo Tribunal do Santo Ofício sob a acusação de acreditar nas profecias do poeta Bandarra. Três anos depois é amnistiado e retoma as pregações em Lisboa.

Em 1669 parte para Roma e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Regressa a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retira-se de vez para a Baía em 1681 onde se entrega ao trabalho de compor e editar os seus Sermões.

A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável.

As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte.

Fonte

http://www.webboom.pt/ficha.asp?ID=66986

Porto Editora, Lda.

http://www.edusurfa.pt/area.asp?seccao=4&area=2&artigoid=2938&tipo=1

1899: O fim do século 19 == A guerra dos bôeres na África do Sul foi destaque dos jornais alemães em dezembro de 1899A 30 de dezembro de 1899, aproximava-se o fim do século 19. O que aconteceu naquele dia?

O clima de fim século em 1899 deve ter sido semelhante ao de 1999. Naquela época, as pessoas estavam refletindo sobre as realizações dos cem anos precedentes. No campo da ciência, por exemplo, um êxito incontestável foi a comprovação, por John Dalton, em 1808, de que a matéria é constituída de átomos. Outro foi a demonstração, por James Prescott Joule, em 1851, de que a energia realmente se conserva, e a suposição anterior do físico francês Sadi Carnot de que a eficiência com que uma forma de energia pode ser convertida em outra é intrinsecamente limitada. Em conjunto, esses avanços resultaram na chamada termodinâmica e levaram à conclusão de que a maioria das leis fundamentais da natureza integram um “vetor tempo”.

Manchetes alemãs

Os jornais alemães, porém, ocupavam-se prioritariamente com fatos da atualidade, em suas edições de 30 de dezembro de 1899. O Kölner Tageblatt, por exemplo, noticiava: “De Londres informa-se que o departamento de guerra recebeu notícias muito sérias da África do Sul. A revolta dos africanos (nativos negros) já estaria se estendendo até 50 milhas da Cidade do Cabo. Os ingleses teriam conseguido afugentar patrulhas dos bôeres (descendentes de holandeses) ao longo da cadeia de montanhas rumo ao oeste. Houve troca de tiros. Os bôeres receberam reforços. Os ingleses voltaram à sua base sem baixas”.

O jornal Kölner Tageblatt informava também que a família imperial alemã estaria em Berlim, de 30 de dezembro de 1899 até 3 de janeiro de 1900, para preparar sua mudança definitiva para a capital. Além disso, destacava um discurso do imperador austríaco Francisco José, gravado por meio de fonógrafo, durante um jantar oferecido à família real da Sérvia em Viena. “É uma satisfação acompanhar os progressos feitos pela integração entre ciência e técnica, nas últimas décadas. Assim, as mensagens telegráficas impressas foram complementadas pelos sinais audíveis do telefone e, agora, com o fonógrafo, as palavras faladas podem ser gravadas e ouvidas, muitos anos mais tarde, por gerações posteriores”, disse Francisco José.

Em seu noticiário econômico, o Kölnische Zeitung informava que “os pesos de Buenos Aires aumentaram sua cotação no mercado financeiro, por serem bastante procurados”. Uma notícia que, diante das crises mais recentes na Argentina, torna-se ainda mais incrível.

E, por falar em Argentina, a 24 de agosto de 1899 nasceu em Buenos Aires o escritor Jorge Luis Borges, que conquistou fama internacional abordando os mistérios da existência humana a partir das religiões, mitologias e filosofias mundiais. No mesmo ano, no Brasil, foi publicado Dom Casmurro, em que Machado de Assis passou a desenvolver a sua prosa realista e a compor complexos retratos psicológicos.

Manchetes brasileiras

Uma visita aos arquivos de jornais brasileiros revela outras curiosidades da virada do século 19 para o século 20, inclusive algumas mudanças que o português escrito sofreu desde aquele tempo: “Agora então, mais do que nunca, que o Brasil, paiz immenso e cheio de recursos naturaes, offerece a anomalia de uma crise economica profunda, devida exclusivamente aos desvarios da política, devemos todos nos acercar da Patria, num grande esforço collectivo, amparando-a contra os ataques do partidarismo desenfreado que a exhaure nas fontes mais preciosas”, reproduziu o Estado de S. Paulo do vespertino O Jornal.

Em 1899, uma crise cambial assaltou o Brasil. O governo foi obrigado a incinerar pilhas de dinheiro o ano todo. Reclamava-se da interferência dos banqueiros estrangeiros, naquele tempo londrinos. Era um tempo em que se vendiam “fotografias da voz”. O Viagra da época era o famoso Vinho Caramuru. O Acre ainda era disputado por brasileiros e bolivianos. O Pará entusiasmava-se com as comemorações dos 400 anos de descobrimento do Brasil, que há dez anos era uma república sem escravos. Já se falava da transferência da capital do país para o Planalto Central, “para promover o desenvolvimento do vasto território brasileiro”. E os inevitáveis artigos prevendo o fim do mundo ocupavam páginas e páginas dos jornais.

Na realidade, porém, “a conclusão numérica do século em nada parecia um fim de mundo. Muito pelo contrário, levava a marca característica de um acontecimento passageiro”, como escreveu o Stadtanzeiger der Kölnischen Zeitung, diário alemão da cidade de Colônia, em 30 de dezembro de 1899.

Geraldo Hoffmann

Os santos do catolicismo

Como entender a prática do culto aos santos da Igreja Católica e o que são esses cultos?

Primeiramente temos que analisar os cultos dos deuses greco-romanos. A religião antiga, como muito bem definida pelo historiador do século XIX Fustel de Coulanges, era vista como parte da vida social, econômica e política das cidades antigas. Cada cidade-estado tinha sua religião, seu fogo sagrado, seus cultos, seus deuses; não havia uma concepção de pátria ou nação, mas sim a terra dos pais (terra pátria). As urbes seguiam seu deus como: Apollo, Atlas, Netuno, Hércules, dentro outros. Cada família tinha seu fogo sagrado que carregavam através da família paterna desde gerações. Cultos tratados seriamente durante gerações e que ditavam as regras e leis da família paterna (sempre representado pelo pai). As cidades quando em guerra, levavam seus deuses com os soldados como se fossem uma coisa única para combater outros inimigos e o deus inimigo.

Como retirar esta prática de muitos anos já enraizada nos povos antigos? De que forma a Igreja Cristã, aceita pelo imperador de Roma Constantino no século IV, fosse bem vista aos novos e futuros cristãos? Naturalmente não foi tarefa fácil e tão pouco rápida para os moldes da época. Mudar conceitos e tradições de povos seculares para uma doutrina nova e progressista, precisou de argumentos fortes e dissimilados, assim como todas as religiões usam para busca de novos adeptos.

O culto aos santos da Igreja Católica com o culto aos deuses antigos não é mera semelhança, mas prática milenar enraizada que perduram desde os povos antigos. A adoração de imagens, deuses ou a um único deus, remonta desde dos antigos Sumérios e Babilônios, na meso-américa (Incas, Astecas e Maias), África e na Ásia. A prática da adoração de deuses ou deus-único foi evoluindo conforme a mudança na formação política e alianças entre poder e igreja. No caso da Igreja Cristã, a união do rei franco Pepino, o Breve, ungido pelo Papa e posteriormente a mesma prática feita por Carlos Magno, filho de Pepino, tornando-se imperador de Roma e representante maior da Igreja Cristã do Ocidente, foi à maior prova dessas alianças superiores.

Santos e divindades que adoramos ou odiamos, são produtos naturais que o homem busca para praticar seus preceitos com o novo mundo. Aceitar novas doutrinas não requer necessariamente afundar toda a tradição que antes praticava no abismo, mas sim conciliar o antigo com o novo, maior prova disso foi a união de orixás africanos dos escravos no Brasil com os santos da Igreja Católica.

Há algo de pagão em todas as religiões!
Imagem: Visão da cruz por Constantino diante de seus soldados para conquista de uma batalha.

25/12/2009 12:21
Exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia conta 50 anos da Arte Moderna Nacional
SALVADOR – A exposição “Coleção MAM-BA – 50 anos da arte brasileira”, à mostra no Museu de Arte Moderna da Bahia até o dia 28 de março de 2010, reconta a história do museu e da arte brasileira a partir de 80 peças adquiridas e conservadas por 50 décadas. As obras modernistas e que ilustram momentos chave da história do Brasil nos últimos 60 anos estão distribuídas em quatro núcleos por todo o museu: pinturas e fotografias; obras de Ruben Valentin, entre esculturas, pinturas e serigrafias; produção contemporânea; e uma linha do tempo com referências da história do MAM.

A diretora do museu, Solange Farkas, ressalta a possibilidade de diversas leituras da história da arte brasileira e do modernismo nacional na Bahia, inclusive a passagem de Lina Bo Bardi na diretoria do museu. “Foi uma felicidade, um prazer muito grande poder abrir para o público, para a cidade de Salvador, para turistas que vêem a Salvador a história da arte brasileira contida nessa exposição”, disse Farkas.

As visitas à exposição são acompanhadas e há também diversas atividades para que crianças e adultos possam conhecer a história do museu. “Coleção MAM-BA – 50 anos da arte brasileira” traz obras de artistas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral (pintores modernistas); Christian Cravo, Daniel Katz, Mario Cravo Neto, Milena Travassos e Pierre Verger (fotógrafos); Almandrade, Efraim Almeida, Eneida Sanches, Tonico Portela, Zau Pimentel, Leonel Mattos e Rubem Valentin (contemporâneos).

Serviço:

Exposição “Coleção MAM-BA – 50 anos da arte brasileira”
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA
Endereço: Avenida Contorno, s/n, Solar do Unhão, Comércio
Tel.: (71) 3117-6139 – e-mail: mam@mam.ba.gov.br
Visitação: Terça a Domingo, das 13h às 19h – Sábados, das 13h às 21h

“Mãe de todas as Constituições” promulgada em 287 a.C. em Roma

Arco de Sétimo Severo no Fórum Romano
Quando os plebeus se retiraram de Roma, em 287 a.C., escreveu-se um capítulo da história constitucional europeia: a introdução do “plebis scitum” deu origem ao atual referendo popular. Nº 2 da série “Os Europeus”.

Em Roma, a polêmica em torno da igualdade de direitos entre patrícios nobres e plebeus não pertencentes à nobreza durou mais de dois séculos. Por volta de 450 a.C. todas as leis romanas foram expostas ao público no Fórum Romano, gravadas em 12 tábuas de bronze, de modo a proteger os cidadãos da arbitrariedade dos funcionários.
A partir de 421 a.C. os plebeus ganharam o direito de exercer a menor magistratura – a questura. Seguiram-se então carreiras militares de menor escalão. Em 366 a.C. eles nomearam pela primeira vez um cônsul e enviaram representantes ao Senado romano.
Dez anos mais tarde, um plebeu chegou a ser nomeado ditador – o principal cargo público romano da época, embora temporário. A impressão era, então, de que se alcançara uma equiparação dos interesses entre as classes.
Luta centenária pela igualdade de direitos
Fórum Romano
Mas a aparência era enganosa, como ficou claro em meados de 287 a.C., quando os patrícios tentaram reverter a situação através da promulgação de uma nova legislação de defesa. A razão não ficou muito clara. Talvez a intenção fosse cancelar os direitos dos plebeus e consolidar os dos patrícios, ainda sob a impressão da difícil vitória sobre os samnitas, povo que vivia ao sul da cordilheira dos Apeninos. De qualquer forma, ao ser apresentada, a nova legislação de defesa fez irromper intensos protestos entre os plebeus.
Plebeus entram em greve e elaboram nova lei
Após a apresentação do projeto de lei dos patrícios, os plebeus decidiram abandonar Roma, paralisando assim a vida econômica da cidade. Esse protesto – que ficou conhecido nos anais da história romana como a “secessão da plebe” (secessio plebis) – é comparável a uma greve geral. A cidade ficou esvaziada e ninguém se responsabilizava pelas tarefas que se acumulavam dia após dia em Roma.
Os plebeus indignados reuniram-se no Janículo, colina que se estende da margem direita do rio Tibre até o Vaticano, no atual bairro de Trastevere. Ali, eles investiram Quinto Hortênsio como ditador e decidiram elaborar um projeto alternativo à legislação de defesa dos patrícios, que deveria levar o nome do líder plebeu.
Bairro de Trastevere, hoje
A Lei Hortênsia (lex hortensia) estabelecia que as decisões dos plebeus eram válidas não somente para eles, mas também para todo o povo de Roma, sem obrigatoriedade do sufrágio dos senadores. Quando os enviados da classe plebeia apresentaram o projeto de lei aos patrícios, com a observação de que os plebeus só voltariam à cidade depois que a lei entrasse em vigor, a decisão já estava praticamente tomada. Para evitar danos econômicos a Roma, os patrícios aprovaram a nova lei.
Ainda hoje principal instrumento de participação popular
Plebis scitum era como se chamava o novo princípio legal que os plebeus acrescentaram ao Direito Romano. Essa “lei imposta pelo povo” é o modelo de todos os “plebiscitos”, ou seja, dos referendos populares, principal instrumento de participação do cidadão nas decisões políticas da moderna democracia europeia. Com a imposição do plebis scitum em 287 a.C., terminaram as assim chamadas “lutas de classes” em Roma, e iniciou-se uma época áurea para a cidade.

800: Coroação de Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno (pintura de Friedrich Kaulbach, em 1861)
A 25 de dezembro de 800, o rei franco Carlos Magno foi coroado imperador romano pelo papa Leão 3º.

No Natal do ano 800, Roma viveu uma invasão pacífica de nobres e guerreiros francos. Na antiga Basílica de São Pedro, onde o papa Leão 3º celebrou a missa de Natal, se reuniram autoridades eclesiásticas e líderes políticos, entre eles, Carlos – rei dos francos e lombardos.
Antes do início da missa, Carlos Magno dirigiu-se à tumba de São Pedro para venerar o príncipe dos apóstolos. Ajoelhou-se e começou a rezar. O Sumo Pontífice aproximou-se dele, trazendo nas mãos um diadema de ouro. E então, para surpresa de muitos, Leão 3º coroou o rei franco como imperador do Sacro Império Romano, investindo-o da suprema autoridade temporal sobre os povos cristãos do Ocidente.
Em clima de festa, tanto romanos quanto francos aclamaram o “grande Carlos, augusto e sereníssimo, pacífico imperador dos romanos, pela misericórdia de Deus rei dos francos e dos lombardos”.
Coroa formalizou o status quo
Carlos Magno, rei dos francos e imperador do Sacro Império Romano
A coroa selou formalmente o que Carlos já incorporava na prática, há muito tempo: ele imperava sobre grande parte da Europa. Era o único líder com poder suficiente para derrubar o papado. A partir da coroação de Carlos, o papado e o império tornaram-se os principais centros de poder espiritual e temporal da Idade Média.
Segundo o historiador Matthias Becher, no Natal de 800 começou a história do Império Romano do Ocidente. O reinado de Carlos Magno deu origem ao Sacro Império Romano de Nação Germânica, que durou mil anos até declinar em 1806.
Carlos era grande não apenas em sentido figurado: sua estatura de 1,82m nada tinha de normal naquela época. Seu biógrafo Einhard o descreveu da seguinte forma: “Sua cabeça era redonda, seus olhos grandes e vivazes, o nariz um tanto comprido. Tinha belos cabelos grisalhos e uma fisionomia alegre e prazenteira.
Seu porte era sempre imponente e digno, estivesse ele sentado ou de pé. Seu andar era decidido, seus gestos varonis e sua voz clara, embora não fosse tão forte quanto era de se esperar por sua estatura. Sua saúde foi sempre excelente; apenas nos últimos quatro anos de vida sofria frequentes ataques de febre”.
Até hoje não se sabe se ele sabia ler e escrever. Embora desnecessário, ele pelo menos tentou aprendê-lo aos 32 anos de idade. Apesar de ser um admirador e mecenas das ciências modernas, Carlos era antes de mais nada um imperador brutal, capaz de pisar no pescoço até de parentes, caso isso lhe trouxesse vantagens.
Ampliação do império
Uma vez coroado, não se satisfez com o domínio sobre seu povo, incluindo aí os povos conquistados, como os bávaros e saxões. Queria dominar toda a Terra, desafiando assim o Império Bizantino, que se considerava legítimo sucessor do Império Romano, dividido em 394. Foi por isso que Bizâncio só o reconheceu como imperador 12 anos após a coroação.
Quando morreu, em 814, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do Mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até o Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até a Bretanha. Tão importante quanto a unidade territorial lhe era a união política interna.
Após a queda do Império Romano, as cidades ocidentais estavam em ruínas. Na época de Carlos Magno, Roma contava apenas 20 mil habitantes, enquanto Constantinopla tinha centenas de milhares. As metrópoles ocidentais tinham no máximo dez mil habitantes, enquanto em Bagdá viviam um milhão de pessoas.
Carlos Magno reinava, portanto, sobre as regiões destruídas do continente europeu. Para restaurar o império, precisava do apoio da Igreja, com sua unidade doutrinária e litúrgica. A consequência cultural e civilizatória da união entre a Igreja e o Estado foi o renascimento carolíngio.
Reino de fé e língua únicas
Catedral de Aachen guarda os restos mortais de Carlos Magno
A meta de Carlos Magno era criar um reino de fé e língua únicas. Para tanto, ele tentou simplificar o idioma latino, eliminando dialetos que haviam se tornado autônomos no princípio da Idade Média. Também a escrita latina tinha mudado, a ponto de os lombardos da Itália terem grandes dificuldades de ler um livro anglo-saxão.
A renascença carolíngia estabeleceu a base cultural para o continente europeu. No Leste Europeu, o nome “Carlos” tornou-se designação comum aos monarcas. Mistificado como nenhum outro, ele marcou o início da história ocidental cristã. Alguns políticos modernos chegam a considerá-lo fundador da Europa.
Carlos Magno tornou-se rei dos francos aos 26 anos de idade. Reinou durante 46 anos e morreu de pleurite aguda com 72 anos, no dia 28 de janeiro de 814. Seus restos mortais encontram-se na catedral da cidade alemã Aachen, que fora a capital do seu império.

Cada etnia paranaense tem o seu Natal
Arquivo

Árvore de Natal em igreja ucraniana: celebrações dessa etnia mesclam elementos cristãos e pagãos, além de pratos tradicionais e ritos de culto aos mortos.
Papai Noel, troca de presentes, presépio, árvore enfeitada, ceia, missas, cantos, cultos. Na época de Natal, uma infinidade de celebrações e costumes toma conta das residências e das igrejas, especialmente nas dos cristãos.
Mas, mesmo dentro do cristianismo, existem várias diferenças nas celebrações, com muitos detalhes e particularidades que caracterizam este feriado santo em cada etnia que colonizou o Paraná.

As principais etnias que povoam o Estado são a alemã, polonesa, italiana, japonesa e ucraniana. Cada uma comemora o Natal do seu jeito, mas sempre com fé e simbologia.

Os ucranianos têm duas igrejas: a Ortodoxa e a Greco-Católica. Desta forma, há também duas datas em que eles celebram o Natal: 6 e 7 de janeiro, para os ortodoxos, e 25 de dezembro, para os greco-católicos.
Os ritos são semelhantes aos que a maioria das pessoas conhece, com presentes e árvore de Natal. Mas o Papai Noel só aparece na festa de Ano Novo, que é celebrada nos dias 13 e 14 de janeiro.

Como explica a cônsul da Ucrânia no Paraná, Larysa Myronenko, na mesa do jantar geralmente há o costume de se colocar 12 variedades de comida diferentes (talvez uma referência aos 12 apóstolos).
“O Natal dos ucranianos guarda elementos do paganismo e do cristianismo”, comenta. Entre os pratos típicos dos ucranianos no dia da ceia natalina estão os peixes, as frutas secas e a famosa sopa de beterraba.
O tradicional pierogi, claro, também está presente. Para este povo, o culto aos mortos deve ser feito no Natal. “Na mesa do jantar, inclusive, é costume colocar pratos e copos para os que já se foram”, conta Larysa.

O ciclo de festas de Natal para o povo polonês (assim como para a maioria dos católicos) dura um mês: de 6 de dezembro a 6 de janeiro e, claro, tem como ponto alto o dia 25 de dezembro.
Para os poloneses, a reconciliação (inclusive com os mortos) é importante nesta época. Eles vão à Missa do Galo (a Pasterka), à meia-noite, e fazem as tradicionais árvores e presépios de Natal. Antes da ceia, os poloneses têm a cerimônia do Oplatek, na qual os participantes repartem entre si a hóstia e desejam saúde, amor e prosperidade uns aos outros.

Católicos

O arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom Moacyr Vitti, afirma que o significado mais importante do Natal é a presença de Jesus Cristo. “O grande mistério é a encarnação, quando Deus se fez homem para salvar e libertar a humanidade de todos os males”, diz o arcebispo. Nos dias 25 de dezembro e 1.º de janeiro, haverá missas na Catedral Basílica às 8h30, 10h e 18h.
Alemães comemoram; italianos jogam cartas

Assim como para todos os cristãos, para os alemães o Natal também é uma data especial. Algumas particularidades ainda preservadas são interessantes e diferentes, como, por exemplo, o calendário com 24 portinhas que começam a ser abertas pelas crianças no começo de dezembro.
Aquela que tiver mais sorte tira um chocolate ou um pequeno presente da portinha. Segundo a alemã Juliane Müller, que mora em Curitiba há sete anos (e trabalha na biblioteca de uma escola de língua alemã), já no período do Advento (que precede o dia 25 de dezembro) os alemães realizam as celebrações.
“Fazemos cafés, nos reunimos e comemos juntos nos quatro domingos do Advento (que antecedem o Natal)”, comenta. A decoração na Alemanha também tem suas particularidades. Juliane descreve que dentro de casa há uma coroa de ramos (colocada geralmente na mesa da ceia) e quatro velas, que são acendidas a cada domingo do Advento.
No dia 24 é montada a árvore, que é natural, e homenzinhos com incensos também fazem parte da decoração. Neste dia, diferente da Missa do Galo, são comuns apresentações de peças de teatro na igreja (sobre Jesus Cristo), com a atuação das crianças. Os pratos da ceia também não incluem carne vermelha, somente peixe, além das tradicionais bolachinhas assadas alemãs.

Os italianos também têm particularidades na festa natalina. Fazem a ceia, vão à igreja, reúnem-se com a família e fazem uma grande festa. Mas há uma curiosidade: é costume esperar a chegada da meia-noite jogando cartas.
As festas acabam no dia 6 de janeiro. Como relata a coordenadora Cultural de Pesquisa e Memória do Centro de Cultura Italiana (CCI), Sandra de Fátima Santos, na távola (mesa) a comida é farta.
“Claro que, como em todos os países, os costumes variam de região para região, mas alguns elementos são típicos, como o panetone, por exemplo”, lembra. Originalmente milanês, o panetone é hoje o símbolo do Natal em toda a Itália, assim como o torrone e as frutas secas.
Superstições também aparecem. Por exemplo, os italianos não comem maçã na noite de Natal, pois acreditam que a fruta simboliza o pecado (fazendo uma alusão a Adão e Eva). E as crianças têm o costume de escrever cartinhas com desculpas do que fizeram de errado durante o ano.

Índios

Os índios só celebram o Natal por “força” das influências católicas. Não há celebrações com árvores enfeitadas ou com ceia farta nas aldeias (até porque são todas muito pobres). Mas muitos índios esperam receber presentes nesta época, período em que muitas pessoas visitam as aldeias para fazer caridade.

Fundos de pensões para animais 2009-12-17 Por António Lúcio Baptista * Um amigo meu foi recentemente encontrado inanimado em sua casa. Está internado num hospital central em coma por possível hemorragia cerebral, com prognóstico muito reservado. Para além desta notícia, que me entristece imenso, há outro aspecto que me causa alguma ansiedade. Vivia sozinho com o seu cão, o seu ente mais próximo, que não pode chamar o INEM (os cães não sabem – ainda – ligar o celular). Não sei qual foi a reação do cão enquanto o meu amigo jazia inconsciente – se o lambeu, se chorou, se ladrou! Nada fez efeito. Se ele falecer ou ficar em coma, o que irá acontecer ao cão? Vai para abate? Conseguirá que alguém o recolha e tome conta dele? * Presidente da ALTEC e colunista de «Ciência Hoje» Não sendo este exatamente o caso, sabemos contudo que são abandonados anualmente cerca de um milhão de animais, o que levanta inclusivamente questões relacionadas com a saúde pública. Por que não criar, como existe no Reino Unido e com o patrocínio da rainha (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), um fundo de pensões para animais de estimação? Em Portugal, esta sociedade poderia até ser patrocinada por uma ou várias entidades, sob o lema da responsabilidade social, neste caso sobre os animais. Porque os animais merecem toda a nossa estima e amizade. Certamente que este meu amigo não se teria importado de descontar uma pequena quantia por mês para ter a certeza que o seu amigo de quatro patas ficaria bem entregue e cuidado, em caso de acidente ou impossibilidade do próprio, como infelizmente sobreveio. E estaria melhor, sabendo que o seu fiel companheiro não ficaria entregue à bicharada. Como disse o naturalista alemão Alexander van Humboldt, “mede-se o grau de civilização de um povo pela forma como este trata os seus animais”. E nós?

1900: A tragédia do Gneisenau

O Gneisenau naufragou na costa espanholaEm 16 de dezembro de 1900, um forte temporal no porto de Málaga afundou o navio-escola imperial alemão Gneisenau. A tragédia causou a morte de 41 dos 460 tripulantes. A catástrofe é lembrada até hoje no porto espanhol.

Em 16 de dezembro de 1900 já fazia um mês que o navio-escola alemão Gneisenau estava ancorado no porto de Málaga. A cada dois dias, ele partia para o mar, para que a tripulação fizesse exercícios de tiro.

Desde 1890 que o Gneisenau, que já fora a primeira “fragata-cruzador” da Marinha imperial alemã (segundo a denominação oficial da época), era um navio-escola. A bordo desse veleiro complementado com propulsão a vapor (era equipado com uma máquina de 2.500 cavalos) e um deslocamento de 2.900 toneladas, estavam 460 marinheiros. A maioria jovens.

Segundo o historiador Reinhard Sommer, o clima daquele 16 de dezembro de 1900 na costa espanhola prometia um calmo dia de sol, sem vento. De repente, perto do meio-dia, a virada: um vento de força 8 (entre 55 e 65 km/h). Os marinheiros ainda tentaram desesperadamente remover a embarcação, que estava a meia milha da costa.

Abrir as velas seria muito perigoso, por isso tentaram ligar as máquinas, que precisavam de pelo menos meia hora para arrancar. Para piorar a situação, um mal-entendido fez o comandante acreditar que houvesse vapor suficiente para colocar o navio em movimento.

O mau tempo havia começado pouco depois das 10 horas. Uma hora depois, o Gneisenau era arremessado contra as rochas.

Grande catástrofe para a época

Alguns marinheiros conseguiram se segurar nas pontas dos três mastros, até serem salvos pelos espanhóis. Dos 460 homens a bordo, 41 morreram. Quase a metade da tripulação era formada por grumetes. “Para a época, foi uma catástrofe e tanto”, conta o pesquisador Sommer, que se dedica à história da Marinha.

A tragédia despertou a solidariedade dos malaguenhos. De imediato, ofereceram alojamentos aos sobreviventes, deram roupas e comida.

Os mortos foram sepultados no cemitério inglês de Málaga. Em homenagem, 18 dias depois do acidente, a rainha Cristina da Espanha concedeu à cidade na Costa do Sol o título de “extraordinariamente hospitaleira”.

No ano de 1919, em agradecimento, a Alemanha presenteou a ponte de ferro para pedestres sobre o Rio Guadalmedina. A Marinha alemã ainda teve outras embarcações denominadas Gneisenau, como o encouraçado usado na Segunda Guerra.

Apesar de poucos alemães lembrarem do que aconteceu há cem anos, em Málaga as 41 vítimas do Gneisenau são homenageadas com uma coroa de flores e um concerto da banda da Marinha alemã.

Jens Teschke (rw)

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