04/07/2009 03h32min
Pianista apresenta repertório de Chiquinha Gonzaga no Teatro da Caixa

Além de resgatar obra da compositora, Ana Fridman ministra workshop gratuito de música

BRASÍLIA [ABN NEWS] – A CAIXA Cultural traz para o público de Brasília, nos dias 11 e 12 de julho, show com canções de uma das mais reverenciadas personalidades da nossa música. Em “A Chiquinha que não tocou no rádio”, a pianista e compositora Ana Fridman resgata a obra menos conhecida da compositora e regente Chiquinha Gonzaga. Show no sábado às 20h e no domingo às 19h. Ana Fridman ministra ainda, no dia 12, o workshop gratuito “Música e Movimento”, aberto para todo tipo de público.

Para além de “Ó Abre Alas” e “Lua Branca”, o show “A Chiquinha que não tocou no rádio” apresenta para o público brasiliense composições menos difundidas, mas igualmente belas de Chiquinha Gonzaga. Fazem parte do repertório as canções “A Chinelinha do Meu Amor”, “Cananéia”, “Cubanita”, “Sultana”, “Passos no Choro”, “Falena”, “Suspiro”, “Itararé”, “A Sertaneja”, “Corta-Jaca”, ”Tava assim de português” e “Sou Morena”. Ana Fridman revisita a obra da compositora em novos arranjos, assinados ao lado do contrabaixista e compositor Gilberto Assis. O resultado é um diálogo entre passado e presente. “Buscamos em nossos arranjos uma conversa através do tempo: tomamos emprestados os temas e damos nossa contribuição musical sob um olhar contemporâneo, sem em nenhum momento perder de vista o fato de querer que o público conheça mais a autora, respeitando e revivendo sua grande obra”, explica a pianista.

Chiquinha Gonzaga é uma das compositoras mais relevantes e reverenciadas da história da música brasileira, tanto pelo valor musical e estético de sua obra, quanto pelo seu pioneirismo. Ela foi, por exemplo, a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Para Ana Fridman, as composições de Chiquinha são de uma riqueza indescritível: “Os temas são vivos, alegres e, por vezes, muito líricos, revelando a personalidade forte da compositora. Ao interpretar e rearranjar Chiquinha Gonzaga sinto-me mais viva, vibrante. É mesmo como se pudesse conversar com ela através de sua música!”.

Além de Ana Fridman e Gilberto Assis, músicos atuantes no cenário da música instrumental e orquestral paulistana, “A Chiquinha que não Tocou no Rádio” tem ainda as participações de Ronen Altman (bandolim), Vitor Lopes (gaita), Mário Checchetto (sax tenor e barítono) e Sérgio Reze (set de bateria e percussão).

Workshop

A pianista Ana Fridman realiza no dia 12 de julho, às 17h, o workshop “Música e Movimento”, aberto a participantes maiores de 14 anos. São 30 vagas e as inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 55 (61) 3206-9450 (de segunda à sexta, das 08h às 12h e das 13h às 18h).

Valendo-se de sua formação profissional tanto em música quanto em dança, Ana Fridman tem desenvolvido um trabalho de quase 20 anos na integração destas duas áreas. Ela já compôs trilhas sonoras para dança; já criou coreografias integradas à percussão corporal; já se utilizou do movimento na educação musical, entre outras atividades.

Neste workshop, aberto a qualquer tipo de público, Ana ensina conceitos básicos de música, como pulsação, ritmo, compasso, anacruzi e cânone, entre outros, de maneira simples e orgânica, sendo que os participantes aprendem e vivenciam estas noções por meio de exercícios que utilizam o corpo como mídia e ferramenta de aprendizado.

Os participantes não precisam ter conhecimento prévio em música, mas o workshop pode ser útil para professores de música e artistas em geral que queiram conhecer uma nova abordagem de integração entre movimento e música no ensino musical.

Ana Fridman

Ana Fridman possui reconhecida competência nas áreas de orquestração e arranjo em Música Popular e Jazzística, além de ser autora de trilhas sonoras para teatro e dança, incluindo trabalho de 10 anos com o coreógrafo Ivaldo Bertazzo. Em 2004, lançou o CD “O Tempo, a Distância e a Contradança” (Zabumba/Rob Digital) com composições e arranjos de sua autoria, e produção de Gilberto Assis. Em 2007 foi selecionada pelo projeto Rumos, do Itaú Cultural, na categoria de composição. Ana foi selecionada pelo PAC para gravar seu próximo trabalho de música instrumental. Em 2008, com o patrocínio CAIXA, foi selecionada para apresentar-se nas CAIXAS Culturais de Brasília, Curitiba e São Paulo.

Gilberto Assis

O baixista, compositor e produtor musical Gilberto Assis é autor de trilhas sonoras para dança (recentemente para o Ballet da Cidade de São Paulo e para o coreógrafo Maurício de Oliveira), ganhador do projeto Rumos 2007 na categoria “homenagem” e, entre outros trabalhos, diretor musical e parceiro do compositor Tom Zé por 12 anos. Em 2008, teve suas composições “Com o passar dos timbres” e “Uma vida em 60s”, selecionadas para o Projeto FRAMMENTAZIONI, com performances agendadas em Udine, Itália.

Chiquinha Gonzaga

Compositora, instrumentista, regente, Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 1847 no Rio de Janeiro, filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria de Lima. Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no País, Chiquinha foi promotora da nacionalização musical, primeira maestrina do Brasil, autora da primeira canção carnavalesca, primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes e fundadores da primeira sociedade protetora dos direitos autorais. Por desafiar os padrões familiares da época, sofreu preconceitos.

Estudou piano com professor particular e aos 11 anos compôs sua primeira música, a cantiga de Natal “Canção dos Pastores”. Casou-se aos 16 anos, com um oficial da Marinha Mercante escolhido por seus pais. Poucos anos depois abandonou o marido por um engenheiro de estradas de ferro, de quem também logo se separou. Passou a sobreviver como professora de piano. A convite do famoso flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), passou a integrar o Choro Carioca como pianista, tocar em festas e freqüentar o ambiente artístico da época.

A estréia como compositora se deu em 1877, com a polca “Atraente”, composta de improviso durante roda de choro em casa do compositor Henrique Alves de Mesquita e publicada pela Viúva Canongia, Grande Estabelecimento de Pianos e Músicas. Sua vontade de musicar para teatro levou-a a escrever partitura para um libreto de Artur Azevedo, “Viagem ao Parnaso”. A peça foi recusada pelos empresários. Outras tentativas fracassaram, até que conseguiu, em 1885, musicar a opereta de costumes “A Corte na Roça”, encenada no Teatro Príncipe Imperial. Em 1889, promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época.

Chiquinha foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. A compositora também participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era uma artista consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha-rancho, “Ó Abre Alas”, verdadeiro hino do carnaval brasileiro. Na primeira década do século XX, esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos. De volta ao Brasil deu uma contribuição decisiva ao teatro popular ao musicar, em 1912, a burleta de costumes cariocas “Forrobodó”, seu maior sucesso teatral. Dois anos depois, seu tango “Corta-Jaca” foi executado pela primeira-dama do país, Nair de Teffé, em recepção oficial no Palácio do Catete, causando escândalo político. Em setembro de 1917, após anos de campanha, liderou a fundação da SBAT, sociedade pioneira na arrecadação e proteção dos direitos autorais. Chiquinha escreveu sua última partitura aos 85 anos de idade.

Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca, modinha etc. Chiquinha Gonzaga faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. Dois dias depois foi realizado o primeiro concurso oficial das escolas de samba.

Serviço:

Show “A Chiquinha que não tocou no rádio”

Data: dias 11 e 12 de julho de 2009

Horário: sábado, às 20h e domingo, às 19h

Local: Teatro da CAIXA – SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA

Recepção:55 (61) 3206-9448

Administração: 55 (61) 3206-9450

Bilheteria:55 (61) 3206-6456 (aberta de terça-feira a domingo, das 12h às 21h)

Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada para estudantes, pessoas com 60 anos ou mais, professores e empregados da CAIXA)

Classificação Etária: Não recomendado para menores de 12 anos

Duração: 90 minutos

Workshop “Música e Movimento”, com a pianista e compositora Ana Fridman

Data: 12 de julho de 2009

Horário: 17h

Local: Teatro da CAIXA

Endereço: SBS Quadra 4 Lote 3/4, edifício anexo da Matriz da CAIXA

Vagas: 30 vagas para maiores de 14 anos

Inscrições gratuitas pelo telefone: 55 (61) 3206- 9450 (de segunda à sexta, das 08h às 12h e das 13h às 18h)

Documentário relembra cantoras da Rádio Nacional

Elas se lembram com saudade, não propriamente nostalgia, dos áureos tempos da Rádio Nacional. “Apesar do glamour, éramos funcionárias da rádio, que era uma autarquia. Tínhamos de bater ponto e seguíamos a escalação dos programas, como uma ordem do dia. Mas, na hora de cantar, íamos de gala, tínhamos roupas maravilhosas, não era como hoje, quando os artistas fazem show de roupa rasgada e vira moda.” Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e a caçula do grupo Ellen de Lima. Há mais de 20 anos Carmélia e Ellen voltaram à estrada, fazendo shows. A partir de 1988, As Eternas Cantoras do Rádio virou um hit no palco e em CD. Carminha integrou-se ao grupo a oito anos, substituindo Nora Ney. As três estão no documentário Cantoras do Rádio, de Gil Barone e Marcos Avellar, que estreou ontem. Há uma quarta cantora no filme, mas Violeta Cavalcanti, vítima de Alzheimer, já não canta mais. Cada uma representa um estilo. Carmélia, o baião; Carminha, com sua voz de contralto, a fossa; e Ellen, com sua habilidade de soprano, não se fixa em um estilo nem gênero, mas tem liberdade para cantar todos os clássicos. Violeta, ausente neste encontro que se realiza na quarta-feira, tinha – tem – o samba no corpo, e na voz.
Uma carioca (Carmélia), outra mineira (Carminha), a terceira, baiana (Ellen). São a própria brasilidade. Todas reinaram na Rádio Nacional. Havia o time das divinas; um intermediário, no qual estavam; e o terceiro time, de cantoras que iam para a Nacional. A rádio ficava na lendária Praça Mauá, no Centro do Rio.
O documentário é uma apaixonada declaração de amor às eternas cantoras do rádio. Aonde vão, há um numeroso público de terceira idade, mas existem também os jovens, que cantam com elas e as reverenciam. É por isso que, quando falam da Rádio Nacional, sentem saudade, mas não tristeza. Carminha ganhou o troféu de prata cantando Lupicínio Rodrigues. Havia um belo dueto sobre o compositor em Cantoras do Rádio com Carminha e Ellen cantando o rei da dor de cotovelo. Mas como os direitos são caros e o número, como muitos outros, foi cortado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Até a próxima
Walter

Vila confirma disputa de samba-enredo; leia a sinopse completa sobre Noel Rosa
10/06/2009 00h15min
Terminou o suspense sobre o concurso de samba-enredo da Unidos de Vila Isabel. A disputa foi confirmada, nesta terça-feira, pela direção da escola e deve começar no dia 8 de agosto. A Vila chegou a cogitar o cancelamento do concurso e levar à avenida um samba de autoria do compositor Martinho da Vila. No título do enredo, a escola deixou o sinal no nome de Noel Rosa (Noël), como o termo que equivale a Natal entre os franceses, como o pai do sambista queria.

Leia a sinopse completa:

“NOËL: A PRESENÇA DO “POETA DA VILA”

1910. Ano marcado por grandes transformações, prenunciadas com a passagem do Cometa de Halley. Entre outros fatos: a Revolta da Chibata, liderada pelo “Almirante Negro”, João Cândido, cujo motim ameaçou bombardear o Rio de Janeiro, e o nascimento de Noël de Medeiros Rosa, popularmente conhecido como Noël Rosa, em 11 de dezembro. A partir desse dia, a música popular brasileira nunca mais seria a mesma.

O pai era um amante da cultura francesa. Pela proximidade das festas natalinas deu ao filho o nome de Noël, termo que equivale a Natal entre os franceses. Também era tradição no bairro de Vila Isabel, no período natalino, passar o rancho, quando todos iam ouvir o canto das “Pastorinhas”.

Desde sua infância, Noël se revelava irreverente. Ele era da rua. Na escola, gostava das piadas proibidas e das brincadeiras obscenas. Começou estudando numa escola pública, e, depois se transferiu para o tradicional São Bento, onde imperava os rigores educacionais. A rua e os seus tipos eram a sua grande paixão. “Poeta-cronista” da cidade; cidade que cabia em Vila Isabel. Bairro síntese dos personagens cariocas: os pequenos burgueses, o bicheiro, os malandros, o seresteiro, o sinuqueiro, o cartiador, o mendigo, o vigarista, o proxeneta, o valentão, entre tantos outros.

Noël preferia a luz das estrelas à luz solar. Ele acompanhava os cantores da madrugada com o seu inseparável violão. Ficou conhecido pelo bairro. No ano de 1929, um grupo formado por jovens de classe média do conjunto musical Flor do Tempo o convidou para formar um novo grupo: o Bando dos Tangarás, grupo composto por Almirante, Braguinha, Henrique Brito e Alvinho. O conjunto se dedicou à moda da época: a música nordestina; emboladas; sambas com tempero do Nordeste; embora, seus trajes e seus sotaques mais pareciam de caipiras. A indústria e o comércio fonográfico cresciam bastante no Rio de Janeiro, quando foram convidados para gravar pela Parlophon, subsidiária da Odeon.

A inserção no Bando dos Tangarás abriu o caminho para Noël iniciar sua carreira como compositor popular. Ainda em 1929, ele escreveu a sua primeira composição, uma embolada, intitulada “Minha Viola”.

Noël Rosa tinha grande admiração por Sinhô, freqüentador assíduo da Casa da Tia Ciata, localizada na Praça Onze, onde os batuques do samba, influenciados pelo maxixe, ecoavam livremente. O “Poeta da Vila”, contudo, se integrou a outro tipo de samba, que veio do bairro do Estácio, onde vivia Ismael Silva, e se espalhou pelos morros da cidade como o Salgueiro, Mangueira, Favela, Saúde, Macacos. Noël subiu ao morro e se integrou aos sambistas que lá viviam. E compôs com algum deles, como Cartola, do Morro da Mangueira, e Canuto e Antenor Gargalhada, do Salgueiro. O “poeta” e Franscisco Alvez (que juntos fizeram parceria no grupo “Ases do Samba”) foram os maiores responsáveis pela consagração de diversos compositores negros de samba.

Este tipo de samba que veio do Estácio, mais marcheado e acompanhado por instrumentos de percussão, era aquele tocado nos blocos, como o “Deixa Falar”, que deu origem a primeira “Escola de Samba”. No carnaval de Vila Isabel havia dois blocos: o Cara de Vaca, organizado, com componentes selecionados e cercados por um cordão de isolamento, e o Faz Vergonha, composto por populares e com sambas improvisados, do qual fazia parte Noël Rosa. As batalhas de confete no Boulevard eram o ponto alto do desfile de blocos.

Desde a adolescência, Noël adorava a serenata e serestas. O local favorito das noitadas era o cruzamento do Ponto dos Cem Réis, em Vila Isabel, onde os bondes “mudavam de seção”. Ponto de botequins e esquinas. Era ali que se reunia com os amigos e tomava sua cerveja preferida, a Cascatinha. No Café Vila Isabel, ele compôs a maior parte das suas composições. De bar em bar, em “Conversa de Botequim”, e de amores em amores, como o que sentia por Fina, para quem fez os “Três Apitos”, teceu suas canções. Freqüentava também os prostíbulos do Mangue, e eram fascinados pelos malandros, homens que exploravam as mulheres, minas ou mariposas, e viviam da jogatina. Na Lapa chegou a conhecer o famoso Madame Satã, como também Ceci, a sua “Dama do Caberé”.

O ano de 1930 mudou a história do Brasil e a vida de Noël Rosa. Na política nacional, Getúlio Vargas assumiu a presidência do país por meio da chamada Revolução de 30. Nosso “Poeta” gravou o seu primeiro samba de história: “Com que Roupa?”, que fazia alusão de forma humorada a um Brasil de tanga, ilhado em pobreza, a fome e a miséria alastrando-se como praga, conseqüência imediata da crise da bolsa de Nova York que abalou o mundo inteiro. O samba conquistou a cidade. A composição de sucesso passou a integrar o programa de diversas peças do teatro de Revista, todas encenadas nos palcos da Praça Tiradentes, que vivia dias de fulgor e esplendor. No mesmo ano conseguiu ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina. Contudo, ficou insatisfeito com o curso e abandonou-o. Ainda assim, compôs “Coração”, conhecido como um “samba anatômico”. O “novo regime” de Vargas e suas medidas governamentais também não passariam desapercebidas pelo compositor, ganhando tons de críticas bem humoradas nas letras de alguns de seus sambas como “O Pulo da Hora” ou “Que Horas São?” sobre a criação do horário de verão; “Psilone” composto em função da nova reforma ortográfica; “Samba da Boa Vontade”, sobre o pedido de Vargas aos brasileiros para manter o sorriso, mesmo num momento de crise; e, ainda “Tenentes … do Diabo”, samba jocoso quanto aos tenentes getulistas, rivais dos “Democratas”.

No começo de 1934, teve o início a famosa polêmica envolvendo os compositores Noël Rosa e Wilson Batista. Este último compôs “Lenço no Pescoço”. Noël rebateu com “Rapas Folgado”. Em resposta, Wilson compôs “Mocinho da Vila”. Ainda no mesmo ano, no período da primavera, Noël compôs “Feitiço da Vila”, uma homenagem para a rainha primaveril de Vila Isabel, Lela Casatle. Samba que colocou Noël em evidência, uma vez que o Brasil inteiro cantou a composição. A polêmica deu uma trégua e reacendeu no ano seguinte. O sucesso do “Filósofo do Samba” incomodou Wilson Batista, que gravou “Conversa Fiada”. Noël reagiu com “Palpite Infeliz”. Wilson respondeu com dois novos sambas: “Frankstein da Vila” e “Terra de Cego”.

Os anos trinta foram a chamada Era do Rádio, consagrada com a criação da Rádio Nacional. Em pouco tempo, o país inteiro ouviria suas rádio-novela, seus programas de auditório e viria surgir muitas estrelas da nossa música, as chamadas cantoras do rádio. Marília Baptista e Aracy de Almeida foram as maiores intérpretes das canções de Noël. Este também atuou no rádio. No Programa do Casé, de Adhemar Casé, na Rádio Philips, Noel cantava e trabalhava como contra-regra. E, em 1935, Almirante conseguiu-lhe na Rádio Clube do Brasil, trabalhando como libretista no programa “Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio”. Escreveu o libreto da ópera “O Barbeiro de Niterói” uma paródia ao “Barbeiro de Sevilha”. Fez também as revistas radiofônicas “Ladrão de Galinhas” e a “Noiva do Condutor”. As composições de Noël também foram utilizadas no cinema. Em Alô, Alô, Carnaval (1936), compôs “Pierrôs Apaixonado”, em parceria com Heitor dos Prazeres. Para o filme Cidade Mulher (1936), ele compôs seis músicas, dentre as quais “Tarzan, Filho do Alfaiate”, em parceria com Vadico.

No ano de 1937, os céus do Brasil foram atravessados pelo cometa de Hermes. Os cometas inspiraram durante milênios profundos temores na humanidade, que os considerava sinais divinos de maus presságios. O medo persistia. Foi assim com o cometa de Halley naquele ano de 1910 e voltou a ser vinte sete anos depois. E, de fato, realmente foi. Na noite do dia 04 de maio, no mesmo chalé onde nasceu na Rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel, faleceu, acometido pelo “mal do século”

Da mesma forma que nasceu num ano turbulento, Noël disse “Adeus” num ano de grandes transformações, cumprindo assim um ciclo de mudanças. Ele mudou a história da música popular brasileira. As serestas e serenatas não seriam mais as mesmas sem a sua presença. Uma outra “Festa no Céu” faria ele entre anjos e arcanjos. Para sua felicidade, não viu a instalação do Estado Novo, com seu caráter repressivo e censurador, nem mesmo a chegada do “Tio Sam”. Não viu também a vida boêmia da Lapa se substituída pelas boates chiques de Copacabana, onde Aracy de Almeida, o imortalizou. Também não teve o prazer de ver a fundação do GRES Unidos de Vila Isabel, Agremiação carnavalesca do bairro que tanto cantou. No firmamento do samba, assim como a estrela Dalva, a estrela de Noël, finalmente, no céu despontou e jamais se apagou. Foi o seu “Último Desejo”. Por isso, cantamos: “Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o samba”. Saudades de ti, Noël!!!

Carnavalesco: Alex de Souza

Autores do Enredo: Alex de Souza, Alex Varela (historiador) e Martinho da Vila

Fonte de referência:

A Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa é um projeto desenvolvido pelo Centro de História de Além-Mar.

História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa.

http://www.cham.fcsh.unl.pt/eve/index.php?lang=en

François Wolf torna-se sinônimo de qualidade no cinema brasileiro

Um dos cidadãos suíços que goza de maior prestígio profissional atualmente no Brasil é o sound designer François Wolf.
Morador a quatro anos do Rio de Janeiro, Wolf tornou-se um dos mais renomados profissionais da revigorada indústria cinematográfica brasileira.

O suíço é o responsável pela criação do som em alguns dos maiores sucessos recentes na telona, como, por exemplo, “Se Eu Fosse Você 2″ que, com mais de seis milhões de espectadores em todo o Brasil, é o filme mais bem-sucedido financeiramente desde a retomada da produção cinematográfica do país na segunda metade da década de noventa.

Outro grande sucesso do cinema brasileiro que conta com a assinatura sonora de Wolf é “Meu Nome Não é Johnny”, com mais de três milhões de espectadores nas salas e que também vem obtendo grande êxito comercial no formato DVD.

Por esse filme, o suíço recebeu em 2009 o prêmio de melhor som (Prêmio Grande Otelo), concedido pela Academia Brasileira de Cinema. O reconhecimento de seus pares deve tornar ainda mais requisitado o trabalho de Wolf, que já participou de uma dezena de produções desde que chegou ao Brasil.

Em sua casa-estúdio no bairro do Jardim Botânico, onde trabalha na finalização do novo filme do cineasta José Joffily, um simpático François Wolf recebeu a reportagem da swissinfo para uma entrevista exclusiva.

Sem fugir de nenhuma pergunta, ele conta como foi parar no Rio de Janeiro e qual sua relação com o sucesso obtido no Brasil. O suíço faz também uma análise crítica da produção audiovisual no Brasil e na Suíça e fala dos laços profissionais que ainda mantém com seu país de origem.

Swissinfo: Por quê você decidiu morar no Brasil? Como aconteceu sua chegada ao Rio de Janeiro?
François Wolf: A minha esposa é brasileira. Nós nos conhecemos na Suíça, em Genebra, e moramos juntos lá por dez anos. Ela não agüentava mais viver na Suíça e eu estava pronto para tentar alguma coisa assim que chegássemos ao Brasil. Viemos com uma filha, que já tinha oito anos quando chegamos, e depois tivemos outra filha, nascida no Rio, que já está com dois anos.

E do ponto de vista profissional? Você já trabalhava com sound design na Suíça, não é mesmo?
Exatamente. Eu tinha um estúdio com parceiros em Genebra. Aqui no Brasil, foi graças à família da minha esposa que eu, como autônomo, pude tentar uma aventura dessas. Chegar como autônomo gera uma grande dificuldade, é muito diferente de você chegar aqui estando empregado em uma grande companhia.

Criar um negócio novo me foi possível porque minha sogra trabalha na TV Globo e tinha contatos. Com esses contatos, me foi possível avançar. Aqui no Brasil, e especialmente no Rio, é muito importante quem você conhece e quem você não conhece. Ser competente não é necessariamente o mais importante.

Eu tive a oportunidade de encontrar pessoas que estavam em condições de me oferecer trabalho graças à minha sogra e também ao meu sogro, recentemente falecido, que foi um grande fotógrafo de cinema (N.R. – Wolf é genro de Mário Carneiro, um dos mais importantes do Cinema Novo).

Seus primeiros trabalhos no Brasil foram com a Globo?
Não. Eu cheguei aqui com meu material em 2005 e abri um estúdio. Trouxe as coisas que tinha da Suíça e consegui um espaço com paredes, teto e um local para fazer a projeção da imagem. Eu comecei com um filme do Zelito Viana, chamado “Bela Noite Para Voar”, que encalhou, onde fiz a edição de som.

Meu primeiro trabalho para a tevê foi em um episódio da série “Mandrake”, da Conspiração Filmes. Depois, fiz uma série chamada “Um Menino Muito Maluquinho”, que foi vendida para a Disney e ganhou prêmios.

Aqui no Brasil – assim como na França ou nos Estados Unidos – raramente alguém vai conseguir fazer ao mesmo tempo tevê, cinema e publicidade, pois são coisas muito separadas. Na Suíça não era assim porque a Suíça é pequena e a Suíça de língua francesa é ainda menor.

Então, eu tive a oportunidade na Suíça de fazer tanto cinema quanto televisão e publicidade. Aqui no Brasil, desde que cheguei, praticamente só fiz cinema. Não que eu quisesse que fosse assim, mas foi assim que as coisas aconteceram.

Quais os trabalhos que você considera mais marcantes entre os realizados no Brasil?
Bem, eu recentemente fiz o sound design de “Se Eu Fosse Você 2″, que foi um grande sucesso de bilheteria. Fiz o “Meu Nome Não é Johnny”, pelo qual recebi o prêmio da Academia Brasileira de Cinema.

Fiz também “Divã”, que está atualmente em cartaz e também já passou de um milhão de espectadores. Fiz sound design em documentários, como “Paulo Gracindo, o Bem Amado”, também atualmente em cartaz, e “Condor”, que ganhou o Globo de Ouro. Fiz esse trabalho no já citado filme do Zelito Viana, que agora deverá ser lançado. Acabo de criar um blog na internet onde todos os meus trabalhos estão listados.

Após participar de produções que obtiveram grande reconhecimento do público e da crítica no Brasil, como está tua relação com o sucesso? Tem recebido muitas ofertas de trabalho?
É completamente paradoxal e confesso que ando completamente apavorado. Participei, como você disse, desses sucessos de público e crítica e tive o reconhecimento da classe, que me agraciou com o prêmio da academia. Mas, agora nada! Não sei se é por causa da conjuntura, da falta de editais…

No Brasil, o cinema não depende oficialmente da conjuntura econômica. Como é financiado em cerca de 95% com verba estatal, o fato de haver ou não uma crise não deveria mudar nada. Acontece que muda um pouco, porque existe essa Lei Rouanet que permite que as empresas destinem para a cultura verbas que iriam para os impostos.

Esse fluxo de verbas, com a crise, baixou um pouco, e talvez seja por isso que não ando recebendo propostas de trabalho. Mas, eu agora estou contratando uma assessora para “vender o peixe” do estúdio. Eu sou muito ruim nessa parte! Eu faço meu trabalho da melhor forma que eu consigo, mas ligar para pessoas que não conheço para arrumar trabalho não é comigo.

Nessas horas, o fator cultura é o mais complicado. Na Suíça, você tem a tendência de falar tudo, de falar a verdade para as pessoas. Se você faz isso no Brasil, você não trabalha, porque não dá para falar as coisas assim “na lata” das pessoas.

Aqui existe o famoso jeitinho, o jogo de cintura, tudo isso. Eu estou aprendendo. Enquanto isso, estou formando uma assessora. Ela já telefonou para várias pessoas que disseram: “Ah, não. Ele ganhou o prêmio, deve ser caro demais, nem vou tentar fazer orçamento com ele”. Então, eu estou apavorado porque não tenho tanto trabalho assim a ponto de recusar esse ou aquele. Sou um artesão à espera de trabalho.

Com o prestígio adquirido, você não poderia tentar de novo a televisão? Poderia ser rentável…
Seria, eu inclusive estou começando a trabalhar no projeto de uma série para a tevê. Mas, a televisão no Brasil, assim como na Suíça, obedece a uma lógica. As grandes emissoras fazem suas produções em casa e o profissional autônomo, como eu, não encontra muito espaço. Quando decidem comprar algo feito por uma produtora externa, quase sempre os orçamentos são ridículos.

Estou tentando ficar mais forte. Essas pessoas que trabalham comigo aqui na casa formam um conjunto que eu organizei. Eu aluguei esta casa e organizei um espaço de trabalho para diversas pessoas que lidam com a pós-produção de filmes.

Na Suíça, é comum as pessoas se juntarem para fazer alguma coisa, procurar a famosa sinergia. Aqui no Brasil isso também é uma coisa muito nova. Essa coisa de juntar pessoas e empresas diferentes, de um mesmo ramo, numa mesma casa ou iniciativa.

Aqui ainda prevalece a cultura de empresa, da grande empresa que lidera o mercado, do cacique e muitos índios, quando, na verdade, o ramo da pós-produção de filmes abriga cada vez mais artesãos.

Como o custo das máquinas baixou muito nesses últimos vinte anos, não tem mais lugar para grandes empresas. Vivemos uma época onde a pessoa tem uma máquina e se destaca se souber operar muito bem essa máquina.

O bom disso é que o ganho vai para quem tem o talento e não para quem aluga a máquina. Assim que cheguei no Rio, percebi que faltava um lugar assim, onde você pudesse fazer seu filme inteiro, com um conjunto de profissionais e sem precisar recorrer a uma megaempresa.

O cinema brasileiro foi durante muito tempo criticado pela má qualidade técnica de seu som. Você encontrou essa realidade quando chegou aqui?
Acho que está melhorando muito, e não esperaram por mim para melhorar. Já vem melhorando há algum tempo, mas ainda existem muitos maus hábitos. Isso é engraçado, pois o Brasil é um país muito musical. Aqui, se você diz na rua que é músico, ninguém vai rir de você.

Na Suíça, se você diz que é músico as pessoas te perguntam: “Mas o que você faz durante a semana?” (risos). Então, o Brasil é um país muito musical, que tem muitas pessoas fazendo música, mas no cinema, paradoxalmente, tudo o que é som, a parte não visível, é muito maltratado.

Não é uma questão técnica, pois, atualmente, as máquinas utilizadas aqui são as mesmas utilizadas na Europa. É mais uma questão de cultura, de dar valor às coisas. Mesmo fora do Brasil, quando se faz cinema, o som é sempre o “chato de galocha”, é sempre aquele setor que fala que não pode, que tem que fazer de outro jeito, que está barulhento demais. Isso faz parte da própria história do cinema mundial. Antigamente não tinha som, e quando o som chegou foi um problema (risos).

O som de um modo geral, mas também o lugar do som dentro do filme, mudou muito nesses últimos anos. Muito mais do que a imagem. Graças à tecnologia dolby digital, entre outras. Então, acho que, no Brasil, o papel dado ao som dentro de um filme está atrasado na concepção dos produtores e diretores.

Muitos desses profissionais ainda não enxergam como o som desse produto audiovisual que eles estão fazendo pode ser desenvolvido. Isso desde o roteiro. Por exemplo, ainda na Suíça eu estava acostumado quando ia trabalhar num filme de cinema a ter encontros com a equipe de produção, roteiristas, fotógrafos, etc, antes da filmagem.

Aqui, a produção habitualmente não sabe com quem vai fazer o som antes do final da edição das imagens, ou seja, apenas um dia antes de o trabalho de pós-produção do filme começar. Isso é provavelmente a maior diferença e também é sintomático do lugar dado ao som no cinema brasileiro.

Fazer sound design é trabalhar sob pressão?
O trabalho do sound designer acontece depois de todas as outras etapas. É preciso criar tudo o que você ouve no filme, menos a música, mas mesmo a música você precisa organizar e integrar à mixagem final.

Então, o sound designer geralmente chega quando o prazo está vencido e a verba estourada. Além disso, tem um prazo curtíssimo porque todo mundo atrasou e ele não pode atrasar mais o filme. É assim no mundo inteiro, aqui no Brasil isso só é um pouco mais acentuado.

Você sempre tem a metade do tempo que deveria ter. É um absurdo, mas é a realidade de todo o cinema mundial, com exceção dos filmes de Hollywood que custam milhões de dólares. Os sound designers de alguns filmes que concorreram ao Oscar trabalharam por três anos. Eu mal consigo ter oito semanas para fazer o som de um filme!

De um modo geral, em todo lugar do planeta estamos trabalhando com cinco vezes menos pessoas, dez vezes menos tempo e cem vezes menos dinheiro para concluir produtos que, finalmente, vão ter a concorrência dos famosos blockbusters americanos. No Brasil, no melhor dos casos, fazemos o som de um filme, desde o início até a mixagem, em três meses e com uma equipe de apenas cinco pessoas. Em Hollywood, as equipes têm pelo menos quinze pessoas.

E você acredita que essa realidade possa mudar no Brasil? Todos dizem que o país tem um enorme potencial de crescimento no setor audiovisual, mas o Brasil está preparado, do ponto de vista técnico, para acompanhar esta expansão?
Tecnicamente, em termos de pessoal e tudo o mais, é totalmente possível. Agora, eu acho que a coisa mais complicada por enquanto é o sistema de distribuição dos filmes. Existe um ou outro grande distribuidor brasileiro, os demais são as majors americanas.

Estas majors nunca vão prejudicar a si próprias colocando um filme brasileiro na frente, por exemplo, de um “Batman”. É muito curioso que um país do tamanho do Brasil tenha somente um, talvez dois, distribuidores independentes.

Outro problema no Brasil é que o preço da entrada no cinema é muito alto. A pessoa que leva a mulher e o filho, compra pipoca e paga o estacionamento do shopping gasta cem reais. Quem vai querer isso? Com seus mais de seis milhões de espectadores, “Se Eu Fosse Você 2″ é considerado um sucesso espetacular, mas quantos habitantes tem o Brasil? Um grande sucesso cinematográfico aqui deveria ser visto por pelo menos 20 milhões de pessoas, no mínimo 10% da população.

A capacidade de expansão no Brasil é real, pois existem milhares de cidadezinhas onde sequer existe cinema. Mas, o mercado está mudando tão rápido que não sei dizer se será o cinema quem irá liderar essa expansão.

Isso sem falar na novela, que é o cimento do país em termos de audiovisual. Você pode falar de novela com uma pessoa no Piauí, no Paraná ou em Santa Catarina. Mas, infelizmente, o pouco cuidado com o som que se tem nas novelas acaba vazando para o cinema.

Como está atualmente a tua relação profissional com a Suíça? Depois que você se estabeleceu no Brasil, continua a trabalhar em produções suíças?
Estou tentando levar para a Suíça as produções daqui e trazer produções de lá para finalizar aqui. Acabei de fazer aqui no Rio o som de um filme suíço que se chama “Verso” e vai estrear na Suíça em setembro.

O diretor desse filme se chama Xavier Ruiz e é um antigo parceiro, pois trabalhei em todos os filme dele quando ainda morava em Genebra. O Xavier foi o primeiro que teve a coragem de passar três meses aqui para finalizar o filme dele. Um mês era suficiente, mas ele acabou ficando três, acho que gostou do Rio (risos).

Tecnicamente, eu posso fazer isso, pois, sendo suíço, posso emitir nota fiscal na Suíça. Mas, estamos no limite. Curiosamente, o sistema de financiamento na Suíça é bem parecido com o sistema brasileiro. Você tem obrigatoriamente que gastar o recurso recebido no próprio país que deu o dinheiro, tem que justificar na Suíça o que recebe lá e justificar aqui o que recebe aqui.

Eu, por exemplo, tinha muita vontade de fazer parte do som de alguns filmes na Espanha, com antigos parceiros meus, mas não posso. Sem falar que o trabalho lá fora é muito mais caro.

Aqui no Brasil, o preço do meu trabalho é 40% menor do que eu cobrava na Suíça. Isso significa que, para os europeus, pode ser comercialmente muito interessante fazer o som do filme aqui. Tecnicamente, com a internet, tudo é muito simples. Eu posso fazer durante a noite uma peça de publicidade que estará lá na manhã seguinte.

A conquista do prêmio da Academia Brasileira de Cinema repercutiu na Suíça? Você tem recebido mais ofertas de trabalho da Suíça por conta do prêmio?
Por enquanto não, porque o prêmio é bem recente. Mas, eu espero que seja assim e que artigos como esse na imprensa suíça possam ajudar (risos). Acho que para minha mãe, sobretudo, foi uma coisa muito boa. Quem mais vibrou com esse prêmio foi ela.

Existe um jornal na Suíça que se chama Vingt Minutes (Vinte Minutos) e publicou um artigo sobre esse prêmio. Minha mãe viu e ficou muito feliz. Com a distância, saber que filho dela está conquistando algum sucesso no Brasil foi uma coisa boa. De resto, estou esperando que esse prêmio abra novas oportunidades vindas da Suíça. Seria muito bom, porque depender apenas do cinema brasileiro é uma coisa complicada. As produções no Brasil podem parar de uma hora pra outra e permanecer três meses paradas. É apavorante.

Maurício Thuswohl, swissinfo.ch. Rio de Janeiro

Mosteiro suíço coloca arquivos históricos na internet

O Mosteiro de Einsiedeln abre seus arquivos históricos para o mundo. Através de várias tecnologias, milhares de documentos e certidões estão sendo digitalizados e colocados à disposição de qualquer um na internet.
As dependências do arquivo têm forma de abóbada e está escondido em uma transversal, no meio do gigantesco Mosteiro de Einsiedeln. As chaves são modernas, mas a porta é antiqüíssima.

O diretor de projetos, Andreas Kränzle, abre várias caixas de madeira para os jornalistas da swissinfo, de um salão para o outro. Ele é historiador e responsável pela completa reorganização do arquivo monástico. Sua grande motivação é fácil de ser percebida. A toda hora ele tira de um lugar uma certidão, do outro um livro oficial de registros e conta várias histórias ao mesmo tempo.

“Seguramente esta foi uma assinatura em branco”, explica e aponta, ao mesmo tempo, para um monograma sobre um valioso documento. Ele mostra como em outras certidões os monogramas e lacres reais podem ser colocados de outras formas em um texto.

Um mundo diferente
Andreas Kränzle chegou em 1997 ao arquivo. Para ele foi como entrar em outro mundo. “Antes não havia luz elétrica nas dependências do arquivo. Quando entrei lá pela primeira vez, fiquei extremamente impressionado.”

Apesar de parte do arquivo monástico já ter sido organizado e catalogado no século 18, muitas objetos foram acrescentados e ainda não registrados. “Por várias razões os arquivistas não puderam trabalhar todo esse material. Por todos os lados você vê ainda objetos guardados sem nenhuma ordem.”

O arquivo do Mosteiro de Einsiedeln é um dos mais antigos da Suíça. Seu acervo compreende não apenas livros, certidões, planos arquitetônicos e fotos, mas também objetos curiosos como um canivete suíço dado pelo ex-presidente americano George Bush Sênior.

Organização
A direção do mosteiro acreditava ter guardado todos os documentos sob boas condições climáticas, mas também estava ciente de que não poderia parar a roda do tempo. Para guardar com segurança esse material, ela decidiu não apenas reorganizar completamente o arquivo e digitalizar parte dos documentos, mas também aperfeiçoar as embalagens e seu depósito.

“As embalagens devem ser modernas e resistentes ao tempo”, esclarece Kränzle e nos mostra um exemplo. “Na maior parte dos casos utilizamos material sem ácidos ou até mesmo alcalinos. Dessa forma é possível contrabalançar por longos prazos ácidos contidos no papel ou na tinta.”

Sobretudo as certidões de pergaminho com seus selos de resina exigem cuidados especiais ao serem guardadas e que podem ser completamente diferentes do papel.

No computador
Para digitalizar o acervo histórico, os responsáveis pelo projeto transferiram os ricamente adornados arquivos de Einsiedeln para uma construção moderna e austera dos arquivos públicos do Cantão de Zurique. “O espaço do arquivo no Mosteiro de Einsiedeln é muito restrito. Não poderíamos ter feito um bom trabalho por lá”, justifica Kränzle. “Embalamos tudo e depois, com ajuda de uma transportadora de mudanças, levamos os caixotes em nove viagens para Schwyz.”

Cerca de 800 metros de metros de material foram levados para processamento à administração central do cantão. Antes que os documentos, datados até o ano de 1600, pudessem ser digitalizados, especialistas externos restauraram os mais velhos e valiosos deles. Depois as certidões foram selecionadas por Kränzle e sua equipe de dez historiadores e estudantes e catalogadas em um banco de dados.

Apenas uma pequena parte
No contexto do projeto de certidões, mais de duas mil delas, cerca de 30 catálogos e 50 dos mais valiosos livros oficiais de registro foram digitalizados através de diferentes técnicas. Eles são os documentos mais importantes, mas correspondem apenas a uma mínima parte do acervo completo.

Através do acesso via internet, os documentos históricos são mais protegidos. Desde meados de abril eles estão disponíveis como imagens e podem ser descobertos através de uma simples procura.

As reações dos usuários são positivas. “O interesse tem sido considerável, inclusive também para outras partes do site como o arquivo de fotos, onde várias delas foram colocadas à disposição. Agora estão sendo redescobertas por muitos interessados”, acrescenta o historiador.

Andreas Kränzle: historiador por paixão. (swissinfo)

Volta ao mosteiro
Atualmente um novo arquivo está sendo projetado pelo escritório de arquitetura Diener & Diener. “Os depósitos serão reconstruídos e estarão no subsolo”, revela Kränzle. Em uma antiga oficina estarão futuramente os escritórios e também uma sala de leitura.

“Estamos ainda no meio do planejamento. O pré-projeto está pronto. Agora o planejamento será finalizado e o prédio será construído no ano que vem. Talvez em 2011 ou 2012 possamos retornar à Einsiedeln para o novo arquivo.”

Christian Raaflaub, swissinfo. Ch

enviado por Walter

A Profa. Neide Rezende (Metodologia do Ensino de Português / FE-USP) convida as (os) professoras (ES) a visitarem o blog Literatura & Educação, no endereço

http://literedu. blogspot. com/

Para comentários e sugestões sobre o blog, deixa à disposição o e-mail

neirez@usp.br

Literatura & Educação
Blog da Profa. Dra. Neide Luzia de Rezende e dos integrantes de seu Grupo de Estudos – Faculdade de Educação da USP

30 de maio de 1431: Joana D’Arc morre na fogueira

Hoje, Joana de Orleans é um símbolo nacional para os franceses
Joana D’Arc foi queimada numa fogueira em praça pública a 30 de maio de 1431, na cidade francesa de Rouen. A jovem filha de camponeses liderou a luta contra a ocupação inglesa, em 1429, na Guerra dos Cem Anos.
Napoleão Bonaparte certa vez disse: “Um francês pode fazer milagres ao ver a independência do país ameaçada”. Ainda hoje, Joana D’Arc é um símbolo nacional para os franceses. Vários livros com sua biografia e filmes foram lançados sobre a ingênua, mas corajosa filha de lavradores do interior da França. Joana D’Arc nasceu em Domrèmy-la-Pucelle na noite de Epifania de 1412. Já em vida, foi uma legenda, as pessoas queriam vê-la e tocá-la. Em 1429, entrou para a história da França ao escrever uma carta ao chefe da ocupação inglesa:
“Rei da Inglaterra, autointitulado regente do Império Francês, entregue à virgem enviada por Deus, imperador do céu, a chave de todas as cidades que Sua Alteza tomou dos franceses. Se não o fizer, Sua Alteza já o sabe, eu sou general. Em todo lugar na França que encontrar da sua gente, vou expulsá-la.”
Teria sido ousadia ou ingenuidade a oferta feita por Joana, então com 16 anos, ao seu rei, Carlos 7º, de expulsar os invasores ingleses de Orleans e assim ajudá-lo a garantir-se no trono da França? Ao se apresentar como enviada divina, ajudou a projetar seu nome na história.
Oficialmente, ninguém contestava a necessidade de expulsar os britânicos, mesmo assim o rei e seus consultores preferiram mandar averiguar quem era aquela jovem. Doutores, religiosos, guerreiros, ninguém encontrou ressalvas à pura Joana, apenas o bem, a inocência, humildade, honestidade e submissão.
Enviado por Deus
Joana apareceu para salvar os franceses justamente no momento em que eles acreditavam que apenas um milagre poderia ajudá-los. E a Joana vestida de guerreiro, um enviado de Deus, incorporou esta esperança. O povo via nela a concretização de um antiga profecia, segundo a qual a França seria salva por uma virgem. Uma propaganda ideal para a corte. Era a oportunidade para motivar suas tropas, que a esta altura estavam com a imagem um tanto desgastada.
Joana, a salvadora. Com o passar dos séculos, ela foi chamada de tudo: bruxa, prostituta, santa, feminista, nacionalista, heroína. Pelo ultraconservador Le Pen, na França atual, ela foi inclusive usada como símbolo contra os invasores modernos. E, na tela, é apresentada como um tipo de adolescente rebelde, altruísta, apegado aos ideais.
Mas, retrocedendo na história: depois que ela foi sabatinada por uma comissão da corte, recebeu o uniforme completo de cavaleiro e começou a lutar pela libertação. Orleans estava sitiada pelos ingleses há seis meses. Uma tropa de cinco mil homens pretendia forçar os 30 mil habitantes a se entregar. Apesar de não ser um integrante ativo nos planos dos militares franceses, o espírito de luta de Joana – e talvez apenas sua presença – trouxe a vitória aos franceses.
No dia 8 de maio de 1429, ela foi festejada pelos moradores de Orleans como enviada divina. E seguiram-se ainda muitas vitórias até a coroação de Carlos 7º em Reims. Os ingleses, derrotados, iniciaram uma conspiração contra Joana, que acusavam de bruxaria. Ela foi presa em 1430 e condenada pela Inquisição a morrrer na fogueira, depois de 20 meses de julgamento.

Jens Teschke

Memorial da Bandeira resgata história do Brasil e de Sergipe

A diretora ressalta ainda que escolas e universidades podem agendar visitas ao local, que tem no quadro funcional duas monitoras de história prontas para orientá-los em pesquisas e informações
25/05/2009 – 14:06

Inaugurado em julho de 2004 com a finalidade de resgatar os símbolos cívicos e ao mesmo tempo fazer uma homenagem à praça que leva o nome do maior símbolo nacional, o Memorial da Bandeira faz parte do Projeto Museu de Rua da Prefeitura de Aracaju e é administrado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju). O espaço foi projetado sob os critérios de inclusão social com acessibilidade para cadeirantes e fica localizada na Praça da Bandeira, esquina com a Rua Boquim – centro.

O acervo do memorial dispõe de bandeiras do Brasil colônia, Brasil império e Brasil república; selos nacional, da cidade de Aracaju e de Sergipe; brasões de armas nacional e da cidade de Aracaju; letras do Hino Nacional e do Hino à Bandeira, além de uma panóplia (conjunto de bandeiras em miniatura) de todos os Estados brasileiros.
No entanto, o que chama mais atenção é uma maquete de 2×1,5 metros feita pelo maquetista Antonio Soares, que reproduz o mapa de Sergipe e as réplicas das igrejas dos 75 municípios sergipanos, onde ao lado de cada uma está uma bandeira municipal. A maquete tem placas informativas sobre os municípios, também em braile, permitindo aos deficientes visuais acesso às informações. Além disso, ao apertar o botão correspondente a uma determinada cidade, uma pequena lâmpada acende junto à réplica da igreja correspondente.
Segundo a diretora do Memorial da Bandeira, Bianca Carvalho, o espaço serve como fonte de pesquisa para alunos e professores de turismo, história e museologia. “O Memorial da Bandeira tem em seu acervo livros e periódicos sobre a história de Sergipe. Qualquer cidadão pode vir a fazer consultas sobre o contexto histórico de Aracaju e do Estado”, afirma.
A diretora ressalta ainda que escolas e universidades podem agendar visitas ao local, que tem no quadro funcional duas monitoras de história prontas para orientá-los em pesquisas e informações. O memorial funciona de segunda a sexta-feira, das 10 às 16h. A entrada é franca e as visitas de escolas e universidades podem ser agendadas pelo telefone 55 (79) 3179-7471.

Olá Amigos,

Divulguem.

Walter

Personagens portadores de necessidades especiais ganham vida com LIVROCLIP

Marcos teve paralisia cerebral. Matilde tem deficiência mental. As duas
crianças têm amigos, gostam de brincar e, os mais importantes freqüentam a
escola. Os personagens criados pela escritora Eliene Nery e o ilustrador
Rubem Filho agora ganham movimento e trilha sonora na internet, uma animação
gratuita que pode ser usada por professores e estudantes em todo o Brasil. O
projeto é fruto de uma parceria entre o LIVROCLIP e a editora Mazza.
Confiram no link: http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=185

LivroClip de obra completa “NÃO” substitui livro:

77% dos internautas acham que os LivroClips baseados em uma obra completa
não substitui o livro.

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Sorteado do mês

Justina Inês Galera é a premiada do mês pelo site LivroClip. Ela irá receber
um DVD com oito documentários sobre a vida e a obra de oito de consagrados
escritores paulistas.

P A R A B É N S ! ! !

Não deixe de conferir o “TOP 10″

1º – Dom Casmurro:

http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=4

2º – Game da Reforma Ortográfica:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=183

3º – Fernando Pessoa em 8 Porradas:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=182

4º – Comilança:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=184

5º – A Carta:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=88

6º – A Cartomante:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=103

7º – A Pele do Lobo:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=73

8º Espuma Flutuante:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=43

9º – A Divina Comédia – O Inferno:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=18

10º – Dom Quixote:
http://www.livrocli p.com.br/ index.php? acao=hotsite& cod=8

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