04/07/2009 03h32min
Pianista apresenta repertório de Chiquinha Gonzaga no Teatro da Caixa

Além de resgatar obra da compositora, Ana Fridman ministra workshop gratuito de música

BRASÍLIA [ABN NEWS] – A CAIXA Cultural traz para o público de Brasília, nos dias 11 e 12 de julho, show com canções de uma das mais reverenciadas personalidades da nossa música. Em “A Chiquinha que não tocou no rádio”, a pianista e compositora Ana Fridman resgata a obra menos conhecida da compositora e regente Chiquinha Gonzaga. Show no sábado às 20h e no domingo às 19h. Ana Fridman ministra ainda, no dia 12, o workshop gratuito “Música e Movimento”, aberto para todo tipo de público.

Para além de “Ó Abre Alas” e “Lua Branca”, o show “A Chiquinha que não tocou no rádio” apresenta para o público brasiliense composições menos difundidas, mas igualmente belas de Chiquinha Gonzaga. Fazem parte do repertório as canções “A Chinelinha do Meu Amor”, “Cananéia”, “Cubanita”, “Sultana”, “Passos no Choro”, “Falena”, “Suspiro”, “Itararé”, “A Sertaneja”, “Corta-Jaca”, ”Tava assim de português” e “Sou Morena”. Ana Fridman revisita a obra da compositora em novos arranjos, assinados ao lado do contrabaixista e compositor Gilberto Assis. O resultado é um diálogo entre passado e presente. “Buscamos em nossos arranjos uma conversa através do tempo: tomamos emprestados os temas e damos nossa contribuição musical sob um olhar contemporâneo, sem em nenhum momento perder de vista o fato de querer que o público conheça mais a autora, respeitando e revivendo sua grande obra”, explica a pianista.

Chiquinha Gonzaga é uma das compositoras mais relevantes e reverenciadas da história da música brasileira, tanto pelo valor musical e estético de sua obra, quanto pelo seu pioneirismo. Ela foi, por exemplo, a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Para Ana Fridman, as composições de Chiquinha são de uma riqueza indescritível: “Os temas são vivos, alegres e, por vezes, muito líricos, revelando a personalidade forte da compositora. Ao interpretar e rearranjar Chiquinha Gonzaga sinto-me mais viva, vibrante. É mesmo como se pudesse conversar com ela através de sua música!”.

Além de Ana Fridman e Gilberto Assis, músicos atuantes no cenário da música instrumental e orquestral paulistana, “A Chiquinha que não Tocou no Rádio” tem ainda as participações de Ronen Altman (bandolim), Vitor Lopes (gaita), Mário Checchetto (sax tenor e barítono) e Sérgio Reze (set de bateria e percussão).

Workshop

A pianista Ana Fridman realiza no dia 12 de julho, às 17h, o workshop “Música e Movimento”, aberto a participantes maiores de 14 anos. São 30 vagas e as inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 55 (61) 3206-9450 (de segunda à sexta, das 08h às 12h e das 13h às 18h).

Valendo-se de sua formação profissional tanto em música quanto em dança, Ana Fridman tem desenvolvido um trabalho de quase 20 anos na integração destas duas áreas. Ela já compôs trilhas sonoras para dança; já criou coreografias integradas à percussão corporal; já se utilizou do movimento na educação musical, entre outras atividades.

Neste workshop, aberto a qualquer tipo de público, Ana ensina conceitos básicos de música, como pulsação, ritmo, compasso, anacruzi e cânone, entre outros, de maneira simples e orgânica, sendo que os participantes aprendem e vivenciam estas noções por meio de exercícios que utilizam o corpo como mídia e ferramenta de aprendizado.

Os participantes não precisam ter conhecimento prévio em música, mas o workshop pode ser útil para professores de música e artistas em geral que queiram conhecer uma nova abordagem de integração entre movimento e música no ensino musical.

Ana Fridman

Ana Fridman possui reconhecida competência nas áreas de orquestração e arranjo em Música Popular e Jazzística, além de ser autora de trilhas sonoras para teatro e dança, incluindo trabalho de 10 anos com o coreógrafo Ivaldo Bertazzo. Em 2004, lançou o CD “O Tempo, a Distância e a Contradança” (Zabumba/Rob Digital) com composições e arranjos de sua autoria, e produção de Gilberto Assis. Em 2007 foi selecionada pelo projeto Rumos, do Itaú Cultural, na categoria de composição. Ana foi selecionada pelo PAC para gravar seu próximo trabalho de música instrumental. Em 2008, com o patrocínio CAIXA, foi selecionada para apresentar-se nas CAIXAS Culturais de Brasília, Curitiba e São Paulo.

Gilberto Assis

O baixista, compositor e produtor musical Gilberto Assis é autor de trilhas sonoras para dança (recentemente para o Ballet da Cidade de São Paulo e para o coreógrafo Maurício de Oliveira), ganhador do projeto Rumos 2007 na categoria “homenagem” e, entre outros trabalhos, diretor musical e parceiro do compositor Tom Zé por 12 anos. Em 2008, teve suas composições “Com o passar dos timbres” e “Uma vida em 60s”, selecionadas para o Projeto FRAMMENTAZIONI, com performances agendadas em Udine, Itália.

Chiquinha Gonzaga

Compositora, instrumentista, regente, Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 1847 no Rio de Janeiro, filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria de Lima. Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no País, Chiquinha foi promotora da nacionalização musical, primeira maestrina do Brasil, autora da primeira canção carnavalesca, primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes e fundadores da primeira sociedade protetora dos direitos autorais. Por desafiar os padrões familiares da época, sofreu preconceitos.

Estudou piano com professor particular e aos 11 anos compôs sua primeira música, a cantiga de Natal “Canção dos Pastores”. Casou-se aos 16 anos, com um oficial da Marinha Mercante escolhido por seus pais. Poucos anos depois abandonou o marido por um engenheiro de estradas de ferro, de quem também logo se separou. Passou a sobreviver como professora de piano. A convite do famoso flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), passou a integrar o Choro Carioca como pianista, tocar em festas e freqüentar o ambiente artístico da época.

A estréia como compositora se deu em 1877, com a polca “Atraente”, composta de improviso durante roda de choro em casa do compositor Henrique Alves de Mesquita e publicada pela Viúva Canongia, Grande Estabelecimento de Pianos e Músicas. Sua vontade de musicar para teatro levou-a a escrever partitura para um libreto de Artur Azevedo, “Viagem ao Parnaso”. A peça foi recusada pelos empresários. Outras tentativas fracassaram, até que conseguiu, em 1885, musicar a opereta de costumes “A Corte na Roça”, encenada no Teatro Príncipe Imperial. Em 1889, promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época.

Chiquinha foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. A compositora também participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era uma artista consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha-rancho, “Ó Abre Alas”, verdadeiro hino do carnaval brasileiro. Na primeira década do século XX, esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos. De volta ao Brasil deu uma contribuição decisiva ao teatro popular ao musicar, em 1912, a burleta de costumes cariocas “Forrobodó”, seu maior sucesso teatral. Dois anos depois, seu tango “Corta-Jaca” foi executado pela primeira-dama do país, Nair de Teffé, em recepção oficial no Palácio do Catete, causando escândalo político. Em setembro de 1917, após anos de campanha, liderou a fundação da SBAT, sociedade pioneira na arrecadação e proteção dos direitos autorais. Chiquinha escreveu sua última partitura aos 85 anos de idade.

Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca, modinha etc. Chiquinha Gonzaga faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. Dois dias depois foi realizado o primeiro concurso oficial das escolas de samba.

Serviço:

Show “A Chiquinha que não tocou no rádio”

Data: dias 11 e 12 de julho de 2009

Horário: sábado, às 20h e domingo, às 19h

Local: Teatro da CAIXA – SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA

Recepção:55 (61) 3206-9448

Administração: 55 (61) 3206-9450

Bilheteria:55 (61) 3206-6456 (aberta de terça-feira a domingo, das 12h às 21h)

Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada para estudantes, pessoas com 60 anos ou mais, professores e empregados da CAIXA)

Classificação Etária: Não recomendado para menores de 12 anos

Duração: 90 minutos

Workshop “Música e Movimento”, com a pianista e compositora Ana Fridman

Data: 12 de julho de 2009

Horário: 17h

Local: Teatro da CAIXA

Endereço: SBS Quadra 4 Lote 3/4, edifício anexo da Matriz da CAIXA

Vagas: 30 vagas para maiores de 14 anos

Inscrições gratuitas pelo telefone: 55 (61) 3206- 9450 (de segunda à sexta, das 08h às 12h e das 13h às 18h)