1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas

Realizar-se-á entre Cinco e Nove de agosto de 2008 o 1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas. O evento tem o objetivo de fomentar o valor das culturas originárias, divulgar as realidades indígenas da América Latina e promover o acesso ao uso de meios audiovisuais por parte das comunidades qom, wichí e mocoví da província argentina do Chaco e na região. Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Departamento de Cinema e Espaço Audiovisual (DeCEA). O Festival tem como característica fundamental o fato de ser multi-sede e itinerante.

Baseado na infra-estrutura oferecida por cinco unidades de cine-móveis que chegam desde Formosa, Corrientes, Entre Ríos, Tucumán e Chaco, se realizou um projeto de projeções em 45 localidades e paradas onde existe uma maior concentração de comunidades originárias. Estas projeções serão de filmes latino-americanos realizados por cineastas indígenas e não-indígenas, porém que abordam sua problemática. Cada uma das projeções será completada com um espaço para a reflexão e análise que será coordenado por professores bilíngües, em uma articulação feita com o Ministério de Educação provincial.

Ao longo de três dias de projeções itinerantes, no dia 9 de agosto se realizará uma jornada de encerramento que consistirá em uma maratona de filmes no Complexo Cultural Guido Miranda, de Resistência. Nesta jornada se pretende mostrar todos os filmes recebidos para o Festival, com o propósito de aproximar a sociedade branca e o universo audiovisual dos Povos Indígenas de América Latina, pelo conhecimento de suas realidades e suas culturas. Também nessa jornada se formará uma mesa-redonda onde participarão, além de referentes locais, o realizador boliviano Milton Guzmán; o realizador Fernando Molnar (diretor de Povos Originários, enviado pelo Canal Encontro); e Pablo Wright (antropólogo especializado em cultura qom).

Animação andreense ‘Dossiê Rê Bordosa’ ganha festivais do país

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–>Um documentário fictício sobre a morte de uma das personagens mais famosas dos quadrinhos brasileiros tem ganhado o público e a crítica dos festivais de cinema do país. Intitulado “Dossiê Rê Bordosa”, o trabalho em stop motion (nome dado para as animações feitas com massinhas) foi produzido pelo Coala Filmes, sediada em Santo André.

Dirigido por César Cabral, o curta-metragem pode ser conferido neste sábado 26/7/2008 na 16ª edição do Anima Mundi, em São Paulo. A animação está na seção “Curtas 10″, que será exibida às 23h. A expectativa é de que o trabalho seja tão bem recebido quanto foi na versão carioca do festival, realizada entre os dias 11 e 20 de julho de 2008, na qual levaram os prêmios de melhor animação brasileira, melhor curta-metragem e melhor aquisição do Canal Brasil.

Além do Anima Mundi, o curta recebeu outros seis prêmios, divididos pelos eventos cinematográficos É Tudo Verdade, Cine-PE e Festival de Cinema de Paulínia. “Estamos muito felizes com essa aceitação do público e da crítica”, diz Cabral.

O curta tenta desvendar o porquê do fim da Rê Bordosa, na época a personagem mais popular de Angeli, em 1987. Por se tratar de uma animação, Cabral pôde brincar com o fato, misturando depoimentos reais, como do próprio cartunista, com outros fictícios. Assim, o boneco de massinha que aparece como sendo o de Angeli é dublado por ele mesmo e tem os seus trejeitos, enquanto a voz da Rê Bordosa foi feita pela atriz Grace Gianoukas, mais conhecida pelo espetáculo “Terça Insana”.

Segundo o diretor, a curta surgiu da idéia de fazer um documentário sobre a história dos quadrinhos brasileiros das décadas de 1970 e 80. “Nós conseguimos um patrocínio da Petrobras e decidimos fechar o projeto apenas na figura da Rê Bordosa”, conta.

No total, a curta demorou dois anos para ser finalizado. “O mercado de animação no Brasil é pequeno. Então, sempre temos que intercalar trabalhos publicitários com os filmes que queremos fazer”, afirma o diretor. Além disso, o processo de trabalhar com os bonecos de massinha é bastante demorado. “Nós conseguíamos filmar cinco segundos por dia”, acrescenta.

Segundo Cabral, cerca de 15 pessoas trabalharam diretamente com o projeto, que começou a partir de entrevistas com Angeli e com Laerte, outro ícone dos quadrinhos nacionais. Em seguida, o “documentário” partiu para os depoimentos ficcionais, incluindo outros personagens do cartunista, como o punk Bob Cuspe e o machão Bibelô. Já a falecida estrela da curta aparece apenas em flashbacks. “A Rê Bordosa é mostrada em imagens de arquivo pessoal e em uma entrevista dada por ela para a TV Cultura, além de uma reconstituição”, diz Cabral.

Depois do Anima Mundi paulista, a próxima parada do “Dossiê Rê Bordosa” será o tradicional Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, e o Festival Internacional de Curtas de São Paulo, ambos em agosto. Isso significa que a curta tem mais chances de abocanhar outros prêmios. “Estamos tentando encaixar o trabalho no maior número possível de eventos”, completa o diretor.

Site na internet: www.dossierebordosa.com.br.

Personagem não sobreviveu à mudança dos tempos

Talvez a personagem mais emblemática de Angeli, Rê Bordosa estreou nas tirinhas de quadrinhos do jornal “Folha de S.Paulo” em 1984. Adepta da filosofia “sexo, drogas e rock and roll”, ela dizia tudo o que pensava, fumava muito e ia para a cama com qualquer um.

Em 1987, o cartunista decidiu “matar” a personagem. “O Angeli nunca explicou direito o porquê da decisão. Mesmo na entrevista que fizemos para o curta-metragem, ele se esquivou um pouco de falar sobre os motivos”, diz César Cabral, diretor da animação “Dossiê Rê Bordosa”.

Em razão disso, Cabral conta que brincou em seu filme com a idéia de que a razão do assassinato da personagem tenha sido o ego de seu autor. O documentário fictício entrevistou até um psicanalista para analisar o que se passa na mente de um cartunista que mata um de seus personagens. “Uma das teorias que nós damos é que a criatura ficou maior do que o criador. O Angeli não queria ficar conhecido apenas como ‘o cara que desenha a Rê Bordosa’.”

Outra hipótese considerada é a mudança dos tempos. “Começaram a aparecer os primeiros casos de Aids e esse tipo de mulher não se encaixava mais para a época. O Angeli sempre foi muito antenado com o que está acontecendo. A Rê Bordosa não serviria para os anos 90″, acrescenta Cabral.