Fóssil de pliossauro encontrado na costa britânica
2009-10-27

Pelas dimensões do crânio do pliossauro,
supõe-se que conseguiria engolir
um homem de uma só vez
Foi descoberto o crânio fossilizado de uma criatura marinha gigante na costa jurássica da Grã-Bretanha. Trata-se de um predador da família dos pliossauros, que viveu nos oceanos há 150 milhões de anos. O fóssil encontrado tem 2,4 metros de comprimento e, segundo os especialistas, poderá pertencer a um dos maiores pliossauros já encontrados, com 12 toneladas e 16 metros de comprimento.

O paleontólogo David Martill, da universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, explicou que esta espécie é um tipo de plesiossauro, um grupo de répteis aquáticos com pescoços curtos e cabeças de dimensões gigantes, semelhantes às dos crocodilos, com mandíbulas fortes e dentes grandes e afiados.

O crânio do pliossauro encontrado está em bom estado de conservação, ao contrário do que é habitual neste tipo de fósseis, que normalmente são achatados. “Fantástico neste novo crânio, além do tamanho, é o fato de estar em três dimensões e sem distorções”, explicou Richard Forrest, especialista em plesiossauros.

Os investigadores acreditam que o resto do corpo do animal ainda se encontra na mesma região, soterrado nas rochas. Contudo, segundo os mesmos, seriam necessárias décadas para encontrá-lo.

Os investigadores preferiram não divulgar com precisão o local onde o fóssil foi descoberto, de forma a que a zona, que é instável e propicia a desmoronamentos, não seja explorada por outras pessoas. Contudo, foi revelado que o artefacto foi encontrado ao longo da Costa britânica, uma faixa de 150 quilómetros entre Dorset e East Devon, onde já foram descobertos outros fósseis com até 185 milhões de anos.

O fóssil foi comprado pelo governo de Dorset e será analisado cientificamente, para depois ser exposto ao público no museu do condado.

Anúncios

Aventuras para praticantes de trekking

Rio – Adeptos de trekking — caminhada em circuito pré-estabelecido através de trilhas naturais — estão sempre em busca de roteiros radicais. Para ajudar os amantes do esporte, o site ‘Trekker’ dá dicas de passeios ecoturísticos, ajuda a montar a viagem em equipe e tem informações úteis para quem deseja se aventurar na modalidade.

Para quem planeja uma viagem e está à procura de imóveis para venda, aluguel ou temporada, a dica é acessar o ‘Imóveis Já’. É só digitar o destino desejado e pesquisar os anúncios divulgados.

Já o ‘E-Coasters’ é para quem quer fortes emoções nos parque de diversões da Europa. O site permite ao usuário conhecer e experimentar as numerosas atrações presentes nos diversos centros de lazer europeus, através de vídeos interativos. Superbacana!
http://odia.terra.com.br/portal/viagens/html/2009/10/aventuras_para_praticantes_de_trekking_41568.html

Belo Horizonte tem riqueza histórica, natureza abundante, sem falar na saborosa culinária

Belo Horizonte (MG) – Considerada por alguns como a cidade que oferece a melhor qualidade de vida da América Latina, com 32 m2 de área verde por habitante, Belo Horizonte é calma e organizada, diferentemente do caos urbano que é, às vezes, São Paulo, e mesmo o Rio de Janeiro. Fundada em 1897, nas primeiras horas da República, a capital das Minas Gerais, planejada, limpa e bem policiada, exibe sua modernidade em vários pontos da cidade.

Belos jardins e fontes destacam-se na Praça da Liberdade, no Centro, que ainda é rodeada pelo Palácio da Liberdade, sede do governo do estado, e abriga o Edifício Niemeyer
As jóias da arquitetura modernista, projetadas por Oscar Niemeyer, são um excelente exemplo disso, e um contraste interessante e agradável com as cidades barrocas do estado. Belo Horizonte é quase uma cidade de passagem, mas os que por ali passam e se detém, ficam agradavelmente surpresos com o que a cidade tem a oferecer em termos de cultura e gastronomia. BH, para os íntimos, tem ainda excelente vida noturna, sendo considerada a cidade brasileira com maior número de bares por habitante. Além de tudo isso, ainda pode se orgulhar de sua mais simpática característica: a hospitalidade do seu povo.
UM POUCO DE HISTÓRIA

Belo Horizonte surgiu do antigo sonho, desde o tempo da Inconfidência, de mudar a capital do estado, antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), num local mais moderno e condizente com a grandeza do estado. Após longos debates no Congresso Mineiro, decidiu-se, em 1893, construir a capital do Estado de Minas Gerais na região do Curral Del Rei, já habitada desde o início do século XVIII. A capital, inicialmente chamada de ‘Cidade de Minas’, foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897.
O QUE FAZER E VER
MUSEU DE ARTES E OFÍCIOS. Pça Rui Barbosa. Tel.: (31) 3248-8600. Ter, qui e sex, 12h/19h; qua, 12h/21h; sáb, dom e feriados, 11h/17h. R$ 4 e R$ 2. (qua, 17h/ 21h e sáb: entrada gratuita para todos). Inaugurado em 2006, o museu, primeiro do gênero no Brasil, ocupa uma parte da Estação Ferroviária (1924), elegante estação central de Belo Horizonte, ainda em funcionamento. O museu convida a uma impressionante imersão no mundo pré-industrial. São 2.200 peças e utensílios de diversas profissões brasileiras desde o séc. XVIII (cerâmica, carpintaria, ourivesaria…).

PARQUE MUNICIPAL. Av. Afonso Pena. Tel.: (31) 3277-4467. Ter a dom, 6h/18h. Tão antigo quanto a cidade, o Parque Municipal é um dos maiores parques de Belo Horizonte e é bastante freqüentado. Tem um orquidário, jardins e lago. Na entrada do parque está o Palácio das Artes, principal centro cultural da cidade, com teatro, cinema, galerias de arte e cafeteria.

MERCADO CENTRAL. Av. Augusto de Lima 744. Tel.: (31) 3274-9434. Seg a sab, 7h/18; dom, 7h/13h. O mercado ocupa um prédio de 1929. Tem galinha, aquário, papagaio, cestaria, artesanato, flores, queijos, cachaças, carnes, legumes, plantas medicinais e etc. O ambiente é animado e perfumado. Aproveite para almoçar por lá.

PRAÇA DA LIBERDADE. Com seus belos jardins e fontes, a praça constitui o centro administrativo da cidade. Ao redor, fica o Palácio da Liberdade, sede do governo do estado. Sua decoração lembra algumas edificações francesas. A praça abriga também o Edifício Niemeyer (1954), com seu famoso desenho que parece uma ameba e é conhecido como o Copan de BH. Aos domingos, a praça fica bastante animada quando tem shows de música.

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E JARDIM BOTÂNICO. Rua Gustavo da Silveira 1035, Santa Inês. Tel.: (31) 3482-9723. R$ 3. Ter a sex, 8h/11h30 e 13h/16h; sáb e dom, 10h/16h. O museu tem um acervo formado por coleções de mineralogia, arqueologia, botânica e paleontologia. Visite também o Jardim Botânico, suas estufas, sementeiras e horto.

MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO. Av. Prudente de Morais 202, Cidade Jardim. Tel.: (31) 3277 -8573. Ter a dom, 10h/17h; qui, 10h/20h. Possui um pequeno acervo com coleções de pinturas, esculturas, artes decorativas, fotos e objetos do séc. XIX. O anexo acolhe exposições temporárias e uma interessante apresentação, com fotos e mapas, da história da cidade. O coração do museu, a Fazenda do Leitão (1883), de arquitetura típica das fazendas coloniais das Minas Gerais, abriga diversos objetos de época (arte sacra, uniformes, armas). No jardim estão expostos um antigo bonde e uma locomotiva à vapor, utilizada na época da fundação de Belo Horizonte.
PAMPULHA
Fica a 12 km ao norte do centro de Belo Horizonte. É melhor ir de carro ou de táxi para visitar os diferentes locais. A lagoa artificial de Pampulha foi criada entre 1940 e 1942, a pedido de Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, e encomendada aos melhores profissionais da época, no Brasil: o arquiteto Oscar Niemeyer, o paisagista Burle Marx, o pintor Cândido Portinari, os escultores Ceschiatti, Zamoiski e Pedrosa. A lagoa não se presta a atividades náuticas e o passeio é feito em torno dela, pela Av. Octacílio Lima. O conjunto compreende um jardim botânico e um parque ecológico.

MUSEU DE ARTE DE PAMPULHA. Av. Otacílio Negrão de Lima 16.585, Pampulha. Tel.: (31) 3277 -7946. Ter a dom, 9h/19h. Elegante, o prédio mistura linhas horizontais e verticais, curvas e ângulos retos. A grande janela envidraçada distribui generosamente a luz natural. Construído inicialmente para ser um cassino, foi convertido em museu depois da proibição oficial do jogo (1946). O museu apresenta coleções de arte contemporânea e acolhe regularmente, exposições temporárias.

IGREJA SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Av. Otacílio Negrão de Lima s/n°, Pampulha. Tel.: (31) 3427 -1644. R$ 2. Para maiores de 65 anos: R$ 1. Esta jóia, assinada por Niemeyer, é um dos símbolos do modernismo brasileiro. Pousada na margem direita da lagoa de Pampulha, a igreja, com sua delicada e curvilínea silhueta, coberta de cerâmica azul, surpreende por sua pequena estatura. No interior, 14 painéis representam a via sacra e a vida de São Francisco de Assis, pintados por Cândido Portinari. A área em torno da capela tem jardins projetados por Burle Marx.

CASA DO BAILE. Av. Otacílio Negrão de Lima 751, Pampulha. Tel.: (31) 3277-7443. Ter a dom, 9h/19h. Inaugurada em 1943, a casa sediou, durante muitos anos, as festas da elite de BH. Sua fachada é interessante, pois sugere a continuidade da lagoa. Atualmente, é um anexo do Museu de Arte de Pampulha.

IATE TÊNIS CLUBE. Av. Otacílio Negão de Lima 1350, Pampulha. Tel.: (31) 3490-8400. Ter a sex, 8h/18h. A estrutura original é tombada pelo patrimônio estadual e nacional. O paisagismo é de Burle Marx e tem um painel produzido pelo artista Cândido Portinari.
PASSEIO A SABARÁ
A 20 km da capital mineira. Esta grande vila adormecida à sombra de Belo Horizonte esconde suntuosas igrejas barrocas, que vale a pena conhecer, entre outros monumentos igualmente interessantes.

IGREJA Nª Sª DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SÉC XVIII). Olhando as ruínas da igreja, não dá para imaginar o que há por trás das paredes de pedra sem reboco, a céu aberto. A obra foi abandonada no meio da construção, quando foi declarada a abolição da escravatura, em 1888. A muralha protege antiga capela de taipa, de 1713. Na sacristia está o Museu de Arte Sacra, com peças dos séculos XVIII e XIX.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NªSª DO CARMO (1763 – 1818). Ter a sáb, 9h/11h30, 13h/17h30. Dom, 13h/17h. Trata-se da única igreja de Sabará onde Aleijadinho contribuiu, com a execução do frontispício.
MUSEU DO OURO. Ter a dom, 12h/17h. Antiga Casa de Intendência e Fundição, o Museu do Ouro é um belo e autêntico exemplar da arquitetura colonial do século XVIII. O museu expõe incrível coleção de móveis, peças religiosas e utensílios ligados ao trabalho de mineração (ferramentas, cofres, balanças…).

IGREJA MATRIZ DE NªSª DA CONCEIÇÃO (1710). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A fachada construída em pedra e cal guarda um interior suntuoso, com talhas douradas nos altares, nas colunas e nos arcos. Belíssimos, também, os detalhes orientais no retábulo dourado e vermelho da Capela do Santíssimo. A pia batismal, em pedra sabão, é obra de Aleijadinho.

IGREJA DE NªSª DO Ó (1720). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A igreja de Nossa Senhora do Ó em Sabará é pequena e tem uma aparência singela, com a sua fachada simples. No interior, é esplendorosa, com uma decoração riquíssima. Suas talhas douradas são uma das obras primas da arte barroca das Minas Gerais. As pinturas, com temas chineses em ouro, sobre vermelho e azul, lembram as lacas do oriente.
COMPRAS
FEIRA DE ARTE E ARTESANATO. Av. Afonso Pena. Dom, 8h/14h. Com 3 mil expositores e 80 mil visitantes, é o mais importante mercado de rua da América Latina. Lá se vende de tudo: bijuterias, enxoval para bebê, objetos de decoração, sapatos, roupas, entre tantas outras coisas.
FEIRA DE TOM JOBIM. Avenida Bernardo Monteiro, Centro. A feira acontece aos sábados, com 85 expositores que vendem antiguidades e vários outros objetos, além das comidas e bebidas típicas.
NOITE
A vida noturna em Belo Horizonte é bastante animada. As opções vão desde shows e boates até a mais tradicional música ao vivo. Há uma infinidade de bares por lá. O centro é zona boêmia, enquanto a Savassi é tradicional ponto de encontro. Cafés, restaurantes, choperias e pubs movimentam também os bairros de São Pedro, Santo Antonio e Lourdes.

Mais antiga representação humana tem 35 mil anos
2009-05-14

© Universidade deTübingen
A Vénus de Hohle Fels veio retirar o lugar de representação humana mais antiga à Vénus de Willendorf, descoberta na Áustria em 1908 e que tem 28 mil anos. A nova figura feminina tem 35 mil anos, foi descoberta em Setembro de 2008 na Alemanha e tem as proporções dos caracteres sexuais femininos ainda mais exageradas.
Nicholas Conard, investigador da Universidade de Tubinga, Alemanha, afirmou em um artigo publicado na Nature que, “não há nenhuma dúvida de que a representação de um peito aumentado, das nádegas e genitália acentuadas resulta de um exagero deliberado das características sexuais da figura”.

A nova Vénus foi descoberta nas grutas de Hohle Fels em estratos do Paleolítico Superior, que coincide com poucos milhares de anos depois dos primeiros Homo sapiens (o homem moderno), terem colonizado a Europa. A escultura tem menos de seis centímetros e 33 gramas é atualmente a representação mais antiga de arte figurativa.
As populações humanas que habitavam o centro da Europa há 35 mil anos, eram sociedades de caçadores/recolectores segmentadas em grupos de 25 pessoas, com ritmos de deslocação certos e que trocavam freqüentemente idéias, objetos e experiências.
Calcula-se que tenha sido neste contexto que a Vénus de Hohle Fels foi esculpida, mas continua a ser controverso, para os investigadores, o porquê da sexualidade feminina surgir de forma exacerbada.
Como a Vénus de Willendorf, não são só certas características que estão sobrevalorizadas, partes anatômicas como os pés e pernas são minimizadas. A cabeça, neste caso, transforma-se num pequeno anel que parece servir para pendurar o objeto.
Uma das características destas figuras é a representação da gordura. Muitas vezes é tão realista que os investigadores defendem que quem esculpiu terá de ter visto alguém com um nível de obesidade raro nestas sociedades.

Pergunta a um Nobel!
You Tube promove interação entre premiados
e comunidade online
Os utilizadores do You Tube têm agora a oportunidade de «Perguntar a um Prêmio Nobel» o que quiserem na página http://www.youtube.com/thenobelprize. O vencedor do Nobel da Física 2006, John Mather – um astrofísico da NASA – é o primeiro a participar e responderá a uma seleção de questões colocadas pela comunidade online.

Nobelprize.org é o nome da página oficial da Fundação Nobel (Nobel Fundation) que gere o canal The Nobel Prize YOUTUBE, e dissemina conteúdos dos seus vastos arquivos desde o primeiro tributo em 1901. Para além de espalhar informação relativa às descobertas, feitos e histórias que inspiram sobre mais destacados em cada ano, agora a entidade oferece a possibilidade, aos interessados, de poderem fazer perguntas diretamente aos premiados através do canal recentemente lançado.

John Mather, Prêmio Nobel da Física 2006, é o primeiro disponível. Este foi o primeiro investigador da NASA a receber o título, que lhe foi entregue juntamente a George Smoot pela sua descoberta pela descoberta da forma de corpos negros e da anisotropia da radiação cósmica de fundo, um trabalho importante para cimentar a teoria do Big Bang e que deu um salto importante para se poder compreender o início do Universo.

Per Gunnar Holmgren, diretor-geral do Nobelprize.org disse: “O canal You Tube Nobel Prize é um excelente fórum para promover a interação com os Nobel. E com John Mather, em particular, e com a sua investigação sobre as origens do Universo, já que uma série de questões pode ser levantada. Desta forma, aumentando o acesso aos laureados, encorajamos estudantes, educadores, investigadores e o público em geral”.

Num prato de feijão, parte da história do Brasil

Rio – Presente nas mesas da alta sociedade e da classe média, nas tardes festivas de escolas de samba e favelas, o feijão, estrela da culinária brasileira, já foi esnobado pelas elites. Demorou para o grão passar pela goela dos mais ricos, que chegaram a comê-lo escondido por ser considerado ‘comida de pobre’.

A elite mudou de roupa, copiando o francês, mas não mudou o gosto alimentar. Foi a vitória da feijoada!”, exalta o pesquisador visitante do Departamento de Geografia da UFF, Almir Chaiban, que fez pesquisa sobre a história do grão desde 1808 até hoje, com apoio da Faperj.

Atualmente, a mistura de feijão com carnes, especialidade carioca, freqüenta todas as mesas. Sexta-feira, é difícil encontrar em restaurantes, chiques ou ralés, quem resista ao cheirinho do caldo negro fumegante.
Para o cozinheiro Rodrigo Mota Adão, 35 anos, o sucesso da comida vem de véspera.
“A boa feijoada começa a ser preparada um dia antes, com o corte certo dos miúdos e retirada da quantidade exata de sal da carne seca”, ensina o mestre-cuca do restaurante Bandeira F.C., na Praça da Bandeira, onde os amantes do prato fazem fila até a calçada.
Mas nem sempre a feijoada saboreou tanta popularidade. Chaiban diz que no início do século 19, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio, a nobreza começou a comer a iguaria de forma velada. Só pobre era visto degustando o prato. O pintor francês Jean-Baptiste Debret descreveu, em relatos de viagem ao Brasil, que comerciantes comiam feijão com carne seca e farinha, ardendo de pimenta, escondidos no fundo de seus estabelecimentos.

Gradativamente, a feijoada passou dos fundos da cozinha para a sala de jantar. Em 1830, já estava na mesa de ricos e pobres todos os dias. E ganhou o mundo. Mas há quem diga que nada supera a receita carioca.
“A feijoada de São Paulo não é a mesma coisa. Alguém do Rio tinha que ensinar a eles”, provoca o gerente comercial Carlos Alberto Corrêia, 57.
Feijoada surgiu entre ricos
O historiador Chaiban derruba a lenda de que foi nas senzalas que a feijoada nasceu, feita por escravos com restos de carnes desprezados na Casa Grande. “Surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Eles comiam uma feijoada mais incrementada e os pobres, feijão ralo, com pequenos pedaços de carne seca ou toicinho”, explica.

Nessa semana, outro estudo sobre o grão, feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor, mostrou má qualidade do feijão brasileiro. Insetos e larvas vivas foram encontrados em 20% das amostras avaliadas.
Fonte Dia

Primeiros habitantes das Ilhas Canárias eram berberes
Estudo luso-espanhol publicado na BMC Evolutionary Biology
2009-10-22

Origem evolutiva da população das Ilhas Canárias
Uma equipa de investigadores portugueses, liderados por António Amorim, do IPATIMUP, e espanhóis levou a cabo um estudo genético molecular sobre o cromossoma Y (que define o sexo masculino), na comunidade aborígene das Ilhas Canárias, para determinar a sua origem e saber como é que sobreviveram à população atual.

Segundo resultados obtidos, a origem da linhagem paterna é norte africana, já a materna foi praticamente substituída hoje pela européia. Investigadores da Universidade de La Laguna (ULL), do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e o Instituto de Medicina Legal da Universidade de Santiago de Compostela analisaram o cromossoma Y a partir de despojos de dentes encontrados nas ilhas.

Determinou-se uma evolução na linhagem paterna com origens da Era pré-hispânica até aos nossos dias. É de referir que apenas o DNA mitocondrial foi estudado – o que refere meramente evolução do lado materno (acreditava-se que o DNA mitocondrial era passado para a prole unicamente através da mãe, mas já foi relatado que ocasionalmente pode ser herdado a partir do pai).

Análise feita a um dente aborígene
Rosa Fregal, autora principal do artigo recentemente publicado na «BMC Evolutionary Biology», e investigadora do Departamento de Genética da ULL, explicou que “ao passo que linhagens maternas aborígenes sobreviveram subtilmente, as paternas foram progressivamente, sendo substituídas pelas européias”.

Os especialistas analisaram também uma amostra histórica de igreja La Concepción (Tenerife), cujas datas remetem para os séculos XVII e XVIII. Através deste estudo, conseguiram estabelecer o impacto da colonização européia e do comércio de escravos africano; assim como a evolução de traços aborígenes da Ilhas Canárias ou Guanches (povo nativo da região), desde a Era pré-hispânica.

Durante este período, a maior parte das relações entre o sexo masculino e feminino eram estabelecidas entre homens ibéricos e mulheres guanches, “dada a posição social dos primeiros”, avançou Fregel. Os cientistas afirmam que existia maior taxa de mortalidade nos aborígenes por serem discriminados pelos conquistadores e “não apenas durante a conquista de Castela, no século XV, mas mesmo depois”. Já no caso das linhagens sub- Saharan, “ambos os sexos eram discriminados” e traços tanto do lado materno como paterno foram diminuindo.

Mulheres com traços europeus e homens ibéricos
Traços de colonização européia

Um estudo anterior sobre o cromossoma Y na atual população das Ilhas Canárias revelou o impacto da colonização européia nos homens. A investigadora espanhola refere que foram encontrados traços “em 90 por cento”. Contudo, a análise mitocondrial do DNA demonstrou uma notável sobrevivência da linhagem aborígene, enquanto que a contribuição européia se mantinha entre os 36 e 62 por cento.

Ibéricos e europeus contribuíram fortemente para o patrimônio genético masculino da região: aumentando 63 por cento desde os séculos XVII e XVIII; por outro lado, os genes aborígenes diminuíram 31 a 17 por cento e nos genes Sub-Saharan, de seis a um por cento.

Já no caso das mulheres, a contribuição européia sobressai em maior escala do que a aborígene. Apesar dos avanços, ainda há mistérios que permanecem não resolvidos, como saber “se os primeiros habitantes vieram pelos seus próprios meios ou se foram trazidos à força, já que não há sinais de terem conhecimentos de navegação ou se vieram de uma só vez ou chegaram aos poucos”, concluiu Rosa Fregal.

Professora da UFS lança livro internacional
O lançamento foi feito em parceria com a Universidade da Carolina do Norte – EUA
22/10/2009 – 18:05
O livro ‘Vovó Nagô, Papai Branco: Usos e Abusos da África no Brasil’, da professora de Antropologia da UFS, Beatriz Góis, foi lançado em setembro de 2009 nos Estados Unidos em língua inglesa sob o título ‘Nagô Grandma and White Papa’.O lançamento foi feito em parceria com a Universidade da Carolina do Norte – EUA, foi traduzido por Stephen Berg e já recebeu comentários de pesquisadores internacionais.
O professor de História do Brasil na Universidade Estadual de Campinas, Robert Slenes, afirma que “o livro permanece surpreendentemente relevante para os debates teóricos correntes sobre essas questões bem como para a área de estudos sobre a diáspora africana”.
Já Mark Healey, professor de História na Universidade da Califórnia em Berkeley destaca: “A profundidade, a preocupação e a sofisticação da pesquisa e da análise dela (Beatriz Dantas), fizeram desse livro um modelo para a geração acadêmica brasileira. A tradução para o inglês traz para esse trabalho criativo o amplo público que ele merece”.
A obra, que inicialmente foi tese de mestrado da professora e já foi citada na bibliografia de vários cursos de graduação e pós-graduação, retrata as religiões afro-brasileiras no estado de Sergipe de uma forma inovadora, tendo como objeto de estudo um terreiro de Laranjeiras e traz um conceito moderno da pureza das religiões.
A autora do livro diz que sua obra em língua inglesa é importante porque “amplia o horizonte de discussão sobre esse tema” e acrescenta que, em português, o conhecimento ficaria muito restrito. Além disso, ressalta que sua obra influencia na divulgação da UFS no mundo através de sua produção científica.
Fonte: Ascom UFS

Ensinando aos Pequenos: de zero a três anos
Alessandra Arce e Ligia M. Martins (orgs.)
________________________________________
Editora Alínea | ISBN 978-85-7516-357-3
1ª edição – setembro/2009
210 pag. | 140 x 210 mm
________________________________________
sinopse :..
________________________________________
A criança pequenina encanta e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de educá-la a muitos assusta. É possível falar em ensino para crianças menores de três anos? A criança produz, ou não, cultura? Pode-se dar aulas para bebês? Como se desenvolve a criança pequena? Podemos interferir em seu desenvolvimento? Quem trabalha no berçário, maternal e nas creches é professor ou educador? Estas e outras questões são objeto de análises e discussões nesta obra que pretende colocar o ensino como eixo do trabalho com os pequeninos. Para tanto, os autores aqui reunidos produziram textos que servem como auxiliares no pensar e fazer cotidiano das creches e salas de educação infantil, objetivando a formação integral da criança de 6 meses a 3 anos de idade.
“Língua de criança é a imagem da língua primitiva,
Na criança fala o índio,
a árvore o vento.
Na criança fala o passarinho.
O riacho por cima das pedras soletra os meninos.
Na criança os musgos desfalam, desfazem-se.
Os nomes são desnomes.
Os sapos andam na rua de chapéu.
Os homens vestem-se de folhas de mato.
A língua das crianças conta a infância em tatibitati e gestos.”
(Manoel de Barros in “Poeminhas Pescados”, Record, 2001)

Boa Vista é porta de entrada para a Amazônia

Localizada à margem direita do Rio Branco, Boa Vista pode ser considerada a porta de entrada natural para a Amazônia e para a região onde se situam algumas das montanhas mais altas do país, como o Monte Roraima e o Monte Caburaí, o ponto mais setentrional do Brasil.

Uma paisagem recortada por rios, cachoeiras e formações rochosas compõe o cenário que abriga mais de 400 espécies de bromélias. Essas são algumas das surpresas reservadas a quem aceitar o desafio de chegar ao Monte Roraima, uma das montanhas mais antigas da terra que fica na fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.

Com 2.875 metros de altitude, essa formação teve início há cerca de 150 milhões de anos, e há séculos vem povoando a imaginação de aventureiros dispostos a tudo para chegar a seu platô. Inspirado nesse universo exótico, o escritor Conan Doyle, escreveu “O Mundo Perdido”.

No platô há uma vasta mesa de arenito de aproximadamente 40 km², coberta de blocos e montes de até 30 m que se elevam em todas as partes. Dali é possível ter a dimensão do poder do tempo, ao observar as fendas e abismos formados pela ação do vento e das chuvas. É aí que fica o vale dos cristais, onde ocorrem formações de pequenas esculturas pontiagudas de cristais.

Pergunta a um Nobel!
You Tube promove interação entre premiados
e comunidade online
Os utilizadores do You Tube têm agora a oportunidade de «Perguntar a um Prêmio Nobel» o que quiserem na página http://www.youtube.com/thenobelprize. O vencedor do Nobel da Física 2006, John Mather – um astrofísico da NASA – é o primeiro a participar e responderá a uma seleção de questões colocadas pela comunidade online.

Nobelprize.org é o nome da página oficial da Fundação Nobel (Nobel Fundation) que gere o canal The Nobel Prize YOUTUBE, e dissemina conteúdos dos seus vastos arquivos desde o primeiro tributo em 1901. Para além de espalhar informação relativa às descobertas, feitos e histórias que inspiram sobre mais destacados em cada ano, agora a entidade oferece a possibilidade, aos interessados, de poderem fazer perguntas diretamente aos premiados através do canal recentemente lançado.

John Mather, Prêmio Nobel da Física 2006, é o primeiro disponível. Este foi o primeiro investigador da NASA a receber o título, que lhe foi entregue juntamente a George Smoot pela sua descoberta pela descoberta da forma de corpos negros e da anisotropia da radiação cósmica de fundo, um trabalho importante para cimentar a teoria do Big Bang e que deu um salto importante para se poder compreender o início do Universo.

Per Gunnar Holmgren, diretor-geral do Nobelprize.org disse: “O canal You Tube Nobel Prize é um excelente fórum para promover a interação com os Nobel. E com John Mather, em particular, e com a sua investigação sobre as origens do Universo, já que uma série de questões pode ser levantada. Desta forma, aumentando o acesso aos laureados, encorajamos estudantes, educadores, investigadores e o público em geral”.

Recomeçam obras de reforma do Casarão dos Maurício

19/10/2009 – 09h47m
Depois das obras no chamado “prédio da Escola Normal/Fafil”, na Rua Coronel Celestino, 75, que abrigará o Museu regional e será sede provisória do Centro de convivência com a seca, realizadas pelo governo do estado, a prefeitura de Montes Claros iniciou uma nova etapa do processo de restauração de mais um dos imóveis tombados pelo município, conforme decreto-lei de número 1.761, de 28 de setembro de 1.999. O Casarão dos Versiani-Maurício ou Casarão dos Maurício, que fica na mesma rua, número 99, na parte histórica da cidade, terá suas obras de recuperação reiniciadas assim que for concluído o processo licitatório já em curso.
(foto: FÁBIO MARÇAL)

As obras de mais uma etapa de restauração do Casarão dos Maurício contam com recursos de R$ 375 mil, provenientes do FEC – Fundo estadual de Cultura, garantidos através da aprovação do projeto de restauração assinado pela arquiteta e urbanista Clarissa de Oliveira Neves, especializada em revitalização arquitetônica e urbana pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A expectativa é de que a empresa vencedora da concorrência seja conhecida ainda neste mês, para início imediato dos serviços.
Segundo ela, as paredes do sobrado são feitas de enchimento ou taipa, erguidas com varas e tabocas amarradas com cipó, e o espaço é preenchido com barro em mistura com esterco de gado. Os esteios são feitos de aroeira e baldrames de pau-preto ou tamboril, para apoio do assoalho.
De acordo com a viúva do sétimo herdeiro do casarão, João Valle Mauricio, a escritora Milene Antonieta Coutinho Maurício, autora do livro Patrimônio histórico de Montes Claros, a batalha pela reforma do casarão existe há muito tempo.
– O sobrado em uma época foi tombado pela prefeitura, quando Maurício ainda era vivo. Prometeram a reforma e não fizeram nada. Eles dizem que a responsabilidade de manter o sobrado é da família, só que nós não tivemos condições de fazê-la – diz Milene.
Ela diz ainda que a reforma foi idealizada pelo Fundo estadual de Cultura, sendo pouco o dinheiro enviado.
– Depois de tombado, o casarão foi desapropriado, ficando lá, parado. Então, hoje, esperamos que a reforma seja realizada e que seja transformado em um museu, com a história da cidade e dos Maurício que tanto contribuíram. Para isso, eu tenho toda a história dos Maurício para colocar lá. E se a reforma sair vai ser muito bom para o bem da cidade e o resto da história – completa.
Ela ainda revela que só foi conhecer o sobrado depois de ter se casado com João Valle Maurício, e que a reforma é de suma importância para a história de Montes Claros, pois foi construído em 1812.
No livro Serões montes-clarenses, que o falecido escritor Nelson Viana dedicou ao seu marido, ele fala sobre os velhos sobrados, o sobrado nº 99, da Rua Coronel Celestino, que é, segundo o também falecido historiador Hermes de Paula, o prédio mais antigo da cidade, e teria sido retificado por ordem do capitão Pedro José Versiani.
Como dona Milena não chegou a morar no casarão, ela só pode contar às histórias que ouvia de Dr. Maurício:
– Meu marido me contou uma história de seu avô (João Alves Maurício Versiani), que foi o terceiro morador da linha direta na casa. Quando ele se mudou para o sobrado, que foi passado de geração em geração, ele disse que iria ter 12 filhos, e colocar um rapaz em cada porta e uma moça em cada janela, e ele cumpriu a promessa. São quatro portas e oito janelas na frente da casa.
João Valle Maurício escreveu o livro Janela do Sobrado, com um poema para o casarão. Dona Milena revela estar com novo projeto:
– Meu marido gostava muito de contar as histórias do casarão, e de como eram os rapazes da época. Ele tinha uma chácara no jardim Panorama, antes conhecida como Pequi, pena que ele não concluiu todos os livros pra contar as histórias. Agora, eu estou com fotos ilustrativas que acompanham as estrofes do poema, e as fotos mostram a família e o sobrado.
PARTE DO POEMA SOBRADÃO
Velho sobradão da Rua de Baixo
Rua toda feita de saudade
Onde ficou a minha infância
E a minha mocidade
Sobradão dos meus avós
Dos pais dos meus avós
Onde meu pai nasceu
E foi meninos menino vermelho
Menino malino
Sobradão de janelas enormes,
Muitas janelas, enfeitadas de gaiolas,
e as gaiolas enfeitadas de sabiás. (…)
(…) Um dia, quando tudo passar
Você, sobradão, irá guardar
Pedaços de nossas vidas
O tom de nossas vozes
O som de nossos passos
Marcando o compasso do tempo…
São mil braços, sobradão
A desejar abraçá-lo
São mil sorrisos
Mil brinquedos quebrados
Guardados nos quartos escuros
São mil alegrias de crianças
Que com você viveram encantadas
São mil lembranças
Mil ternuras bem amadas
São mil lágrimas, mil saudades
Tudo é você, velho sobradão
É o nosso carinho
É a nossa emoção mais pura
É você, você eternamente
Vivendo nossa cidade
Sendo marco e tradição
Tudo é você
Velho e muito amado
Sobradão

Floresta Amazônica Localização

A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km². Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade. No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional. O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhão de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo.
Clima
Localizada na Região Norte do Brasil e cortada pela linha do Equador, a Amazônia tem o clima Equatorial predominante, quente e úmido, com temperaturas anuais variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC e caracterizado por umidade elevada durante todo o ano, o que favorece a formação da cobertura vegetal de floresta ombrófila (densa), com árvores de grande porte e folhagens sempre verdes. As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos do ano, provoca enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. As precipitações contribuem para a cheia dos rios e auxiliam na transformação das paisagens amazônicas no meio tempo entre a estiagem e o período de chuvas.
População
Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região. Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças. Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, o branco e o negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos. Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por Km2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos.
Economia
A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro. Ao longo da História, diversas fases marcaram o crescimento econômico da região, como o período da Borracha, na segunda metade do século XIX, quando a Amazônia presenciou um período rico e de crescimento de grandes cidades como Manaus e Belém, e durou até a década de 20. Hoje a região apresenta atividades econômicas estruturadas em um Pólo Industrial com empresas certificadas pelo nível zero de poluição, e essencial para o equilíbrio financeiro local, por meio da geração de milhares de empregos diretos e indiretos na capital e interior. O sistema de importação e exportação do Pólo Industrial de Manaus (PIM), a maior capital da Região Norte, desenvolveu os sistemas de transporte fluviais e aéreos, com base no Porto Flutuante de Manaus e no aeroporto internacional Eduardo Gomes, um dos principais terminais de carga do país. A criação da Zona Franca de Manaus representou ainda um crescimento demográfico sem precedentes na região, complementado com o grande registro de imigrantes, a atividade de garimpeiros e o êxodo rural.

Biodiversidade
A biodiversidade amazônica ainda reserva muitos segredos desconhecidos da humanidade. As florestas da região concentram 60% de todas as formas de vida do planeta, mas calcula-se que somente 30% de todas elas são conhecidas pela ciência. Quantos segredos e novas espécies de peixes, pássaros, bichos ou microorganismos ainda desconhecemos? A enorme biodiversidade conta com mais de 3 mil espécies só de árvores, por outro lado determinam a considerável fragilidade dos ecossistemas amazônicos. As árvores gigantescas – algumas com mais de 100 m de altura – vivem basicamente do húmus resultantes da vegetação em decomposição. Da variedade total de espécies animais, vegetais e das propriedades biomedicinais ainda se sabe pouco. Estima-se que a diversidade de árvores na Amazônia varia entre 40 a 300 espécies diferentes por hectare.

Culinária
A Amazônia é muito bem servida pela variedade de pratos típicos e riquíssima em sabores de influência indígena. A culinária regional destaca-se pela enorme oferta de pratos à base de peixes ou frutos existentes apenas nesta porção do planeta. Cada ingrediente quando combinado com elementos regionais ou o tempero caboclo resulta num paladar impossível de não encantar pelo exotismo do preparo. Temperos como a pimenta malagueta, pimenta de cheiro, o tucupi são essencias. Os peixes podem ser cozidos, fritos ou assados. Só é preciso escolher entre o tucunaré, o tambaqui, o jaraqui ou o bacalhau da Amazônia, o delicioso pirarucu, entre tantos outros apreciados com o complemento específico: a farinha do uarini.

Frutas tropicais
A imensa diversidade de árvores frutíferas na Amazônia permite descobrir sabores absolutamente únicos que encantam o paladar de qualquer pessoa. Aromas inusitados, sabores únicos e formas que encantam o olhar misturam-se na diversidade amazônica e fornecem energia e vitaminas a quem as consome. O Cupuaçu tem um sabor muito sutil e ímpar, e dos seus frutos pode-se extrair a polpa para fazer sucos, doces, sorvetes e outras preciosidades. O Açaí, que ficou famoso como poderoso energético, é consumido diariamente em forma de “vinho”. Já há, inclusive, registro de consumo do açaí em outros países; os frutos do açaizeiro são sovados em uma peneira e da polpa se extrai o sumo oleaginoso servido com farinha de tapioca. E a pupunha, a uva da Amazônia, com seus deliciosos frutos em cachos, protegidos por espinhos do tronco da árvore, podem ser consumidos apenas após o cozimento.

Folclore
O folclore é uma das manifestações da cultura popular. E a Amazônia têm um folclore rico com suas lendas, os mitos, as músicas populares, a poesia, as danças, que encantam e fazem parte do imaginário dos turistas e habitantes de toda a Região. As lendas amazônicas fazem parte da vida de cada morador nos mais distantes recantos verdes. Desde criança, é comum ouvir histórias como a do boto que se transforma no homem bonito e encanta as mulheres. A história da cobra-grande assusta, e para muitos é a explicação para a origem de alguns dos grandes rios. Algumas lendas contam que a floresta é habitada por seres mitológicos que a protegem da fúria de caçadores e madeireiros. A crença em entes como o curupira, a Iara, o Mapinguari, o Matinta Perera dão a idéia da magia amazônica e das raízes culturais do homem da região. O folclore reserva ainda a formação de grupos folclóricos com músicas próprias, roupas típicas, dançarinos, e ritmos contagiantes.

Artesanato
As peças que compõem o artesanato amazônico são ricas em detalhes indígenas. Cerâmica, colares, pulseiras, utensílios domésticos, e uma infinidade de outras peças decorativas podem ser apreciadas e compradas. O artesanato regional está diretamente ligado a elementos da cultura local, e até mesmo a matéria-prima utilizada para a produção das peças têm origem na floresta, como sementes, fibras, madeiras, ou a argila para compor peças em cerâmicas. Tudo aproveitado pelos artesãos com criatividade, originalidade e beleza, resultando em belos produtos para a venda. Em Manaus, é fácil encontrar produtos do tipo em feiras permanentes e diárias no centro da cidade, ou nos fins de semana, como a Feira do Artesanato, da Avenida Eduardo Ribeiro. Outras preciosidades podem ser encontradas ainda em lojas de artesanato ou à exposição em museus. As cerâmicas mais antigas de que se tem registro na Amazônia datam de cerca de 7.000 a 8.000 anos
Cultura
A Cultura amazônica recebe importante influência dos povos indígenas. O calendário de eventos das cidades da região exploram elementos como a música, as artes plásticas, o artesanato, e folclores regionais. O Boi-Bumbá de Parintins, já conquistou o prestígio internacional e todos os anos atrai milhares de visitantes para a pequena cidade do Baixo Amazonas, para assistir ao grande espetáculo que conta as lendas da Amazônia, retrabalhando os aspectos indígenas. Em Manaus, uma grande programação pode ser conferida o ano inteiro, desde o carnaval no sambódromo, em fevereiro, até o Carnaboi, em outubro, passando pelo Festival Folclórico do Amazonas, em junho. No interior, diversos municípios também realizam suas festas próprias como Manacapuru, com seu Festival de Cirandas, ou o Festival da Canção em Itacoatiara, com artistas e compositores locais. Para os admiradores de óperas e shows eruditos, durante todo o ano, o Teatro Amazonas reserva diversas montagens no belo palco do período da Borracha. O Festival Amazonas de Ópera é referência no gênero na América Latina, acontecendo nos meses de abril e maio. Há ainda diversos museus e centros culturais com exposições permanentes que contam a rica história da região.
Fonte Amazonia

Pimenteiras quer ser vista além da Amazônia
SÁB, 17 DE OUTUBRO DE 2009 12H37MIN

Cidade com turismo ainda incipiente fica no encontro de dois biomas. Índios, seringueiros e bolivianos vivem na região
PIMENTEIRAS DO OESTE, RO – Na fronteira do Brasil com a Bolívia, a 177 quilômetros de Vilhena, Pimenteiras do Oeste é uma das localidades mais antigas e a menos populosa de Rondônia. Com cerca de 2,5 mil habitantes e emancipada apenas há 14 anos, ela guarda uma série de curiosidades em sua formação histórica. Índios, bolivianos e seringueiros fazem parte do cenário desse município explorado muito aquém do seu imenso valor arqueológico e cultural.
Pimenteiras promove há dez anos o Festival de Praia, às margens do Rio Guaporé, uma festa que atrai milhares de pessoas e consta de apresentações musicais, área de camping e muita bebedeira. E se resume nisso a “agenda cultural” da cidade. Falta uma programação que valorize o ecoturismo e que seja capaz de seduzir visitantes o ano todo, em busca de gastronomia típica, artesanato, biodiversidade, religiosidade, além dos “causos” e lendas que poderiam incrementar o desenvolvimento econômico.
Pantanal e Amazônia
A natureza majestosa – que inclui dois biomas, a Floresta Amazônia e o Pantanal – atrai visitantes, mas há outros, subvalorizados. É o exemplo da festa religiosa que marca a recepção dos fiéis católicos que seguem em batelões (tipo de embarcação) a centenária procissão fluvial do Divino Espírito Santo. Trata-se de uma tradição herdada dos afro-descendentes e portugueses, atualmente reunindo brasileiros e bolivianos. No entanto, é pouco divulgada.
A cidade reúne muitos pimentenses que sabem fazer trabalhos manuais e artesanatos com traços herdados das culturas indígena, cabocla e boliviana. Ainda não existe um local para uma exposição dos produtos. Um dos que se ressentem disso é a ex-pescadora Francisca Maria Serrat, uma negra filha de seringueiros que produz colchas de retalho, bonecos de pano e pinturas com traços afros ainda não conhecidos pela própria gente do lugar.
Moradora em Pimenteiras desde os anos 1980, a boliviana Glória Miranda também personifica um pouco da diversidade cultural. Além de pães e bolachas, ela fabrica a bebida mais tradicional do Vale: a chicha original, feita à base de milho fermentado, adquirindo teor alcoólico. Na versão de Glória, é um refresco nutritivo, sem álcool, apreciado até pelas crianças.
Santo da casa não faz milagre
O empresário Renato Pereira é dono do Barco-Hotel Rei, pouco prestigiado dentro do estado, mas conhecido por turistas de diferentes regiões. “Recebo aqui gente vinda de vários lugares do Brasil e do mundo”, conta. Recentemente, um grupo de alemães se hospedou no barco, que fica ancorado em frente à Reserva Noel Kempff, na Bolívia.
O que atraiu o grupo europeu foi à grande diversidade de borboletas que ninguém das redondezas costuma notar. As vitórias-régias, tartarugas, pássaros e plantas, além dos passeios de voadeiras e a comida tradicional da região também chamaram atenção dos “gringos”.
Às vezes, seu Renato vai pessoalmente para a cozinha para agradar aos turistas, preparando o delicioso peixe Pintado, assado envolvido em folha de bananeira. Outras especiarias do município são os doces de caju e de ovo de tracajá – este, muito prestigiado pelos ribeirinhos.
Pesca
Afora o barco-hotel – possui quatro camarotes com ar-condicionado -, Pimenteiras tem outros dois hotéis e um restaurante, todos muito simples. A economia gira em torno da pesca, que aos poucos vem sendo substituída pela agricultura familiar.
O turismo ainda é incipiente e amador. Começou a surgir em meados da década de 1980, depois de uma matéria na TV Globo tratando da vastidão e da beleza do Rio Guaporé, atraindo pescadores de ocasião de todo o Brasil.
A atividade predatória e a falta de repovoação do rio acabaram trazendo danos ambientais e prejudicando os pescadores artesanais. Hoje, o que se busca é um turismo que possa “deixar as coisas em seus lugares”, comenta Renato.
Cheia de graça e de histórias
PIMENTEIRAS DO OESTE – As belezas naturais e o caráter cosmopolita de Pimenteiras somam-se às suas riquezas arqueológicas e históricas. Para se ter idéia da antiguidade dos registros, há um de 1750, dando conta que o capitão Antônio Rolim de Moura armou acampamento às margens do Guaporé durante uma viagem que ele fazia de Vila Bela da Santíssima Trindade, então capital de Mato Grosso ao Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques.
Em frente à Igreja Matriz está afixada uma cruz de bronze com escritos em alemão, datados de 1907. O artefato foi retirado da mata sob a cova de um certo Jasper Von Oertzen, que seria um missionário evangélico morto aos 32 anos. Nota-se que o local já era conhecido como “Pimenteira” (assim mesmo, no singular). Ninguém sabe ao certo a origem da denominação.
Também existem muitos resquícios dos índios Pau Cerne. Moradores encontraram vasos, urnas e outros utensílios inteiros feitos em barro. Nas proximidades do seu barco-hotel, dentro da Área de Preservação Ambiental Tamanduá, existe um cemitério abandonado. No local, foram enterrados os corpos de dezenas de aventureiros e garimpeiros.
Achar pessoas nascidas em Rondônia que tenham mais de 60 anos é uma raridade. Mas em Pimenteiras existem, relativamente, muitos deles, havendo a predominância de três genealogias: Brito Nery e Leite Ribeiro.
Fonte Amazonia

Conventinho de Itu, muito mais do que clausura

O Mosteiro Concepcionista Nossa Senhora das Mercês, ou Conventinho, há 55 anos, com a chegada da já falecida Madre Gema, produz doces, licores, geléias e vende frutas e especiarias.
DELÍCIAS ESPECIAIS

Madre Gema veio de São Paulo e com ela trouxe as receitas e uma ajuda especial do médico Archimedes Lammoglia, que doava frutas e trazia essências de uma loja paulistana, da qual chegam as encomendas até hoje.

Algumas essências da produção do licor são caseiras, como as de laranja, abacaxi e jenipapo. A calda é feita com 1 quilo de açúcar para 1 litro de água, depois se coloca a essência curtida no álcool.

A Irmã Maria Auxiliadora do Menino Jesus, que vive há 56 anos no convento, é uma das responsáveis pela coordenação da fabricação destes produtos. A maioria das frutas utilizadas para as compotas são das árvores do convento, como goiaba, acerola, banana e uva.

Em determinadas épocas, a produção aumenta, principalmente a de jabuticaba, que é usada para a produção de vinho e também de licor. Todos os produtos são vendidos na lojinha do convento, inclusive as nozes nacional ou nozes pecam, provenientes das árvores do convento.
A VIDA DAS IRMÃS

Irmã Maria Auxiliadora vive em clausura com mais 13 Irmãs. A sua vida é simples e regrada, composta de oração e devoção. As monjas vivem inteiramente segregadas do mundo, podem receber visitas em parlatórios (atrás de grades que as separam das pessoas).

O dia das irmãs começa às 5h30 da manhã, quando partem para a igreja fazer suas orações, assistem à missa e depois tomam seu desjejum. Após o café, cada irmã segue para o seu trabalho. Irmã Maria Auxiliadora trabalha na cozinha, orientando as demais, já que não consegue mais exercer tantos trabalhos devido a uma deficiência.

Às 11h, é executada uma procissão até a igreja, onde se reza pelas almas. O almoço, que é um momento sagrado para as irmãs, é feito em silêncio depois que as conselheiras benzem a mesa. As irmãs têm 30 minutos para repousar.

A tarde toda é composta por orações. A janta é considerada um “recreio” pela irmã Mª Auxiliadora, já que elas podem conversar, assistir ao telejornal e fazer suas próprias orações. Antes de se recolherem, há mais uma oração.

Os domingos são livres para que as Irmãs recebam suas famílias no parlatório, executem seus afazeres pessoais e freqüentem a missa. Na igreja do Conventinho, o andar superior foi todo cercado com grades para que as irmãs assistam à missa junto à comunidade.

Muitas pessoas não aceitam o modo de viver das monjas concepcionistas, mas assim como todos são livres para fazer suas escolhas, as irmãs fizeram a sua: viver em clausura!

Conventinho

Lilian Araujo Sartório/ http://www.itu.com.br

O Convento foi fundado em 25 de dezembro de 1.825 por Frei Inácio de Santa Justina e seu grande auxiliar foi o padre Elias do Monte Carmelo. Incorporando à ordem Imaculada Conceição em 17 de Fevereiro de 1.952, formando-se então, canonicamente Mosteiro Concepcionista.

Foi a primeira casa religiosa também o primeiro colégio para meninas. Funcionou no antigo Mosteiro já demolido, de 1.824 até 1.967, na Praça Regente Feijó. É uma obra de arquitetura moderna, do Ituano Dr. Walter Toscano.

Interpretação de textos
Irmandades ajudaram escravos a influenciar cultura e religião do Brasi
Por muito tempo os historiadores acreditaram que, depois que os portugueses trouxeram os escravos para o Brasil, destruíram totalmente os laços que eles mantinham entre si e impuseram sua cultura e religião. Contudo, uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP contribui para mostrar que essa visão tem seus erros. No inferno da sociedade escravista, as irmandades leigas – associações de devotos que não pertenciam ao clero – de negros eram um espaço onde os escravos conseguiam influenciar a cultura da colônia e preservar os próprios valores, rituais e laços de solidariedade. Nas irmandades, por meio da religião, relacionavam-se escravos africanos, escravos nascidos no Brasil, senhores e membros do clero, que participavam das reuniões. Michelle Comar, autora da tese, estudou o cotidiano dessas associações na cidade de São Paulo nos séculos XVIII e XIX. Ela pesquisou atas de reuniões, registros de contas e outros documentos no arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, no arquivo do Instituto Historiográfico e Geográfico e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, do Largo do Paissandu. As três irmandades estudadas eram as de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de São Bendito e de Santa Efigênia / Santo Elesbão. As irmandades tinham direito de falar diretamente com o rei, ter igrejas e realizarem reuniões. A Igreja Católica incentivava sua criação, porque as irmandades traziam novos fiéis, construíam e ornamentavam igrejas e arcavam com os custos de missas. Cada irmão pagava uma taxa e deveria participar das festas e cultos em honra do santo padroeiro e ajudar os outros. Senhores de escravos também contribuíam. As irmandades forneciam um espaço onde os escravos não eram vistos como simples mão de obra barata. “Eles não eram vigiados pelos senhores e podiam até mesmo falar as suas línguas nativas”, esclarece Michelle. Diferentemente do ambiente da senzala ou das missas, nas irmandades eles podiam expressar a sua fé, “colorindo-as” com tradições das suas regiões de origem, Congo e de Angola, no sudeste da África. Eles trouxeram para os rituais católicos roupas mais coloridas, cantos, danças e uma preocupação maior com a morte. Na cultura africana, o cuidado dos vivos com os mortos era muito importante. As suas almas deveriam ser homenageadas. Como um reflexo disso, as irmandades realizavam missas após morte de cada irmão e enterros bem organizados. Um outro ritual importante era a coroação dos reis e rainhas da irmandade. Esse casal, que ocupava os cargos mais importantes, era levado em um cortejo teatral pelas ruas da cidade, vestindo roupas européias e cantando e dançando segundo o ritual africano. Como a cultura do Brasil colonial era baseada na visão, essa era uma forma de influenciar a sociedade e contar a história do grupo. “Uma cultura não assimilou (engoliu) a outra. Houve uma troca entre os africanos, os nascidos no Brasil e os europeus”, esclarece Michelle. Solidariedade Por intermédio das irmandades, os escravos podiam preservar a solidariedade para com os seus iguais, um traço forte na cultura do Congo e Angola. A irmandade apoiava o irmão e, muitas vezes, sua família em ocasiões como casamentos, nascimentos e morte. “Quando um irmão ou irmã eram muito perseguidos por seus senhores, a irmandade pagava a sua alforria, libertando-o”, conta Michelle. “Não era possível lutar contra toda a sociedade escravista, mas as irmandades faziam esforços para aliviar a opressão.” Os irmãos que pagavam anuidade tinham direito a acompanhamento do caixão, um espaço no solo dos cemitérios e velas, comprados pela irmandade. “Houve um momento em que morriam tantos escravos que, algumas vezes, os senhores não os enterravam e jogavam os corpos nas frentes das igrejas”, explica Michelle. “Para aquelas pessoas, era pavoroso que um parente seu não tivesse um sepultamento”. Depois de algum tempo, as irmandades tinham uma igreja, ornamentos, os suportes para caixão, o guião (bandeira) da irmandade e o solo do cemitério. Era a garantia de que nenhum irmão ficaria sem ser enterrado. As irmandades também ajudavam a transmitir a cultura do Congo e Angola no Brasil. “Se os africanos que chegavam à colônia não tivessem um espaço para encontrar os que já estavam aqui, não haveria uma manutenção da cultura”, diz Michelle. “Poderiam, por exemplo, deixar morrer o cuidado que deveria haver com o seu irmão de nação e tribo, já que as relações estavam esfaceladas pelo tráfico”. Além disso, os africanos que chegavam primeiro ensinavam como agir no novo ambiente. As irmandades negras surgiram em cidades de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo. Muitas delas estão vivas até hoje. Em São Paulo, a irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos está ativa desde 2 de janeiro de 1711. Em 298 anos, a irmandade construiu duas igrejas: uma, no Largo do Rosário (atual Praça Antonio Prado), foi destruída pela prefeitura para virar estacionamento; a outra, no largo do Paissandu permanece de pé. A pesquisa, orientada pela professora Marina de Melo e Souza, está disponível na Biblioteca digital de Teses e Dissertações da USP.

http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/0/irmandades-ajudaram-escravos-a-influenciar-cultura-e-religiao-do-brasil-157054-1.asp

29/01/2010 |
Recife deve ganhar museu a céu aberto no Sítio da Trindade

O Sítio da Trindade deverá abrigar um grande museu arqueológico a céu aberto. Esse foi o anúncio feito pelo prefeito do Recife, João da Costa, na manhã desta sexta-feira (29), durante visita ao local. A Refinaria Multicultural que seria instalada no Sítio, no entanto, será transferida para uma outra área, também no bairro de Casa Amarela. O motivo das mudanças foi o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do departamento de arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que se mostrou contrário à construção dos dois prédios da Refinaria na área, considerada de importância histórica.

Agora, a prefeitura precisa encontrar um novo ponto para a construção da refinaria. “Já temos o dinheiro, que é o mais difícil, falta só encontrar um outro local na região e começar as obras”, afirmou João da Costa. As novas construções ocupariam cerca de 2% do total da área do Sítio e foram orçados em R$ 1,6 milhão, com recursos provenientes do Ministério da Cultura. O prefeito lembrou que apesar da mudança do projeto, as atividades culturais como oficinas de dança e música, já implantadas no Sítio da Trindade serão mantidas, principalmente em épocas festivas como São João, Natal e carnaval.

Já o sítio arqueológico continuará sendo pesquisado pela UFPE, que propõe a construção de um museu a céu aberto no local, com uma maquete gigante e placas sinalização, além de um memorial no casarão do Sítio, onde deverão ser abrigados os achados arqueológicos já encontrados. “O fortim que existia aqui e do qual achamos parte do fosso e a base das muralhas, tem importância não só para Pernambuco, mas para a história do Brasil. Foram nas batalhas de resistência contra a ocupação Holandesa travadas nessa região que começamos a formar a noção de pátria”, explicou o professor Marcos Aurélio, coordenador do departamento de arqueologia da UFPE.

Fortim – O também conhecido como Bom Jesus do Arraial ou Forte Real do Bom Jesus, no contexto da segunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), constitui-se no acampamento entrincheirado de onde o Superintendente da Guerra da Capitania de Pernambuco, Matias de Albuquerque (c. 1590-1647), organizou a resistência ao invasor neerlandês, a partir de 1630. Atualmente, todo o achado arqueológico está recolhido na UFPE e no Forte do Brum, mas ainda não está disponível para visitação.
Por Thatiana Pimentel para o DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

Resenha: O Rococó Religioso no Brasil

O livro O rococó religioso no Brasil, da historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira traz uma importante contribuição para o estudo da arte colonial brasileira. Fruto de uma pesquisa longa e dedicada, ele visa compreender melhor o estilo rococó e favorecer a sua fruição estética, reformulando seus conceitos tradicionalmente aceitos.
Myriam inicia o livro analisando a historiografia mundial, e ressalta o qual recente são os estudos sobre o rococó. O pioneiro Fiske Kimball, Phillipe Minguet, Herman Bauer, Tapié, dentre outros, foram os poucos que viram o estilo com a autonomia que lhe é própria e que ajudaram a determinar suas origens e suas características específicas. Fadado a interpretações restritivas – que, geralmente o associam ao barroco- e preconceituosas, ainda há muita coisa a ser feita . Não existe, por exemplo, uma obra de referência geral sobre o rococó internacional, contendo um panorama de toda a sua diversificação, integrada em um conjunto unitário de aspectos teóricos e específicos .
Antes de analisar o Brasil, é necessário rever os antecedentes do estilo na Europa. Com este propósito, a autora analisou a França do século XVIII e suas novas exigências de conforto e funcionalidade provenientes da alta burguesia e da nobreza. Buscava-se um ambiente de luxo refinado, sem o excessivo peso ornamental do barroco e com uma decoração leve e graciosa. Dividido em dois períodos- o Regência e o Rococó propriamente dito- o estilo trazia formas mais leves e fluidas, insinuando linhas flexíveis e quebrando a rigidez que então reinava na França. Seu repertório era formado por temas como baldaquinos, espagnolletes, asas de morcego, buquês de flores, mas o motivo principal era a rocalha- as conchas assimétricas que inclusive justificam a denominação rococó.
Elaborado inicialmente no campo das artes ornamentais, o estilo encontrou sua definição formal nas ambientações decorativas internas. Myriam definiu como sendo seus aspectos básicos: a predominância de linhas flexíveis e sinuosas que querem acabar com a lógica arquitetônica; a redução da escala e da continuidade linear da decoração; a ênfase na luz natural, distribuída de modo a iluminar todo o ambiente; o uso de espelhos e de fundos claros para ressaltar os ornatos dourados; os ambientes de esplendor decorativo e luxo refinado; a simplicidade da arquitetura externa (recusa da ostentação e volta para a interioridade das habitações) e a valorização das artes decorativas.
Devido ao seu caráter maleável, e também ao fato de não estar ligado a uma doutrina teórica sistematizada (como o barroco era ligado à Contra- Reforma), o rococó se difundiu pelo mundo., através de escolas regionais que o associavam a tradições locais. Vem daí a dificuldade de enquadrá-lo em um conjunto unitário de categorias estéticas e histórico-artísticas, tendo em vista a sua diversidade e a variedade de aspectos que assumem suas manifestações. Esta internacionalização do estilo se deu por diversos meios: o comércio de objetos e obras de arte, as viagens de artistas e, principalmente, pela divulgação em fontes impressas. Os tratados teóricos, manuais e gravuras eram usados permanentemente em oficinas e, com a ascensão do mercado editorial de livros leigos, provenientes da França e também da cidade germânica de Augsburgo, o novo repertório de temas ornamentais e os elementos constitutivos básicos do rococó foram levados para terras distantes da Europa Central, Portugal e até para a colônia brasileira , para depois serem reinventados.
O estilo teve sua origem no campo civil, tendo sido desenvolvido em um século que cultivava o racionalismo, o hedonismo e o anti-religiosismo. Poderia ele se adequar à esfera religiosa? Myriam propõe que sim ao afirmar que todos estes ideais de civilização, de certa forma, modificaram a religião católica, que criou uma concepção mais serena e positiva da fé cristã, pouco inclinada aos aspectos trágicos que apoiavam o barroco. A autora também afirma que o propalado anti-religiosismo do século XVIII, era antes um ataque às instituições da Igreja , do que à doutrina católica. Ela lembra que a Igreja crescia visivelmente – visto o grande número de construções de capelas, principalmente de Irmandades, e a força de antigas tradições cristãs de fonte medieval como a crença nos milagres e a teatralização do sagrado. Seria uma espécie de suspiro final antes da “derrocada” da religião no século XIX.
O rococó religioso vai, portanto, privilegiar uma decoração que produza uma sensação de bem estar e conforto, predispondo à oração na esperança e na alegria. Tendo em vista as restrições do estilo na França, ele vai se desenvolver principalmente na região do antigo Império Romano-Germânico, buscando como objetivo atingir a “obra de arte total”. A pintura em perspectiva nos tetos e o altar-mor eram os pontos fulgrais das composições totalizantes do estilo. Na região, a rocalha, principal tema ornamental, possuía um aspecto mais plástico e vigoroso e se encontrava em composições assimétricas e ousadas. As paredes brancas e lisas eram o pano de fundo para os ornatos dourados e refletiam a intensa luz natural provinda das numerosas janelas e dos óculos de perfis sinuosos.
Por ser um fenômeno regional, o rococó foi solidamente enraizado na cultura e na alma popular e se incorporou às tradições locais – daí a sua originalidade. Foi o que ocorreu na região da Alemanha: a maioria dos artistas eram locais, formados em oficinas e não em academias, possuíam fervor religioso e eram fortemente ligados às tradições artísticas próprias da região e ao seu tipo específico de sensibilidade estética- a autora assinala que condições semelhantes foram encontradas no Brasil, reforçando sua tese de equiparação entre rococó germânico e o luso-brasileiro.
Paralelo ao crescimento do rococó, a Itália desenvolvia e propagava o barroco tardio. Menos grandioso que a sua vertente no século XVII mas, também significativo, ele se dividia em duas tendências: a classicizante – com ênfase em aspectos grandiosos e monumentais e nas ordenações clássicas – e a borromínica – de caráter italiano, criativo e original que conjugava aspectos como a arquitetura curvilínea, a liberdade decorativa e o amplo emprego de temas borromínicos. Myriam ressalta a importância do conhecimento dos elementos essenciais dos dois estilos- barroco tardio e rococó- para poder diferenciá-los, visto que, muitas vezes, estão imbricados.
A segunda parte do livro busca fazer uma análise do rococó em Portugal e no litoral da colônia brasileira. Ao rever a historiografia nos dois países, Myriam se detém nas “graves lacunas” e nos poucos avanços dos estudos sobre o estilo. No Brasil, ela critica vários aspectos como a inexistência de uma obra de referência específica sobre o tema; a tendência a assimilar o rococó com o barroco; o reconhecimento da escola mineira e a falta de estudos sobre as demais regiões com desenvolvimento abrangente do estilo; a persistência do termo “barroco mineiro”, de cunho nacionalista e que avalia como sendo “originais” aspectos que na verdade, seriam peculariedades do rococó; a supervalorização dos artistas mestiços e a falta de estudos sobre artistas portugueses;a tendência a privilegiar a originalidade “nacional” das igrejas mineiras, justificando-a com fatores sócio-políticos; dentre outros.
Em Portugal, até a metade dos setecentos, o panorama artístico era dividido entre o Barroco tardio – predominante na era joanina- e as novas tendências do rococó internacional. O terremoto de Lisboa, em 1755, trouxe a necessidade de reconstrução da cidade, tarefa incumbida a Marquês de Pombal. Este vai adotar o modelo italiano, menos dispendioso e mais sóbrio nas chamadas igrejas pombalinas, resultantes da fusão entre a influência do barroco tardio com tradições próprias da arquitetura portuguesa. No Brasil, o pombalino atingiu principalmente as cidades portuárias, devido à facilidade de importação do estilo e também de materiais. Myriam aponta a importância da cidade de Belém, que devido a presença do arquiteto italiano Antônio José Landi, possui na cidade um acervo único no Brasil de construções do estilo barroco tardio, tanto na versão borromínica como na classicizante.
Paralelo ao modelo italiano, a partir de 1730, Lisboa começou também a receber influência do modelo francês divulgado pelo intercâmbio de artistas e pelo comércio de gravuras. O período regência teve vida longa nas decorações das construções religiosas da cidade, onde se misturou ao barroco tardio, e se definiu principalmente na talha e na azulejaria. Mais tarde, porém, o “império pombalino” não vai permitir a disseminação da decoração rococó que ficará restrita a igrejas de regiões periféricas e de menor visibilidade. A azulejaria, no entanto, vai continuar a ser um importante veículo do estilo francês, se caracterizando pelo uso da rocalha, pela assimetria e ondulação dos contornos e tendendo, com a passagem do tempo, a uma maior delicadeza e elegância. A autora assinala também o papel fundamental dos azulejos lisboetas na divulgação do repertório do rococó no Brasil.
O estilo se desenvolveu em Portugal criando escolas regionais com características específicas. As regiões de Minho – famosa pelo vigor escultórico e sua monumental decoração de fachadas- e do Porto, tiveram a maior homogeneidade e originalidade. As demais regiões- Beiras, Alentejo e Algarve também desenvolveram formas próprias da talha rococó, embora de forma heterogênea.
Subordinada ao governo absolutista português através do regime de padroado, a Igreja Católica no Brasil era a principal cliente da encomenda arquitetônica e artística no período colonial. Myriam analisa a estrutura religiosa da época e assinala o papel fundamental das irmandades leigas na estruturação da sociedade brasileira e também na promoção de novas construções a partir de 1750. Estas confrarias, buscando o status na comunidade local, tinham como desejo primeiro a construção de sede própria com decorações que seguissem a última moda dos europeus e, para isso, buscavam dinheiro sob todas as formas- anuidade dos irmãos, compra e aluguel de casas e escravos, empréstimos de dinheiro, subvenções e esmolas recolhidas na comunidade e raramente, apelavam a um apoio oficial. Com a obtenção de recursos, era hora de realizar os primeiros passos das construções:obtenção de licença oficial, compra ou concessão do terreno (geralmente as irmandades de maiores recursos financeiros obtinham os melhores terrenos urbanos), elaboração do risco e contrato da obra. A rivalidade levava, às vezes, as associações religiosas a empreendimentos muito ambiciosos, acima de suas possibilidades financeiras reais, como atesta o fato da maioria das irmandades não ter conseguido concluir as obras de decoração interna. A autora aponta para a necessidade de se estudar a vida econômica das irmandades e ordens terceiras, elemento que esclareceria aspectos fundamentais das mesmas.
São analisados também as categorias profissionais e suas condições de trabalho. Myriam assinala o papel constante e fundamental dos mestre de obras no cenário construtivo colonial. Eram eles que se responsabilizavam pela execução dos trabalhos em uma série de etapas precisas e previamente estabelecidas em contrato. São elas: alvenaria e cantaria, carpintaria, marcenaria, serralheria, talha, pintura, escultura e outras. Nas obras, existiam as mais variadas categorias profissionais, que se dividiam em: oficiais mecânicos, responsáveis pela parte estrutural da construção e que se formavam em oficinas; e os encarregados da parte ornamental- pintores, escultores, entalhadores e imaginários-que constituíam classe separada, assimilada em parte, à dos profissionais liberais. A autora também questiona o pensamento de que a penetração dos mulatos nas oficinas- apesar da proibição oficial- foi um dos principais fatores da originalidade artística do período. Segunda ela, esta originalidade seria fruto do surgimento das escolas regionais e das sintaxes produzidas na região no âmbito do barroco tardio e do rococó internacionais e não de uma questão “racial”.
O Rio de Janeiro foi, segundo Myriam, a primeira cidade brasileira a conhecer as manifestações do rococó, por volta de 1753. O estilo se desenvolveu na cidade durante quase um século, em concorrência com o pombalino e o neoclassicismo mas, infelizmente, devido à conservação inadequada e às reformas “modernizantes”, pouca coisa restou para a apreciação atual. O rococó carioca, que se desenvolveu principalmente na decoração interna, tem como principais características a inspiração nos salões de festa franceses e a delicadeza e o requinte dos motivos ornamentais. O uso de pilastras engajadas continuadas nos arcos das abobadas impossibilitou o uso de pinturas em perspectiva no teto nas igrejas da cidade. Os principais artistas do estilo, na região, foram Mestre Valentim e Mestre Inácio.
No Nordeste existiu uma escola abrangente do rococó englobando as cidades de Olinda, Goiana, Recife, João Pessoa, Natal, Marechal Deodoro e Penedo, beneficiadas pela criação da Companhia Geral do Comércio, que trouxe estabilidade econômica para a região e favoreceu a importação de modelos ornamentais. O estilo obteve grande aceitação popular e se desenvolveu não só nas decorações internas, como também nas fachadas – vide o movimento ondulatório das cornijas, os frontões tratados como formas escultóricas e o coroamento bulboso das torres. O plano decorativo era unificado e tinha dois movimentos: horizontal- pela sucessão de retábulos colaterais- e vertical- pela pintura ilusionista do forro abobadado, caracterizada pela diversidade e originalidade das composições. A região, de forte influência portuguesa, desenvolveu uma tríade nas decorações: talha/azulejo/pintura. O azulejo era uma presença constante e sua importância é fundamental na formação do gosto da população. Importados de Lisboa, eles se caracterizam pela riqueza das formas e padrões decorativos, pela ondulação dos contornos, pela pintura azul e pelo emolduramento sinuoso em rocalhas. A talha rococó possui uma grande variedade de composições que vão do padrão erudito português às manifestações de cunho popular. Myriam aponta para a necessidade de estudos sistematizados do estilo na região, visto a riqueza e a diversidade encontradas nos trabalhos e construções.
Chegando à terceira parte do livro, a autora analisa, de forma detalhada, o rococó religioso em Minas Gerais. Iniciando-se no estudo da arquitetura e decoração, ela analisa o crescimento dos centros urbanos mineiros e seu conseqüente desenvolvimento das técnicas construtivas, assimilando, por exemplo, o uso da pedra ao invés da taipa e do pau a pique. Na primeira metade do século XVIII, surgiram as matrizes de influência joanina. Somente a partir de 1760 é que as manifestações do rococó começam a aparecer tanto na arquitetura- com os traços curvilíneos- e nas fachadas, como nas decorações interiores das construções religiosas. A marca do estilo em Minas Gerais seria o uso da pedra sabão nas portadas no lugar da pedra de lioz -de difícil importação-, formando composições de incrível originalidade e a construção de torres circulares coroadas em bulbos de desenhos variados.
Myriam destaca o papel fundamental dos mestre de obras portugueses que, com sua perícia técnica, realizaram as formas curvilíneas e sinuosas que celebrizaram a arquitetura religiosa mineira e das irmandades que, segundo a autora estavam mais abertas a experiências de novas tendências e mais independentes de padrões tradicionais.
O rococó é a supremacia do ornamental sobre o construtivo e, em Minas, não foi diferente. As construções religiosas da região se assemelhavam , como já foi dito, ao modelo germânico que busca a integração unitária da decoração que o olhar abarca com totalidade. Os principais focos de atenção são o retábulo do altar mor, conduzido pelos retábulos laterais pintados de branco e ouro e a pintura do forro, conduzida pela perspectiva arquitetônica ilusionista. As paredes laterais são decoradas com painéis pictóricos de contornos sinuosos, que acompanham o desenho curvilíneo do óculo. A dificuldade de importar azulejos, tornou raro este elemento decorativo tipicamente português em Minas, mas também se criou, com isso, uma técnica de pintura que imita o azulejo e que foi usado nas decorações inclusive por Ataíde. O espaço interno da nave sofre efeitos de sinuosidade contínua com o uso de sanefas, com a movimentação das linhas de coro e das balaustradas. A autora assinala que a decadência da mineração e das Irmandades impediu que a decoração- última etapa das construções- de várias igrejas fossem concluídas.
A talha rococó em Minas se caracteriza pela variedade e originalidade das composições e possui artistas importantes com características específicas, como Francisco Servas- famoso pelo linearismo e pela ênfase no decorativismo ornamental- e Antônio Francisco Lisboa- artista de uma incrível vocação escultórica. Os retábulos começavam a ser tratados como móveis independentes, tinham a proporção alongada -criando uma impressão de atectonicidade ao se ligar às abobadas- e usavam sanefas superiores. Os elementos ornamentais eram variados, indo da rocalha, arbaletas e querubins até os anjos tocheiros de tradição portuguesa.
O complemento essencial da talha nas decorações do rococó mineiro é a pintura em perspectiva. Campo pouco explorado por pesquisadores, com exceção de Ataíde, ainda há muitos pintores com nomes pouco conhecidos, mas de importância indiscutível como João Nepomuceno Correia e Castro, Francisco Xavier Carneiro, Manuel Victor de Jesus e Joaquim José da Natividade. A pintura dos forros em Minas se destaca pela originalidade e diversidade de modelos que, ao invés de fingir um prolongamento da arquitetura real, formavam composições autônomas que emergem das cimalhas. O quadro central, por influência portuguesa, não possui perspectiva e, por isso, dá a impressão de flutuar no vazio- não seria também pelo fato do forro ser pouco abobadado?
Ao contrário do período barroco em que estas pinturas se utilizavam de pesadas tramas de perspectiva arquitetônica, de colorido sombrio em composições cerradas e com preenchimento de todos os espaços, no ciclo rococó as composições são leves e graciosas, pintadas em tonalidades claras e tendo no vazio, uma função valorativa. As regiões de Diamantina, Sabará, São João Del Rei e Ouro Preto vão possuir, cada uma, características próprias e modelos com soluções específicas, tendo, por exemplo a região de Diamantina uma forte permanência do ciclo barroco, por influência do pintor José Soares de Araújo . Assinalamos, porém, a presença do pintor Silvestre de Almeida Lopes na região que possui reconhecidas características do rococó em sua pintura.
Concluindo, a autora reafirma a coexistência nas igrejas luso-brasileiras, dos estilos barroco tardio e rococó devido à persistência de uma forte influência italiana. No caso brasileiro, Myriam acrescenta o fato do tempo histórico que condicionou a sucessão desses estilos ser relativamente breve e também a homogeneidade da cultura colonial, rigidamente enquadrada pelo catolicismo tridentino, mas será que de fato existia este enquadramento e esta homogeneidade da cultura na colônia ? É certo que podemos afirmar que a sociedade que engendrou tanto o barroco como o rococó são semelhantes de certa forma, mas os termos usados pela autora suscitam uma estaticidade questionável .
As igrejas luso brasileiras, de estruturas simples e espaços internos dinamizados pelas artes ornamentais, influenciadas pelo fazer artístico francês, germânico e italiano denotam a necessidade de se analisar os elementos específicos de cada estilo para podermos diferenciá-los e reconhecê-los. Para isso e, para conhecermos e preservarmos o nosso patrimônio é preciso, como o livro aponta, diminuir urgentemente a escassez de estudos sobre a arte brasileira. Alguns passos já forma dados e o trabalho da Myriam é uma referência importante, por trazer além de uma rica bibliografia , uma pesquisa fundamental das origens e das especificidades daquele que foi um dos principais estilos no período colonial brasileiro- enfim este é um livro que, ao mesmo tempo que é uma obra de síntese, traz uma análise cuidadosa e que atingiu o seu objetivo final.

Resenha: O Rococó Religioso no Brasil

O livro O rococó religioso no Brasil, da historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira traz uma importante contribuição para o estudo da arte colonial brasileira. Fruto de uma pesquisa longa e dedicada, ele visa compreender melhor o estilo rococó e favorecer a sua fruição estética, reformulando seus conceitos tradicionalmente aceitos.
Myriam inicia o livro analisando a historiografia mundial, e ressalta o qual recente são os estudos sobre o rococó. O pioneiro Fiske Kimball, Phillipe Minguet, Herman Bauer, Tapié, dentre outros, foram os poucos que viram o estilo com a autonomia que lhe é própria e que ajudaram a determinar suas origens e suas características específicas. Fadado a interpretações restritivas – que, geralmente o associam ao barroco- e preconceituosas, ainda há muita coisa a ser feita . Não existe, por exemplo, uma obra de referência geral sobre o rococó internacional, contendo um panorama de toda a sua diversificação, integrada em um conjunto unitário de aspectos teóricos e específicos .
Antes de analisar o Brasil, é necessário rever os antecedentes do estilo na Europa. Com este propósito, a autora analisou a França do século XVIII e suas novas exigências de conforto e funcionalidade provenientes da alta burguesia e da nobreza. Buscava-se um ambiente de luxo refinado, sem o excessivo peso ornamental do barroco e com uma decoração leve e graciosa. Dividido em dois períodos- o Regência e o Rococó propriamente dito- o estilo trazia formas mais leves e fluidas, insinuando linhas flexíveis e quebrando a rigidez que então reinava na França. Seu repertório era formado por temas como baldaquinos, espagnolletes, asas de morcego, buquês de flores, mas o motivo principal era a rocalha- as conchas assimétricas que inclusive justificam a denominação rococó.
Elaborado inicialmente no campo das artes ornamentais, o estilo encontrou sua definição formal nas ambientações decorativas internas. Myriam definiu como sendo seus aspectos básicos: a predominância de linhas flexíveis e sinuosas que querem acabar com a lógica arquitetônica; a redução da escala e da continuidade linear da decoração; a ênfase na luz natural, distribuída de modo a iluminar todo o ambiente; o uso de espelhos e de fundos claros para ressaltar os ornatos dourados; os ambientes de esplendor decorativo e luxo refinado; a simplicidade da arquitetura externa (recusa da ostentação e volta para a interioridade das habitações) e a valorização das artes decorativas.
Devido ao seu caráter maleável, e também ao fato de não estar ligado a uma doutrina teórica sistematizada (como o barroco era ligado à Contra- Reforma), o rococó se difundiu pelo mundo., através de escolas regionais que o associavam a tradições locais. Vem daí a dificuldade de enquadrá-lo em um conjunto unitário de categorias estéticas e histórico-artísticas, tendo em vista a sua diversidade e a variedade de aspectos que assumem suas manifestações. Esta internacionalização do estilo se deu por diversos meios: o comércio de objetos e obras de arte, as viagens de artistas e, principalmente, pela divulgação em fontes impressas. Os tratados teóricos, manuais e gravuras eram usados permanentemente em oficinas e, com a ascensão do mercado editorial de livros leigos, provenientes da França e também da cidade germânica de Augsburgo, o novo repertório de temas ornamentais e os elementos constitutivos básicos do rococó foram levados para terras distantes da Europa Central, Portugal e até para a colônia brasileira , para depois serem reinventados.
O estilo teve sua origem no campo civil, tendo sido desenvolvido em um século que cultivava o racionalismo, o hedonismo e o anti-religiosismo. Poderia ele se adequar à esfera religiosa? Myriam propõe que sim ao afirmar que todos estes ideais de civilização, de certa forma, modificaram a religião católica, que criou uma concepção mais serena e positiva da fé cristã, pouco inclinada aos aspectos trágicos que apoiavam o barroco. A autora também afirma que o propalado anti-religiosismo do século XVIII, era antes um ataque às instituições da Igreja , do que à doutrina católica. Ela lembra que a Igreja crescia visivelmente – visto o grande número de construções de capelas, principalmente de Irmandades, e a força de antigas tradições cristãs de fonte medieval como a crença nos milagres e a teatralização do sagrado. Seria uma espécie de suspiro final antes da “derrocada” da religião no século XIX.
O rococó religioso vai, portanto, privilegiar uma decoração que produza uma sensação de bem estar e conforto, predispondo à oração na esperança e na alegria. Tendo em vista as restrições do estilo na França, ele vai se desenvolver principalmente na região do antigo Império Romano-Germânico, buscando como objetivo atingir a “obra de arte total”. A pintura em perspectiva nos tetos e o altar-mor eram os pontos fulgrais das composições totalizantes do estilo. Na região, a rocalha, principal tema ornamental, possuía um aspecto mais plástico e vigoroso e se encontrava em composições assimétricas e ousadas. As paredes brancas e lisas eram o pano de fundo para os ornatos dourados e refletiam a intensa luz natural provinda das numerosas janelas e dos óculos de perfis sinuosos.
Por ser um fenômeno regional, o rococó foi solidamente enraizado na cultura e na alma popular e se incorporou às tradições locais – daí a sua originalidade. Foi o que ocorreu na região da Alemanha: a maioria dos artistas eram locais, formados em oficinas e não em academias, possuíam fervor religioso e eram fortemente ligados às tradições artísticas próprias da região e ao seu tipo específico de sensibilidade estética- a autora assinala que condições semelhantes foram encontradas no Brasil, reforçando sua tese de equiparação entre rococó germânico e o luso-brasileiro.
Paralelo ao crescimento do rococó, a Itália desenvolvia e propagava o barroco tardio. Menos grandioso que a sua vertente no século XVII mas, também significativo, ele se dividia em duas tendências: a classicizante – com ênfase em aspectos grandiosos e monumentais e nas ordenações clássicas – e a borromínica – de caráter italiano, criativo e original que conjugava aspectos como a arquitetura curvilínea, a liberdade decorativa e o amplo emprego de temas borromínicos. Myriam ressalta a importância do conhecimento dos elementos essenciais dos dois estilos- barroco tardio e rococó- para poder diferenciá-los, visto que, muitas vezes, estão imbricados.
A segunda parte do livro busca fazer uma análise do rococó em Portugal e no litoral da colônia brasileira. Ao rever a historiografia nos dois países, Myriam se detém nas “graves lacunas” e nos poucos avanços dos estudos sobre o estilo. No Brasil, ela critica vários aspectos como a inexistência de uma obra de referência específica sobre o tema; a tendência a assimilar o rococó com o barroco; o reconhecimento da escola mineira e a falta de estudos sobre as demais regiões com desenvolvimento abrangente do estilo; a persistência do termo “barroco mineiro”, de cunho nacionalista e que avalia como sendo “originais” aspectos que na verdade, seriam peculariedades do rococó; a supervalorização dos artistas mestiços e a falta de estudos sobre artistas portugueses;a tendência a privilegiar a originalidade “nacional” das igrejas mineiras, justificando-a com fatores sócio-políticos; dentre outros.
Em Portugal, até a metade dos setecentos, o panorama artístico era dividido entre o Barroco tardio – predominante na era joanina- e as novas tendências do rococó internacional. O terremoto de Lisboa, em 1755, trouxe a necessidade de reconstrução da cidade, tarefa incumbida a Marquês de Pombal. Este vai adotar o modelo italiano, menos dispendioso e mais sóbrio nas chamadas igrejas pombalinas, resultantes da fusão entre a influência do barroco tardio com tradições próprias da arquitetura portuguesa. No Brasil, o pombalino atingiu principalmente as cidades portuárias, devido à facilidade de importação do estilo e também de materiais. Myriam aponta a importância da cidade de Belém, que devido a presença do arquiteto italiano Antônio José Landi, possui na cidade um acervo único no Brasil de construções do estilo barroco tardio, tanto na versão borromínica como na classicizante.
Paralelo ao modelo italiano, a partir de 1730, Lisboa começou também a receber influência do modelo francês divulgado pelo intercâmbio de artistas e pelo comércio de gravuras. O período regência teve vida longa nas decorações das construções religiosas da cidade, onde se misturou ao barroco tardio, e se definiu principalmente na talha e na azulejaria. Mais tarde, porém, o “império pombalino” não vai permitir a disseminação da decoração rococó que ficará restrita a igrejas de regiões periféricas e de menor visibilidade. A azulejaria, no entanto, vai continuar a ser um importante veículo do estilo francês, se caracterizando pelo uso da rocalha, pela assimetria e ondulação dos contornos e tendendo, com a passagem do tempo, a uma maior delicadeza e elegância. A autora assinala também o papel fundamental dos azulejos lisboetas na divulgação do repertório do rococó no Brasil.
O estilo se desenvolveu em Portugal criando escolas regionais com características específicas. As regiões de Minho – famosa pelo vigor escultórico e sua monumental decoração de fachadas- e do Porto, tiveram a maior homogeneidade e originalidade. As demais regiões- Beiras, Alentejo e Algarve também desenvolveram formas próprias da talha rococó, embora de forma heterogênea.
Subordinada ao governo absolutista português através do regime de padroado, a Igreja Católica no Brasil era a principal cliente da encomenda arquitetônica e artística no período colonial. Myriam analisa a estrutura religiosa da época e assinala o papel fundamental das irmandades leigas na estruturação da sociedade brasileira e também na promoção de novas construções a partir de 1750. Estas confrarias, buscando o status na comunidade local, tinham como desejo primeiro a construção de sede própria com decorações que seguissem a última moda dos europeus e, para isso, buscavam dinheiro sob todas as formas- anuidade dos irmãos, compra e aluguel de casas e escravos, empréstimos de dinheiro, subvenções e esmolas recolhidas na comunidade e raramente, apelavam a um apoio oficial. Com a obtenção de recursos, era hora de realizar os primeiros passos das construções:obtenção de licença oficial, compra ou concessão do terreno (geralmente as irmandades de maiores recursos financeiros obtinham os melhores terrenos urbanos), elaboração do risco e contrato da obra. A rivalidade levava, às vezes, as associações religiosas a empreendimentos muito ambiciosos, acima de suas possibilidades financeiras reais, como atesta o fato da maioria das irmandades não ter conseguido concluir as obras de decoração interna. A autora aponta para a necessidade de se estudar a vida econômica das irmandades e ordens terceiras, elemento que esclareceria aspectos fundamentais das mesmas.
São analisados também as categorias profissionais e suas condições de trabalho. Myriam assinala o papel constante e fundamental dos mestre de obras no cenário construtivo colonial. Eram eles que se responsabilizavam pela execução dos trabalhos em uma série de etapas precisas e previamente estabelecidas em contrato. São elas: alvenaria e cantaria, carpintaria, marcenaria, serralheria, talha, pintura, escultura e outras. Nas obras, existiam as mais variadas categorias profissionais, que se dividiam em: oficiais mecânicos, responsáveis pela parte estrutural da construção e que se formavam em oficinas; e os encarregados da parte ornamental- pintores, escultores, entalhadores e imaginários-que constituíam classe separada, assimilada em parte, à dos profissionais liberais. A autora também questiona o pensamento de que a penetração dos mulatos nas oficinas- apesar da proibição oficial- foi um dos principais fatores da originalidade artística do período. Segunda ela, esta originalidade seria fruto do surgimento das escolas regionais e das sintaxes produzidas na região no âmbito do barroco tardio e do rococó internacionais e não de uma questão “racial”.
O Rio de Janeiro foi, segundo Myriam, a primeira cidade brasileira a conhecer as manifestações do rococó, por volta de 1753. O estilo se desenvolveu na cidade durante quase um século, em concorrência com o pombalino e o neoclassicismo mas, infelizmente, devido à conservação inadequada e às reformas “modernizantes”, pouca coisa restou para a apreciação atual. O rococó carioca, que se desenvolveu principalmente na decoração interna, tem como principais características a inspiração nos salões de festa franceses e a delicadeza e o requinte dos motivos ornamentais. O uso de pilastras engajadas continuadas nos arcos das abobadas impossibilitou o uso de pinturas em perspectiva no teto nas igrejas da cidade. Os principais artistas do estilo, na região, foram Mestre Valentim e Mestre Inácio.
No Nordeste existiu uma escola abrangente do rococó englobando as cidades de Olinda, Goiana, Recife, João Pessoa, Natal, Marechal Deodoro e Penedo, beneficiadas pela criação da Companhia Geral do Comércio, que trouxe estabilidade econômica para a região e favoreceu a importação de modelos ornamentais. O estilo obteve grande aceitação popular e se desenvolveu não só nas decorações internas, como também nas fachadas – vide o movimento ondulatório das cornijas, os frontões tratados como formas escultóricas e o coroamento bulboso das torres. O plano decorativo era unificado e tinha dois movimentos: horizontal- pela sucessão de retábulos colaterais- e vertical- pela pintura ilusionista do forro abobadado, caracterizada pela diversidade e originalidade das composições. A região, de forte influência portuguesa, desenvolveu uma tríade nas decorações: talha/azulejo/pintura. O azulejo era uma presença constante e sua importância é fundamental na formação do gosto da população. Importados de Lisboa, eles se caracterizam pela riqueza das formas e padrões decorativos, pela ondulação dos contornos, pela pintura azul e pelo emolduramento sinuoso em rocalhas. A talha rococó possui uma grande variedade de composições que vão do padrão erudito português às manifestações de cunho popular. Myriam aponta para a necessidade de estudos sistematizados do estilo na região, visto a riqueza e a diversidade encontradas nos trabalhos e construções.
Chegando à terceira parte do livro, a autora analisa, de forma detalhada, o rococó religioso em Minas Gerais. Iniciando-se no estudo da arquitetura e decoração, ela analisa o crescimento dos centros urbanos mineiros e seu conseqüente desenvolvimento das técnicas construtivas, assimilando, por exemplo, o uso da pedra ao invés da taipa e do pau a pique. Na primeira metade do século XVIII, surgiram as matrizes de influência joanina. Somente a partir de 1760 é que as manifestações do rococó começam a aparecer tanto na arquitetura- com os traços curvilíneos- e nas fachadas, como nas decorações interiores das construções religiosas. A marca do estilo em Minas Gerais seria o uso da pedra sabão nas portadas no lugar da pedra de lioz -de difícil importação-, formando composições de incrível originalidade e a construção de torres circulares coroadas em bulbos de desenhos variados.
Myriam destaca o papel fundamental dos mestre de obras portugueses que, com sua perícia técnica, realizaram as formas curvilíneas e sinuosas que celebrizaram a arquitetura religiosa mineira e das irmandades que, segundo a autora estavam mais abertas a experiências de novas tendências e mais independentes de padrões tradicionais.
O rococó é a supremacia do ornamental sobre o construtivo e, em Minas, não foi diferente. As construções religiosas da região se assemelhavam , como já foi dito, ao modelo germânico que busca a integração unitária da decoração que o olhar abarca com totalidade. Os principais focos de atenção são o retábulo do altar mor, conduzido pelos retábulos laterais pintados de branco e ouro e a pintura do forro, conduzida pela perspectiva arquitetônica ilusionista. As paredes laterais são decoradas com painéis pictóricos de contornos sinuosos, que acompanham o desenho curvilíneo do óculo. A dificuldade de importar azulejos, tornou raro este elemento decorativo tipicamente português em Minas, mas também se criou, com isso, uma técnica de pintura que imita o azulejo e que foi usado nas decorações inclusive por Ataíde. O espaço interno da nave sofre efeitos de sinuosidade contínua com o uso de sanefas, com a movimentação das linhas de coro e das balaustradas. A autora assinala que a decadência da mineração e das Irmandades impediu que a decoração- última etapa das construções- de várias igrejas fossem concluídas.
A talha rococó em Minas se caracteriza pela variedade e originalidade das composições e possui artistas importantes com características específicas, como Francisco Servas- famoso pelo linearismo e pela ênfase no decorativismo ornamental- e Antônio Francisco Lisboa- artista de uma incrível vocação escultórica. Os retábulos começavam a ser tratados como móveis independentes, tinham a proporção alongada -criando uma impressão de atectonicidade ao se ligar às abobadas- e usavam sanefas superiores. Os elementos ornamentais eram variados, indo da rocalha, arbaletas e querubins até os anjos tocheiros de tradição portuguesa.
O complemento essencial da talha nas decorações do rococó mineiro é a pintura em perspectiva. Campo pouco explorado por pesquisadores, com exceção de Ataíde, ainda há muitos pintores com nomes pouco conhecidos, mas de importância indiscutível como João Nepomuceno Correia e Castro, Francisco Xavier Carneiro, Manuel Victor de Jesus e Joaquim José da Natividade. A pintura dos forros em Minas se destaca pela originalidade e diversidade de modelos que, ao invés de fingir um prolongamento da arquitetura real, formavam composições autônomas que emergem das cimalhas. O quadro central, por influência portuguesa, não possui perspectiva e, por isso, dá a impressão de flutuar no vazio- não seria também pelo fato do forro ser pouco abobadado?
Ao contrário do período barroco em que estas pinturas se utilizavam de pesadas tramas de perspectiva arquitetônica, de colorido sombrio em composições cerradas e com preenchimento de todos os espaços, no ciclo rococó as composições são leves e graciosas, pintadas em tonalidades claras e tendo no vazio, uma função valorativa. As regiões de Diamantina, Sabará, São João Del Rei e Ouro Preto vão possuir, cada uma, características próprias e modelos com soluções específicas, tendo, por exemplo a região de Diamantina uma forte permanência do ciclo barroco, por influência do pintor José Soares de Araújo . Assinalamos, porém, a presença do pintor Silvestre de Almeida Lopes na região que possui reconhecidas características do rococó em sua pintura.
Concluindo, a autora reafirma a coexistência nas igrejas luso-brasileiras, dos estilos barroco tardio e rococó devido à persistência de uma forte influência italiana. No caso brasileiro, Myriam acrescenta o fato do tempo histórico que condicionou a sucessão desses estilos ser relativamente breve e também a homogeneidade da cultura colonial, rigidamente enquadrada pelo catolicismo tridentino, mas será que de fato existia este enquadramento e esta homogeneidade da cultura na colônia ? É certo que podemos afirmar que a sociedade que engendrou tanto o barroco como o rococó são semelhantes de certa forma, mas os termos usados pela autora suscitam uma estaticidade questionável .
As igrejas luso brasileiras, de estruturas simples e espaços internos dinamizados pelas artes ornamentais, influenciadas pelo fazer artístico francês, germânico e italiano denotam a necessidade de se analisar os elementos específicos de cada estilo para podermos diferenciá-los e reconhecê-los. Para isso e, para conhecermos e preservarmos o nosso patrimônio é preciso, como o livro aponta, diminuir urgentemente a escassez de estudos sobre a arte brasileira. Alguns passos já forma dados e o trabalho da Myriam é uma referência importante, por trazer além de uma rica bibliografia , uma pesquisa fundamental das origens e das especificidades daquele que foi um dos principais estilos no período colonial brasileiro- enfim este é um livro que, ao mesmo tempo que é uma obra de síntese, traz uma análise cuidadosa e que atingiu o seu objetivo final.

17 de janeiro de 2010.
NABUCO
A lista de desafetos incluia até José de Alencar
Com quase 1,90 m de altura, vastos bigodes terminados em arabescos, olhos claros e uma oratória imbatível, Joaquim Nabuco ganhou o apelido de “Quincas, o Belo”. Para a autora do perfil “Joaquim Nabuco” (2007), de Ângela Alonso, um dos raros livros biográficos desde o clássico escrito pela filha do abolicionista, Carolina, o porte aristocrático determinou a posição eminente dele na campanha iniciada em 1880. Mas, como se vê nos diários e nas cartas recentemente trazidos à luz, Nabuco trabalhou duro pela causa, inclusive em países como Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, e entendeu como poucos a importância de não atrelá-la a agendas políticas.

Monarquista, ele sabia que a demora em decretar a abolição estava custando à credibilidade do regime de dom Pedro 2º. Mas deixou de lado a conjuntura para lutar por aquilo que julgava acima de paixões partidárias: a primeira e a última razão para liquidar a escravidão era a “dignidade humana”.

Formado em direito em São Paulo e Recife, fluente em inglês e francês, jovem poeta e crítico que comprou briga até com o consagrado José de Alencar, Nabuco decidiu aos 30 anos que se concentraria na luta pela abolição. Mesmo sem dinheiro, que vinha de outro líder do movimento, André Rebouças, Nabuco fez o possível para transformar suas idéias em lei. Vitorioso, partiu para outro campo em que se destacou com igual brilho: a literatura. Com sua prosa ao mesmo tempo maviosa e contundente, nostálgica e idealista, escreveu livros como “Um Estadista do Império”, sobre a carreira de seu pai, o senador Thomaz Nabuco de Araújo, e outros funcionários públicos de alto escalão e padrão que se destacaram no Legislativo e no Executivo, e “Minha Formação”, memórias que misturam reminiscências da infância com viagens de esteta e a campanha da abolição.

Fez ainda livros de ensaio político, como “Balmaceda”, sobre o Chile, e “Pensamentos Soltos”, com aforismos que evidenciam seu apego à religião católica. No último decênio de vida, voltou à esfera pública ao se tornar embaixador do Brasil em Washington, onde fez um trabalho de aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Foi, enfim, essa raríssima figura de homem público que ficou acima de rótulos ideológicos e escreveu prosa de primeira grandeza.

Portal de Periódicos da Capes: Saiba como fazer o acesso remoto

16 de janeiro de 2010
PUC Minas – Já está disponível no site da Biblioteca Padre Alberto Antoniazzi as instruções para o acesso remoto ao Portal de Periódicos da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. O portal oferece acesso livre e gratuito para os usuários das instituições participantes aos textos completos de artigos de mais de 15 mil revistas nacionais e internacionais, além de 126 bases de dados com resumos de documentos em todas as áreas do conhecimento

1860: Siemens instala cabo submarino entre Egito e Índia

Werner von Siemens foi o responsável pela colocação do cabo submarino
No dia 14 de janeiro de 1860, o empresário alemão Werner von Siemens completou a instalação de um cabo submarino entre o Egito e a Índia.

A transmissão de informações, em meados do século 19, era um exercício de paciência. Uma carta remetida de Londres, por exemplo, demorava 30 dias para chegar a Calcutá. Essa situação, porém, foi revolucionada pela telegrafia.
Mesmo assim, críticos previam a falência da Newall e Cia. – empresa responsável pelo projeto. O cabo submarino entre a Inglaterra e os Estados Unidos acabara de sofrer um colapso após o envio de apenas alguns telegramas. Segundo especialistas, a pressão da água nas profundezas do mar, com o tempo, rompia o material de isolamento usado nas linhas telegráficas.
Precursor da Siemens
A Newall, porém, ignorou os argumentos dos pessimistas, convicta de que estava embarcando num negócio lucrativo. O emergente comércio mundial exigia informações rápidas. A obra foi acompanha pelo maior especialista em telegrafia da época, o engenheiro Werner von Siemens (1816-1892), um dos precursores da Siemens. O inventor do telégrafo de ponteiro (quadrante) deveria supervisionar a instalação do cabo e testar seus equipamentos.
Segundo Wolfgang Wengel, do Museu da Comunicação de Berlim, os operários ingleses zombavam do antipático Siemens, dizendo que o projeto era uma “asneira científica”. O cabo submarino foi estendido com incrível precisão e rapidez, mas o primeiro trecho através do Mar Vermelho teve problemas iniciais de operação.
Depois de descobrir e eliminar o defeito, Werner von Siemens entregou a supervisão final ao amigo William Meyer. O arquivo histórico da Siemens, em Munique, não registra uma data exata para a conclusão dos trabalhos, mencionando janeiro/fevereiro de 1860 como referência.
Naquela época, telegrafar era um privilégio de grandes empresários e dos governos. A Newall, no entanto, não lucrou muito com o cabo índico. Segundo Wengel, a ligação funcionou satisfatoriamente durante apenas cinco anos. Depois de sofrer as primeiras grandes danificações, o cabo foi abandonado. Era impossível arrancá-lo do fundo do mar, devido ao peso das colônias de corais presas a ele.
Telefonia e cabo óptico
O megaprojeto seguinte foi o cabo telegráfico estendido em 1870, entre a Índia e a Europa – quase exclusivamente em terra firme. Com ele, o tempo de transmissão de uma mensagem entre Londres e Calcutá foi reduzido para apenas alguns minutos. No século 20, porém, a telegrafia foi sendo substituída pela telefonia.
Desde a ascensão da internet e a liberalização do mercado mundial das telecomunicações, os antigos cabos submarinos de cobre passaram a ser substituídos por uma nova tecnologia: a fibra óptica.

Ralf Geissler (gh)