História do Brasil


Fóssil de pliossauro encontrado na costa britânica
2009-10-27

Pelas dimensões do crânio do pliossauro,
supõe-se que conseguiria engolir
um homem de uma só vez
Foi descoberto o crânio fossilizado de uma criatura marinha gigante na costa jurássica da Grã-Bretanha. Trata-se de um predador da família dos pliossauros, que viveu nos oceanos há 150 milhões de anos. O fóssil encontrado tem 2,4 metros de comprimento e, segundo os especialistas, poderá pertencer a um dos maiores pliossauros já encontrados, com 12 toneladas e 16 metros de comprimento.

O paleontólogo David Martill, da universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, explicou que esta espécie é um tipo de plesiossauro, um grupo de répteis aquáticos com pescoços curtos e cabeças de dimensões gigantes, semelhantes às dos crocodilos, com mandíbulas fortes e dentes grandes e afiados.

O crânio do pliossauro encontrado está em bom estado de conservação, ao contrário do que é habitual neste tipo de fósseis, que normalmente são achatados. “Fantástico neste novo crânio, além do tamanho, é o fato de estar em três dimensões e sem distorções”, explicou Richard Forrest, especialista em plesiossauros.

Os investigadores acreditam que o resto do corpo do animal ainda se encontra na mesma região, soterrado nas rochas. Contudo, segundo os mesmos, seriam necessárias décadas para encontrá-lo.

Os investigadores preferiram não divulgar com precisão o local onde o fóssil foi descoberto, de forma a que a zona, que é instável e propicia a desmoronamentos, não seja explorada por outras pessoas. Contudo, foi revelado que o artefacto foi encontrado ao longo da Costa britânica, uma faixa de 150 quilómetros entre Dorset e East Devon, onde já foram descobertos outros fósseis com até 185 milhões de anos.

O fóssil foi comprado pelo governo de Dorset e será analisado cientificamente, para depois ser exposto ao público no museu do condado.

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Aventuras para praticantes de trekking

Rio – Adeptos de trekking — caminhada em circuito pré-estabelecido através de trilhas naturais — estão sempre em busca de roteiros radicais. Para ajudar os amantes do esporte, o site ‘Trekker’ dá dicas de passeios ecoturísticos, ajuda a montar a viagem em equipe e tem informações úteis para quem deseja se aventurar na modalidade.

Para quem planeja uma viagem e está à procura de imóveis para venda, aluguel ou temporada, a dica é acessar o ‘Imóveis Já’. É só digitar o destino desejado e pesquisar os anúncios divulgados.

Já o ‘E-Coasters’ é para quem quer fortes emoções nos parque de diversões da Europa. O site permite ao usuário conhecer e experimentar as numerosas atrações presentes nos diversos centros de lazer europeus, através de vídeos interativos. Superbacana!
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Belo Horizonte tem riqueza histórica, natureza abundante, sem falar na saborosa culinária

Belo Horizonte (MG) – Considerada por alguns como a cidade que oferece a melhor qualidade de vida da América Latina, com 32 m2 de área verde por habitante, Belo Horizonte é calma e organizada, diferentemente do caos urbano que é, às vezes, São Paulo, e mesmo o Rio de Janeiro. Fundada em 1897, nas primeiras horas da República, a capital das Minas Gerais, planejada, limpa e bem policiada, exibe sua modernidade em vários pontos da cidade.

Belos jardins e fontes destacam-se na Praça da Liberdade, no Centro, que ainda é rodeada pelo Palácio da Liberdade, sede do governo do estado, e abriga o Edifício Niemeyer
As jóias da arquitetura modernista, projetadas por Oscar Niemeyer, são um excelente exemplo disso, e um contraste interessante e agradável com as cidades barrocas do estado. Belo Horizonte é quase uma cidade de passagem, mas os que por ali passam e se detém, ficam agradavelmente surpresos com o que a cidade tem a oferecer em termos de cultura e gastronomia. BH, para os íntimos, tem ainda excelente vida noturna, sendo considerada a cidade brasileira com maior número de bares por habitante. Além de tudo isso, ainda pode se orgulhar de sua mais simpática característica: a hospitalidade do seu povo.
UM POUCO DE HISTÓRIA

Belo Horizonte surgiu do antigo sonho, desde o tempo da Inconfidência, de mudar a capital do estado, antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), num local mais moderno e condizente com a grandeza do estado. Após longos debates no Congresso Mineiro, decidiu-se, em 1893, construir a capital do Estado de Minas Gerais na região do Curral Del Rei, já habitada desde o início do século XVIII. A capital, inicialmente chamada de ‘Cidade de Minas’, foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897.
O QUE FAZER E VER
MUSEU DE ARTES E OFÍCIOS. Pça Rui Barbosa. Tel.: (31) 3248-8600. Ter, qui e sex, 12h/19h; qua, 12h/21h; sáb, dom e feriados, 11h/17h. R$ 4 e R$ 2. (qua, 17h/ 21h e sáb: entrada gratuita para todos). Inaugurado em 2006, o museu, primeiro do gênero no Brasil, ocupa uma parte da Estação Ferroviária (1924), elegante estação central de Belo Horizonte, ainda em funcionamento. O museu convida a uma impressionante imersão no mundo pré-industrial. São 2.200 peças e utensílios de diversas profissões brasileiras desde o séc. XVIII (cerâmica, carpintaria, ourivesaria…).

PARQUE MUNICIPAL. Av. Afonso Pena. Tel.: (31) 3277-4467. Ter a dom, 6h/18h. Tão antigo quanto a cidade, o Parque Municipal é um dos maiores parques de Belo Horizonte e é bastante freqüentado. Tem um orquidário, jardins e lago. Na entrada do parque está o Palácio das Artes, principal centro cultural da cidade, com teatro, cinema, galerias de arte e cafeteria.

MERCADO CENTRAL. Av. Augusto de Lima 744. Tel.: (31) 3274-9434. Seg a sab, 7h/18; dom, 7h/13h. O mercado ocupa um prédio de 1929. Tem galinha, aquário, papagaio, cestaria, artesanato, flores, queijos, cachaças, carnes, legumes, plantas medicinais e etc. O ambiente é animado e perfumado. Aproveite para almoçar por lá.

PRAÇA DA LIBERDADE. Com seus belos jardins e fontes, a praça constitui o centro administrativo da cidade. Ao redor, fica o Palácio da Liberdade, sede do governo do estado. Sua decoração lembra algumas edificações francesas. A praça abriga também o Edifício Niemeyer (1954), com seu famoso desenho que parece uma ameba e é conhecido como o Copan de BH. Aos domingos, a praça fica bastante animada quando tem shows de música.

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E JARDIM BOTÂNICO. Rua Gustavo da Silveira 1035, Santa Inês. Tel.: (31) 3482-9723. R$ 3. Ter a sex, 8h/11h30 e 13h/16h; sáb e dom, 10h/16h. O museu tem um acervo formado por coleções de mineralogia, arqueologia, botânica e paleontologia. Visite também o Jardim Botânico, suas estufas, sementeiras e horto.

MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO. Av. Prudente de Morais 202, Cidade Jardim. Tel.: (31) 3277 -8573. Ter a dom, 10h/17h; qui, 10h/20h. Possui um pequeno acervo com coleções de pinturas, esculturas, artes decorativas, fotos e objetos do séc. XIX. O anexo acolhe exposições temporárias e uma interessante apresentação, com fotos e mapas, da história da cidade. O coração do museu, a Fazenda do Leitão (1883), de arquitetura típica das fazendas coloniais das Minas Gerais, abriga diversos objetos de época (arte sacra, uniformes, armas). No jardim estão expostos um antigo bonde e uma locomotiva à vapor, utilizada na época da fundação de Belo Horizonte.
PAMPULHA
Fica a 12 km ao norte do centro de Belo Horizonte. É melhor ir de carro ou de táxi para visitar os diferentes locais. A lagoa artificial de Pampulha foi criada entre 1940 e 1942, a pedido de Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, e encomendada aos melhores profissionais da época, no Brasil: o arquiteto Oscar Niemeyer, o paisagista Burle Marx, o pintor Cândido Portinari, os escultores Ceschiatti, Zamoiski e Pedrosa. A lagoa não se presta a atividades náuticas e o passeio é feito em torno dela, pela Av. Octacílio Lima. O conjunto compreende um jardim botânico e um parque ecológico.

MUSEU DE ARTE DE PAMPULHA. Av. Otacílio Negrão de Lima 16.585, Pampulha. Tel.: (31) 3277 -7946. Ter a dom, 9h/19h. Elegante, o prédio mistura linhas horizontais e verticais, curvas e ângulos retos. A grande janela envidraçada distribui generosamente a luz natural. Construído inicialmente para ser um cassino, foi convertido em museu depois da proibição oficial do jogo (1946). O museu apresenta coleções de arte contemporânea e acolhe regularmente, exposições temporárias.

IGREJA SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Av. Otacílio Negrão de Lima s/n°, Pampulha. Tel.: (31) 3427 -1644. R$ 2. Para maiores de 65 anos: R$ 1. Esta jóia, assinada por Niemeyer, é um dos símbolos do modernismo brasileiro. Pousada na margem direita da lagoa de Pampulha, a igreja, com sua delicada e curvilínea silhueta, coberta de cerâmica azul, surpreende por sua pequena estatura. No interior, 14 painéis representam a via sacra e a vida de São Francisco de Assis, pintados por Cândido Portinari. A área em torno da capela tem jardins projetados por Burle Marx.

CASA DO BAILE. Av. Otacílio Negrão de Lima 751, Pampulha. Tel.: (31) 3277-7443. Ter a dom, 9h/19h. Inaugurada em 1943, a casa sediou, durante muitos anos, as festas da elite de BH. Sua fachada é interessante, pois sugere a continuidade da lagoa. Atualmente, é um anexo do Museu de Arte de Pampulha.

IATE TÊNIS CLUBE. Av. Otacílio Negão de Lima 1350, Pampulha. Tel.: (31) 3490-8400. Ter a sex, 8h/18h. A estrutura original é tombada pelo patrimônio estadual e nacional. O paisagismo é de Burle Marx e tem um painel produzido pelo artista Cândido Portinari.
PASSEIO A SABARÁ
A 20 km da capital mineira. Esta grande vila adormecida à sombra de Belo Horizonte esconde suntuosas igrejas barrocas, que vale a pena conhecer, entre outros monumentos igualmente interessantes.

IGREJA Nª Sª DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SÉC XVIII). Olhando as ruínas da igreja, não dá para imaginar o que há por trás das paredes de pedra sem reboco, a céu aberto. A obra foi abandonada no meio da construção, quando foi declarada a abolição da escravatura, em 1888. A muralha protege antiga capela de taipa, de 1713. Na sacristia está o Museu de Arte Sacra, com peças dos séculos XVIII e XIX.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NªSª DO CARMO (1763 – 1818). Ter a sáb, 9h/11h30, 13h/17h30. Dom, 13h/17h. Trata-se da única igreja de Sabará onde Aleijadinho contribuiu, com a execução do frontispício.
MUSEU DO OURO. Ter a dom, 12h/17h. Antiga Casa de Intendência e Fundição, o Museu do Ouro é um belo e autêntico exemplar da arquitetura colonial do século XVIII. O museu expõe incrível coleção de móveis, peças religiosas e utensílios ligados ao trabalho de mineração (ferramentas, cofres, balanças…).

IGREJA MATRIZ DE NªSª DA CONCEIÇÃO (1710). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A fachada construída em pedra e cal guarda um interior suntuoso, com talhas douradas nos altares, nas colunas e nos arcos. Belíssimos, também, os detalhes orientais no retábulo dourado e vermelho da Capela do Santíssimo. A pia batismal, em pedra sabão, é obra de Aleijadinho.

IGREJA DE NªSª DO Ó (1720). 9h/17h. Fim de semana, 9h/12h e 14h/17h. A igreja de Nossa Senhora do Ó em Sabará é pequena e tem uma aparência singela, com a sua fachada simples. No interior, é esplendorosa, com uma decoração riquíssima. Suas talhas douradas são uma das obras primas da arte barroca das Minas Gerais. As pinturas, com temas chineses em ouro, sobre vermelho e azul, lembram as lacas do oriente.
COMPRAS
FEIRA DE ARTE E ARTESANATO. Av. Afonso Pena. Dom, 8h/14h. Com 3 mil expositores e 80 mil visitantes, é o mais importante mercado de rua da América Latina. Lá se vende de tudo: bijuterias, enxoval para bebê, objetos de decoração, sapatos, roupas, entre tantas outras coisas.
FEIRA DE TOM JOBIM. Avenida Bernardo Monteiro, Centro. A feira acontece aos sábados, com 85 expositores que vendem antiguidades e vários outros objetos, além das comidas e bebidas típicas.
NOITE
A vida noturna em Belo Horizonte é bastante animada. As opções vão desde shows e boates até a mais tradicional música ao vivo. Há uma infinidade de bares por lá. O centro é zona boêmia, enquanto a Savassi é tradicional ponto de encontro. Cafés, restaurantes, choperias e pubs movimentam também os bairros de São Pedro, Santo Antonio e Lourdes.

Mais antiga representação humana tem 35 mil anos
2009-05-14

© Universidade deTübingen
A Vénus de Hohle Fels veio retirar o lugar de representação humana mais antiga à Vénus de Willendorf, descoberta na Áustria em 1908 e que tem 28 mil anos. A nova figura feminina tem 35 mil anos, foi descoberta em Setembro de 2008 na Alemanha e tem as proporções dos caracteres sexuais femininos ainda mais exageradas.
Nicholas Conard, investigador da Universidade de Tubinga, Alemanha, afirmou em um artigo publicado na Nature que, “não há nenhuma dúvida de que a representação de um peito aumentado, das nádegas e genitália acentuadas resulta de um exagero deliberado das características sexuais da figura”.

A nova Vénus foi descoberta nas grutas de Hohle Fels em estratos do Paleolítico Superior, que coincide com poucos milhares de anos depois dos primeiros Homo sapiens (o homem moderno), terem colonizado a Europa. A escultura tem menos de seis centímetros e 33 gramas é atualmente a representação mais antiga de arte figurativa.
As populações humanas que habitavam o centro da Europa há 35 mil anos, eram sociedades de caçadores/recolectores segmentadas em grupos de 25 pessoas, com ritmos de deslocação certos e que trocavam freqüentemente idéias, objetos e experiências.
Calcula-se que tenha sido neste contexto que a Vénus de Hohle Fels foi esculpida, mas continua a ser controverso, para os investigadores, o porquê da sexualidade feminina surgir de forma exacerbada.
Como a Vénus de Willendorf, não são só certas características que estão sobrevalorizadas, partes anatômicas como os pés e pernas são minimizadas. A cabeça, neste caso, transforma-se num pequeno anel que parece servir para pendurar o objeto.
Uma das características destas figuras é a representação da gordura. Muitas vezes é tão realista que os investigadores defendem que quem esculpiu terá de ter visto alguém com um nível de obesidade raro nestas sociedades.

Pergunta a um Nobel!
You Tube promove interação entre premiados
e comunidade online
Os utilizadores do You Tube têm agora a oportunidade de «Perguntar a um Prêmio Nobel» o que quiserem na página http://www.youtube.com/thenobelprize. O vencedor do Nobel da Física 2006, John Mather – um astrofísico da NASA – é o primeiro a participar e responderá a uma seleção de questões colocadas pela comunidade online.

Nobelprize.org é o nome da página oficial da Fundação Nobel (Nobel Fundation) que gere o canal The Nobel Prize YOUTUBE, e dissemina conteúdos dos seus vastos arquivos desde o primeiro tributo em 1901. Para além de espalhar informação relativa às descobertas, feitos e histórias que inspiram sobre mais destacados em cada ano, agora a entidade oferece a possibilidade, aos interessados, de poderem fazer perguntas diretamente aos premiados através do canal recentemente lançado.

John Mather, Prêmio Nobel da Física 2006, é o primeiro disponível. Este foi o primeiro investigador da NASA a receber o título, que lhe foi entregue juntamente a George Smoot pela sua descoberta pela descoberta da forma de corpos negros e da anisotropia da radiação cósmica de fundo, um trabalho importante para cimentar a teoria do Big Bang e que deu um salto importante para se poder compreender o início do Universo.

Per Gunnar Holmgren, diretor-geral do Nobelprize.org disse: “O canal You Tube Nobel Prize é um excelente fórum para promover a interação com os Nobel. E com John Mather, em particular, e com a sua investigação sobre as origens do Universo, já que uma série de questões pode ser levantada. Desta forma, aumentando o acesso aos laureados, encorajamos estudantes, educadores, investigadores e o público em geral”.

Num prato de feijão, parte da história do Brasil

Rio – Presente nas mesas da alta sociedade e da classe média, nas tardes festivas de escolas de samba e favelas, o feijão, estrela da culinária brasileira, já foi esnobado pelas elites. Demorou para o grão passar pela goela dos mais ricos, que chegaram a comê-lo escondido por ser considerado ‘comida de pobre’.

A elite mudou de roupa, copiando o francês, mas não mudou o gosto alimentar. Foi a vitória da feijoada!”, exalta o pesquisador visitante do Departamento de Geografia da UFF, Almir Chaiban, que fez pesquisa sobre a história do grão desde 1808 até hoje, com apoio da Faperj.

Atualmente, a mistura de feijão com carnes, especialidade carioca, freqüenta todas as mesas. Sexta-feira, é difícil encontrar em restaurantes, chiques ou ralés, quem resista ao cheirinho do caldo negro fumegante.
Para o cozinheiro Rodrigo Mota Adão, 35 anos, o sucesso da comida vem de véspera.
“A boa feijoada começa a ser preparada um dia antes, com o corte certo dos miúdos e retirada da quantidade exata de sal da carne seca”, ensina o mestre-cuca do restaurante Bandeira F.C., na Praça da Bandeira, onde os amantes do prato fazem fila até a calçada.
Mas nem sempre a feijoada saboreou tanta popularidade. Chaiban diz que no início do século 19, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio, a nobreza começou a comer a iguaria de forma velada. Só pobre era visto degustando o prato. O pintor francês Jean-Baptiste Debret descreveu, em relatos de viagem ao Brasil, que comerciantes comiam feijão com carne seca e farinha, ardendo de pimenta, escondidos no fundo de seus estabelecimentos.

Gradativamente, a feijoada passou dos fundos da cozinha para a sala de jantar. Em 1830, já estava na mesa de ricos e pobres todos os dias. E ganhou o mundo. Mas há quem diga que nada supera a receita carioca.
“A feijoada de São Paulo não é a mesma coisa. Alguém do Rio tinha que ensinar a eles”, provoca o gerente comercial Carlos Alberto Corrêia, 57.
Feijoada surgiu entre ricos
O historiador Chaiban derruba a lenda de que foi nas senzalas que a feijoada nasceu, feita por escravos com restos de carnes desprezados na Casa Grande. “Surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Eles comiam uma feijoada mais incrementada e os pobres, feijão ralo, com pequenos pedaços de carne seca ou toicinho”, explica.

Nessa semana, outro estudo sobre o grão, feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor, mostrou má qualidade do feijão brasileiro. Insetos e larvas vivas foram encontrados em 20% das amostras avaliadas.
Fonte Dia

Primeiros habitantes das Ilhas Canárias eram berberes
Estudo luso-espanhol publicado na BMC Evolutionary Biology
2009-10-22

Origem evolutiva da população das Ilhas Canárias
Uma equipa de investigadores portugueses, liderados por António Amorim, do IPATIMUP, e espanhóis levou a cabo um estudo genético molecular sobre o cromossoma Y (que define o sexo masculino), na comunidade aborígene das Ilhas Canárias, para determinar a sua origem e saber como é que sobreviveram à população atual.

Segundo resultados obtidos, a origem da linhagem paterna é norte africana, já a materna foi praticamente substituída hoje pela européia. Investigadores da Universidade de La Laguna (ULL), do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e o Instituto de Medicina Legal da Universidade de Santiago de Compostela analisaram o cromossoma Y a partir de despojos de dentes encontrados nas ilhas.

Determinou-se uma evolução na linhagem paterna com origens da Era pré-hispânica até aos nossos dias. É de referir que apenas o DNA mitocondrial foi estudado – o que refere meramente evolução do lado materno (acreditava-se que o DNA mitocondrial era passado para a prole unicamente através da mãe, mas já foi relatado que ocasionalmente pode ser herdado a partir do pai).

Análise feita a um dente aborígene
Rosa Fregal, autora principal do artigo recentemente publicado na «BMC Evolutionary Biology», e investigadora do Departamento de Genética da ULL, explicou que “ao passo que linhagens maternas aborígenes sobreviveram subtilmente, as paternas foram progressivamente, sendo substituídas pelas européias”.

Os especialistas analisaram também uma amostra histórica de igreja La Concepción (Tenerife), cujas datas remetem para os séculos XVII e XVIII. Através deste estudo, conseguiram estabelecer o impacto da colonização européia e do comércio de escravos africano; assim como a evolução de traços aborígenes da Ilhas Canárias ou Guanches (povo nativo da região), desde a Era pré-hispânica.

Durante este período, a maior parte das relações entre o sexo masculino e feminino eram estabelecidas entre homens ibéricos e mulheres guanches, “dada a posição social dos primeiros”, avançou Fregel. Os cientistas afirmam que existia maior taxa de mortalidade nos aborígenes por serem discriminados pelos conquistadores e “não apenas durante a conquista de Castela, no século XV, mas mesmo depois”. Já no caso das linhagens sub- Saharan, “ambos os sexos eram discriminados” e traços tanto do lado materno como paterno foram diminuindo.

Mulheres com traços europeus e homens ibéricos
Traços de colonização européia

Um estudo anterior sobre o cromossoma Y na atual população das Ilhas Canárias revelou o impacto da colonização européia nos homens. A investigadora espanhola refere que foram encontrados traços “em 90 por cento”. Contudo, a análise mitocondrial do DNA demonstrou uma notável sobrevivência da linhagem aborígene, enquanto que a contribuição européia se mantinha entre os 36 e 62 por cento.

Ibéricos e europeus contribuíram fortemente para o patrimônio genético masculino da região: aumentando 63 por cento desde os séculos XVII e XVIII; por outro lado, os genes aborígenes diminuíram 31 a 17 por cento e nos genes Sub-Saharan, de seis a um por cento.

Já no caso das mulheres, a contribuição européia sobressai em maior escala do que a aborígene. Apesar dos avanços, ainda há mistérios que permanecem não resolvidos, como saber “se os primeiros habitantes vieram pelos seus próprios meios ou se foram trazidos à força, já que não há sinais de terem conhecimentos de navegação ou se vieram de uma só vez ou chegaram aos poucos”, concluiu Rosa Fregal.

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