A diversidade de São Paulo se estende aos seus museus

Dos tradicionais aos mais modernos e inusitados, São Paulo possui 90 museus que se destacam na grande programação cultural da cidade, a novidade é o Museu do Futebol, aberto no dia 1º de outubro.

Metade dos dez milhões de turistas que chegam à capital paulista todos os anos vêm a lazer, compras e outros fins. Para eles, a cidade conta com a maior oferta de entretenimento do Brasil e uma agenda cultural bem recheada. Segundo pesquisa da São Paulo Turismo (SPTuris – empresa de promoção turística e eventos da cidade), cerca 83% dos turistas visitam ou pretendem visitar alguns museus que a metrópole abriga.

E agora esses turistas terão mais uma opção: o Museu do Futebol, inaugurado no dia 01 de outubro de 2008. Mas São Paulo tem também o museu mais visitado do País, o Museu da Língua Portuguesa, e o de arquitetura mais arrojada, o Masp, além de alguns dos mais inusitados, como o do Relógio e o das Invenções.

São cerca de 90 opções de museus, para todos os gostos. Abaixo estão algumas sugestões.

Modernos – Desde a sua inauguração, em março de 2006, 1,3 milhão pessoas já visitaram o Museu da Língua Portuguesa. Ele é o único em todo o mundo dedicado a um idioma. É tão diferente, que até o roteiro de visitação começa pelo último andar onde o visitante tem contato com um pouco da história da língua. No segundo andar há recursos para mostrar os processos de formação das palavras e o primeiro é reservado às exposições temporárias. A mostra “Machado de Assis: mas este capítulo não é sério” ocupa esse último espaço até o dia 26 de outubro. Todo acervo é multimídia e conta com vídeo narrado pela atriz Fernanda Montenegro, tela de 106m com projeções simultâneas de filmes sobre o uso cotidiano do português e uma sala especial (Beco das Palavras) com jogo eletrônico didático sobre a origem e o significado das palavras encantam pelos recursos interativos.

Tão característico quanto o idioma é o interesse do brasileiro por futebol. E São Paulo inaugurou o único museu do mundo voltado exclusivamente para esse esporte sem ter ligação com nenhum clube específico. O Museu do Futebol promete ser um dos grandes atrativos turísticos da cidade. Seu acervo multimídia e o aspecto futurista das instalações são garantia de um ótimo passeio mesmo para os menos fanáticos pela modalidade. Três eixos norteiam a visita do museu, segundo seu curador, Leonel Kaz: “emoção, história e diversão”. Localizado em uma área de 6.900 m² embaixo das arquibancadas do Estádio Paulo Machado de Carvalho – o Pacaembu. O visitante começa o percurso no saguão de entrada, batizado como Sala do Torcedor, onde estarão reunidos objetos utilizados pelos torcedores. Na Sala Anjos Barrocos o visitante pode andar pelos lances de craques como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, Gilmar, Gérson, Sócrates, Rivelino, entre outros, que têm suas imagens exibidas em grandes telas suspensas. Personalidades como Daniel Piza, João Gordo, Marcelo Tas e Ruy Castro narraram seus gols preferidos, que poderão ser ouvidas na Sala dos Gols. Narrações originais de Ary Barroso, Fiori Gigliotti, Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral, Jorge Cury e Osmar Santos estarão disponíveis na Sala do Rádio. Tem ainda a Sala das origens, dos heróis, das Copas do Mundo, a Sala Experiência Pelé e Garrincha entre outras. No dia 1º de outubro foi aberto com a exposição “Marcas do Rei” e conta com um preço acessível de R$6.

Quem gosta de filmes, documentários, arquivos sonoros e afins não pode deixar de conhecer o Museu da Imagem e do Som (MIS). Reformado recentemente é garantia de um ótimo passeio. O acervo do MIS possui mais de 300 mil itens: fotos, filmagens, vinis e registros sonoros. Entre esses materiais podemos encontrar vídeos de Tarsila do Amaral e Tom Jobim, registros sonoros sobre a Companhia de Cinema Vera Cruz. Além disso, o museu criou uma infra-estrutura que permite que os artistas possam desenvolver seus trabalhos dentro do próprio museu.

Tradicionais – Os mais conservadores podem apreciar espaços como o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. É o único museu que tem em seu acervo uma casa do século XIX, que foi usada por Dom Pedro I. A “Casa do Grito” foi reformada recentemente, e também nela é possível ver exposições. O grande acervo do museu relacionado à Independência do Brasil tem peças como escrivaninhas, camas, banheiras e móveis em geral, vestimentas, carruagens e outros meios de transporte da época, espadas, entre outros objetos. Uma curiosidade do museu é que em sua escadaria há recipientes com amostra de água de vários rios brasileiros. Em frente fica o Parque da Independência, onde paulistanos andam de bicicleta, skate e fazem piquenique, e o Riacho do Ipiranga, onde Dom Pedro teria declarado a independência do Brasil.

Já o Museu de Arte de São Paulo (Masp) chama muito a atenção do visitante mesmo antes de entrar. Sua arquitetura é surpreendente: duas colunas sustentam o prédio, formando o maior vão livre da América Latina. Lá estão expostas obras de Rafael,Botticceli, Bellini, Rembrandt, Velazquéz, Goya, Renoir, Monet, Cézanne, Degas, Van Gogh,e outros.

A Pinacoteca do Estado também faz parte do rol dos museus mais conhecidos e tem arquitetura diferenciada, com contraste entre os tijolos de barro à mostra e elementos modernos, como elevadores em vidro e metal. Ao anoitecer é possível contemplar a belíssima iluminação externa que dá um charme todo especial ao prédio. Ao lado fica o Jardim da Luz ao lado, com esculturas, roteiro guiado e um charmoso café.

O Museu de Arte Moderna (MAM) foi criado em 1940 na ocasião da 5° Bienal de Arte de São Paulo, em 1959. Grande parte do reconhecimento da cidade no mundo se deve ao grande destaque na área cultural e a Arte Moderna tem grande importância na história do país e da cidade, pois foi aqui que ocorreu a famosa Semana de 22, que revolucionou o trabalho de artistas de várias áreas. Seu acervo que conta com obras de Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo. O museu, que fica no Parque do Ibirapuera, ainda oferece diversos cursos como história da arte, fotografia, e outros.

E o Parque do Ibirapuera ainda é endereço da Oca, um espaço projetado por Oscar Niemeyer que abriga exposições temporárias além de outros espaços também destinado a exposições e feiras. Museus como o Afro-Brasil , o Pavilhão Japonês e o Museu Arte Contemporânea (MAC) fazem parte do Parque.

Inusitados – Não são apenas grandes obras de arte que merecem estar nos museus. Na cidade das diversidades, moda, relógio, crime, óculos, invenções, tecnologia, mágica, e até voz e pessoa têm espaço garantido.

Quem gosta de roupas pode ir a Modateca e saber o que as pessoas usavam antigamente. O acervo é composto por doações efetuadas por colecionadores, profissionais de moda e pesquisadoras como Madame Marthe Monioz, que foi a principal chapeleira de origem francesa que atuou na alta-costura brasileira, e também o estilista brasileiro Walter Rodrigues.

E como ninguém está na moda se não usar um acessório legal, não deixe de visitar o Museu dos Óculos. Cerca de duzentas peças em exposição contam a história desse acessório que virou uma peça do vestuário. Modelos já usados por Débora Bloch, Jô Soares e outras celebridades podem ser encontrados no local.

Para os que querem aproveitar bem o tempo, o Museu do Relógio também é uma ótima escolha. O acervo possui cerca de 700 objetos, entre eles, uma vela que marca o tempo e a imitação do famoso relógio derretido da tela “A persistência da memória”, de Salvador Dali. O espaço existe há 33 anos, por conta da paixão do professor Dimas de Melo Pimenta, que abriu sua coleção particular ao público.

Para os mais corajosos, uma visita ao Museu do Crime é bem interessante. A vida de criminosos conhecidos como o Bandido da Luz Vermelha é abordada no Museu do Crime, localizado prédio da Polícia Civil na Cidade Universitária.

Já o Museu das Invenções, inaugurado em novembro de 1996, tem como objetivo mostrar o quanto a ciência pode ser divertida. Lá o visitante encontra palito de dente com aroma e sabor, óculos com funil para colocar colírio, boné com cano para assoprar os olhos para tirar cisco e outras idéias inusitadas.

Uma conseqüência das invenções mais inusitadas é o avanço tecnológico. No Museu da Tecnologia, por meio de exposições, mostras tecnológicas, congressos, seminários, cursos, convenções, fóruns e workshops, o visitante pode perceber as principais avanços dessa área no Brasil e no mundo.

E muito antes de entendermos as grandes inovações como tecnologia os mágicos já surpreendiam e encantavam com seus truques. No Museu de Arte Mágica os curiosos encontram um acervo com 500 objetos e aparelhos de mágica e 500 vídeos que contam a história dessa misteriosa maneira de divertir.

E se muitos truques não podem ser contados, podemos compensar esse silêncio visitando outro museu bem diferente, o Museu da Voz, que conta com um acervo de cerca de três mil vozes, entre gravações, músicas, cantos, sons diversos e efeitos sonoros. A coleção inclui cantos de pássaros, sons das Copas do Mundo e raridades como a primeira voz humana gravada em 1887, que pertence a Thomas Edison.

Depois de passar pelo Museu da Voz, nada melhor que saber um pouco mais sobre a história de quem tem o que dizer. O Museu da Pessoa, por sua vez, é um museu virtual que teve início em 1991 com o objetivo de construir uma rede internacional de histórias de vida. Para manter viva essa idéia, o museu ganhou em 2007 um espaço aberto para receber visitas. É só marcar um horário e contar o seu relato. Já foram contabilizadas mais de oito mil histórias. O visitante pode deixar sua história de vida gravada para que outras pessoas tenham acesso a ela.

Crianças – São Paulo tem museus para todos os gostos e idades. Para despertar nas crianças a vontade de visitá-los, uma boa pedida é o Museu dos Transportes. Lá os pequenos podem fazer uma viagem descontraída pela história dos transportes coletivos. Criado em 1984, o visitante pode ver antigos bondes elétricos, veículos de tração animal e o primeiro ônibus a diesel da cidade, além de exposições fotográficas.

A Estação Ciência também proporciona uma experiência única à garotada. Lá tem um simulador de terremotos. Após receber informações de como os terremotos acontecem, o visitante pode ir a uma sala e sentir três tipos diferentes de abalos. O Planetário Inflável também chama muito a atenção. Nele é possível até mesmo ver como é o céu do hemisfério norte (não conseguimos fazê-lo normalmente, pois estamos no hemisfério sul) e saber o porquê dos nomes das constelações.

Para as crianças que gostam de animais, o Instituto Butantan é ideal. Elas terão a oportunidade de ir além da observação e tocar em cobras. Todas as quintas-feiras, entre 14h30 e 13h30 o projeto “Mão na cobra, só no Butantan” permite que ao visitar o serpentário as pessoas possam pegar os animais. E para saber como elas e outros animais peçonhentos são importantes para o desenvolvimento da ciência o Instituto mantém quatro museus diferentes. Um dos mais conhecidos é o Biológico, onde estão expostas serpentes vivas. No de Microbiologia é possível saber mais sobre o DNA e outras estruturas que não são vistas a olho nu de forma inovadora. E há também o Museu Histórico, instalado na antiga sala do fundador do Instituto, o Dr. Vital Brasil. Instrumentos científicos do início do século passado ajudam a contar a história do local. Vinte e um painéis na Alameda do Instituto também contribuem, com textos e fotos, para disseminar informações a respeito da criação do lugar.

Religiões e etnias – São Paulo tem mais de onze milhões de habitantes, mas eles são mais que mais um número. Todos têm uma história, muitos vieram de outras partes do mundo e cada um tem sua forma de ver a religiosidade. E não poderiam faltar museus com diversas abordagens sobre esses assuntos. No Museu de Arte Sacra é possível ver a imagem que deu nome ao mosteiro e ao bairro da Luz, a Nossa Senhora da Luz. Data do século XVI e é a primeira imagem do museu. Grupos e crianças se encantam ao ver São Jorge com braços e pernas articulados, com armadura e montado em seu cavalo. Algo bem característico do santo, mas o detalhe é que essa imagem do século XVIII é em tamanho natural. Outra obra que além da beleza impressiona pelo tamanho é o Presépio Napolitano do século XVIII. Ele ocupa uma sala inteira e é atração o ano todo. O acervo é de cerca de 800 obras que incluem pratarias e objetos em ouro, pintura, mobiliário, altares, vestimentas sacras e livros litúrgicos raros. A coleção de lampadários só é menor que a dos Museus Vaticanos e também há uma rica coleção de ícones russos.

Já o Museu Espírita nasceu da necessidade de reunir as primeiras obras de arte espírita e os trabalhos mediúnicos mais notáveis. A biblioteca é constituída com cerca de 4 mil títulos, em português, árabe, espanhol, esperanto, francês, grego, inglês, italiano, japonês. Tem ainda uma hemeroteca (acervo de revistas e periódicos) com mais de mil títulos, incluindo raridades do século passado.

Sobre etnia, temos o Museu Afro-Brasileiro, no Parque do Ibirapuera. Num ambiente que deixa o visitante completamente envolvido pela cultura afro há um acervo de três mil obras entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos, de artistas e autores brasileiros e estrangeiros, que resgatam a memória do negro no Brasil. O espaço abriga também uma loja com produtos artesanais.

No Ibirapuera tem ainda o Pavilhão Japonês. O seu prédio principal representa a arquitetura nipônica. Todo material envolvido na obra e no jardim foi trazido do Japão. O Salão de Exposição de Arte Japonesa mantém em seu acervo roupas de samurais, esculturas do século XI, estatuetas e vasos de várias dinastias. O Salão Nobre possui 80m² e fica a dois metros do chão.

Tem também o Museu da Imigração Japonesa do Brasil, inaugurado em 1978 em comemoração ao 70º aniversário da imigração. A área é dividida em três andares: em dois estão documentos e objetos que abrangem da assinatura do Tratado de Amizade Brasil/Japão à chegada dos primeiros imigrantes e os núcleos coloniais. O último enfoca os 50 anos pós-guerra tratando sobre as mudanças da comunidade nikkei, a vinda das empresas japonesas e a contribuição dos nipo-brasileiros para o Brasil. A biblioteca e o acervo somam mais de cinco mil objetos, 28 mil documentos escritos (entre diários, livros, jornais, revistas) e cerca de 10 mil fotos relacionadas aos imigrantes japoneses.

O Memorial do Imigrante está localizado em um dos poucos edifícios centenários da cidade de São Paulo. O passeio de Maria-Fumaça é um charme a parte, que concretiza as informações que o visitante tem durante a visitação do Memorial. Além da pesquisa, coleta, documentação, preservação e divulgação do acervo documental de Estado, há também o desenvolvimento de projetos de apoio às comunidades de imigrantes estimulando a consciência de preservação e divulgação dos testemunhos de suas culturas.

A programação do Memorial da América Latina é ainda mais diversificada: dança, exposição, música, palestra, teatro, cinema, biblioteca e tudo que envolver manifestações artísticas e científicas latino-americanas.

Vale a pena visitar também – Quem quer saber mais sobre a produção audiovisual brasileira não pode deixar de conhecer a Cinemateca. Mais de 200 mil rolos de filmes, além de livros, roteiros, cartazes e fotografias fazem parte do acervo. Entre 6 de outubro e 6 de novembro acontece a 3° Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul. Em comemoração aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas, serão exibidos filmes que falam sobre os direitos elementares.

E quem passa pela Avenida Europa não deixa de apreciar duas grandes obras do Museu Brasileiro de Escultura (Mube): Coluna da Primavera, de Francisco Brennand e A Grande Coluna, de Caiporé Torres. Essas obras surpreendem pelo tamanho e beleza. Além das exposições convencionais e dos cursos, ele tem um charme extra: a feira de antiguidades que acontece todos os domingos.

Quem gosta e precisa fazer pesquisas tem um grande aliado: o Arquivo do Estado. A instituição foi idealizada em 1721 e guarda um vasto acervo de documentos antigos, além de oferecer apoio aos pesquisadores e ter programas de orientação a professores.

Outro espaço imperdível para quem gosta de saber sobre o passado, mas sem se desligar do presente nem ficar por fora das novas tendências é o Museu da Casa Brasileira. O local expõe mobiliário antigo e promove debates sobre o que há de mais moderno em design, além de receber grupos musicais em apresentações dominicais. Foi por uma iniciativa do MCB que o Prêmio de Design foi criado e agracia profissionais desde 1986. A premiação e abertura da exposição com vencedores e selecionados será no dia 2 de dezembro.

A Fundação Maria Luiza e Oscar Americano tem uma particularidade: o museu era a casa de uma família brasileira e o acervo é basicamente composto pelos quadros, esculturas, móveis e tapeçaria que eram do casal. Tem também peças que pertenceram a D. Pedro I, arrematadas em leilões.

Os mais antenados não podem deixar de visitar também o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Lá é possível contemplar obras de artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila, Rego Monteiro, Portinari, Oiticica, De Chirico, Modigliani, Boccioni, Picasso, Chagall, entre tantos outros.

. Sites: http://www.cidadedesaopaulo.com | http://www.fiquemaisumdia.com.br | http://www.spturis.com | http://www.anhembi.com.br

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